O primeiro debate entre os candidatos ao governo do Ceará, realizado na noite de domingo, 9 de agosto de 2026, colocou a segurança pública no centro da disputa entre o governador Elmano de Freitas, do PT, que tenta a reeleição, e o ex-governador Ciro Gomes, do PSDB. Ainda no primeiro bloco, Elmano de Freitas atribuiu ao adversário a origem da presença do Comando Vermelho no estado. Segundo o governador, a primeira célula da facção chegou ao Ceará em 1993, quando Ciro Gomes ocupava o Palácio da Abolição, sede do governo estadual. A formulação foi direta: a semente do Comando Vermelho teria chegado ao Ceará com o adversário no comando.
Ciro Gomes respondeu atacando a gestão de pessoal da administração atual. Questionou a estrutura salarial da Polícia Militar, afirmou que o governo não realizou concursos para delegado entre 2015 e 2025 e sustentou que a contratação ampliada de soldados desorganizou a base da corporação. Disse ainda que, em seu mandato, quem fosse ligado a facção não duraria um dia no estado. O ex-governador também cobrou explicações sobre a aliança do governador com Bebeto do Choró, eleito prefeito de Choró em 2024 e que não chegou a tomar posse por estar foragido da Justiça, situação que Ciro Gomes associou a vínculos com facções.
Elmano de Freitas defendeu a política de segurança do seu governo citando cerca de 5 mil integrantes de facções presos, investimento em inteligência e na Polícia Militar e o bloqueio de recursos das organizações criminosas. O governador também nacionalizou o embate ao invocar a Lei Antifacção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como parte da estratégia de enfrentamento ao crime organizado. Na tréplica, devolveu o ataque ao afirmar que o Partido Liberal, aliado do adversário, administra há anos o Rio de Janeiro e abrigaria o maior chefe do crime organizado do país. Ciro Gomes classificou a acusação como baixaria.
A cobertura de centro relatou o episódio como troca de acusações dentro do primeiro bloco do debate, registrando as falas dos dois lados com peso semelhante e lembrando que o terceiro candidato, Pedro Brito, do Novo, desistiu de participar do encontro. Veículos de direita adotaram o mesmo enquadramento factual, mas acrescentaram a informação de que os dois candidatos aparecem em empate técnico na disputa, deram mais espaço à tréplica do governador sobre o Partido Liberal e o Rio de Janeiro e detalharam os números apresentados por ele, entre eles 3,3 bilhões de reais retirados da operação financeira das facções. Até o momento, nenhum veículo de esquerda publicou cobertura própria do debate no material reunido, de modo que não há um enquadramento de esquerda a comparar neste caso.
O que ainda não se sabe é justamente o que permitiria ao eleitor arbitrar entre as duas versões. Nenhuma das coberturas verificou de forma independente a data de 1993 para a chegada do Comando Vermelho ao Ceará, nem auditou os números de presos e de recursos bloqueados apresentados pelo governador. Também não há detalhamento sobre a estrutura salarial da Polícia Militar contestada por Ciro Gomes, sobre o calendário de concursos para delegado no período citado, nem sobre qual instituto, qual data e qual margem de erro sustentam o empate técnico mencionado na cobertura. A situação processual atual de Bebeto do Choró segue sem esclarecimento público nas matérias.