A ex-deputada federal Carla Zambelli participou de um culto evangélico em Roma, na Itália, no domingo (12) de julho de 2026, onde se emocionou e agradeceu publicamente ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a outros políticos de direita que a visitaram enquanto ela esteve presa no país. O evento foi organizado pelo grupo 'Patriotas em Roma', e a fala circulou nas redes sociais de Rita Zambelli, mãe da ex-deputada, que se apresenta como pré-candidata a deputada federal por São Paulo.
No discurso, Zambelli afirmou que Flávio Bolsonaro 'não se envergonhou nenhuma vez de defender minha liberdade, a justiça e o nosso país' e disse que não havia sido abandonada 'como os jornais diziam'. Ela também citou os senadores Eduardo Girão (Novo-SP), Damares Alves (Republicanos-DF) e Magno Malta (PL-SP), além de Flávio Bolsonaro, que viajaram à Itália em setembro do ano passado, quando ela estava detida no presídio de Rebibbia.
Condenada no Brasil em dois processos, Zambelli permanece na Itália enquanto o governo brasileiro tenta obter sua extradição para que cumpra pena no país. Em um dos casos, ligado à invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça, a Justiça brasileira a condenou a 10 anos e 8 meses de prisão como autora intelectual do crime. No outro, por porte ilegal de arma de fogo e perseguição armada em São Paulo, a pena foi de 5 anos e 3 meses. Em 22 de maio, a Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça italiana, anulou uma decisão que havia autorizado a extradição no caso do CNJ, e desde então a ex-deputada está em liberdade na Itália. No segundo processo, a Suprema Corte italiana determinou o reinício da análise em instância inferior.
Como até o momento apenas um veículo de esquerda cobriu o episódio, não há contraste direto entre coberturas de campo ideológico distinto. Ainda assim, o texto permite ler os dois enquadramentos que costumam disputar a narrativa. De um lado, a leitura crítica destaca que Zambelli foge ao cumprimento de penas por crimes contra as instituições e transforma a condenação em narrativa de martírio religioso, apoiada por aliados que mobilizam recursos políticos para ampará-la; a própria cobertura de esquerda emenda a menção a Flávio Bolsonaro ao desgaste de sua campanha, com operações da Polícia Federal contra aliados e a divulgação de sua relação com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master. De outro, a leitura à direita enfatiza a lealdade dos aliados e o fato de a última instância da Justiça italiana ter barrado a extradição, o que reforçaria a tese de perseguição política.
No culto, Zambelli afirmou que Flávio Bolsonaro está 'atravessando um lugar espinhoso' e que o Brasil 'depende desse caminho que ele está traçando', em referência às eleições de outubro. Também disse orar por um 'milagre' no Brasil, pelos presos do 8 de janeiro e por Jair Bolsonaro.
O que ainda não se sabe é qual será o desfecho do pedido de extradição após a decisão da Corte de Cassação, se o governo brasileiro apresentará novos recursos e como o reinício da análise no processo por porte de arma afetará a situação da ex-deputada. A repercussão do episódio entre outros veículos e o eventual posicionamento formal da defesa também seguem em aberto.