O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou nos Estados Unidos no início de julho para participar de uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, que investiga, com base na Seção 301 da legislação comercial americana, se políticas brasileiras em áreas como pagamentos digitais, propriedade intelectual e combate ao desmatamento prejudicam interesses dos Estados Unidos. Na audiência, marcada para a terça-feira, dias antes do prazo final de 15 de julho para a decisão sobre uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros, o senador pediu que o Pix fosse excluído da disputa e defendeu o adiamento da sobretaxa. Ele já havia enviado às autoridades americanas um documento de 86 páginas com o mesmo pedido.
A cobertura de centro relatou que o governo brasileiro segue em uma via paralela de negociação: o ministro Márcio Elias Rosa, do MDIC, já teve reuniões com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, recusou qualquer negociação sobre o Pix e apresentou um plano alternativo cobrindo os demais pontos da investigação, como tarifas preferenciais e combate à corrupção. Segundo esse relato, o Planalto rebateu Flávio afirmando que, ao pedir apenas o adiamento da tarifa em vez do seu cancelamento, o senador estaria atrelando a decisão ao resultado das eleições de outubro, e não priorizando reverter o impacto econômico imediato.
Após a audiência, o governo foi além nas críticas. Veículos de esquerda destacaram a nota oficial da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que classificou a atuação do senador como legitimação de "uma investigação injusta" e chegou a chamá-la de "traição à Pátria". Essa cobertura reforçou que a campanha da própria família Bolsonaro estaria na origem do tarifaço e associou o histórico do governo anterior a escândalos como o caso Master e os descontos ilegais do INSS, dos quais o atual governo diz ter recuperado R$ 3,2 bilhões para beneficiários lesados. Já veículos de direita, alinhados aos argumentos do próprio senador, tenderiam a enfatizar que ele apenas usou um espaço formal aberto à sociedade civil para defender o Pix, apontado por ele como conquista brasileira, e para alertar sobre prejuízos a exportadores e consumidores, enquanto o governo, passado um ano de negociações desde julho de 2025, ainda não resolveu o impasse comercial.
O episódio expôs a disputa política em torno de um tema com impacto econômico direto: dos 34 brasileiros inscritos para se manifestar na audiência, apenas Flávio Bolsonaro não se posicionou contra o tarifaço, preferindo defender seu adiamento. Ainda não se sabe se os Estados Unidos aceitarão excluir o Pix da disputa nem quais serão os termos definitivos da contraproposta brasileira antes da decisão prevista para 15 de julho.