Entenda a crise aberta no PSOL após crítica pública de Erika Hilton e outros parlamentares
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A crise no PSOL expoe um embate sobre quem o partido protege na hora de dividir recursos. Erika Hilton, deputada negra e travesti, e lideranas negras como Renata Souza e Rick Azevedo denunciam que a direcao nacional estaria desmontando criterios de genero e raca aprovados em 2022, criterios que davam acrescimo a mulheres, pessoas negras, indigenas, LGBTQIA+ e pessoas com deficiencia. Para esse lado, abandonar a politica de inclusao constitui violacao a lei e aproxima o partido de legendas que instrumentalizam pautas identitarias para manter homens brancos no poder, fragilizando candidaturas ja testadas nas urnas e mais expostas a riscos de seguranca.
A disputa pelo fundo eleitoral escancara um racha de poder no PSOL as vesperas de 2026. O episodio e lido como uma guerra interna em que Erika Hilton pressiona por mais recursos enquanto a direcao tenta equilibrar a manutencao da bancada com a renovacao de quadros, bancando recem-chegados como Manuela d'Avila e Natalia Boulos, mulher do ministro Guilherme Boulos.
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Todos os lados concordam que o PSOL preve cerca de R$ 2,3 milhoes para Hilton, o maior repasse proporcional do partido, e que a decisao final ocorre em 18 de julho. Ha acordo de que o pano de fundo e a luta para superar a clausula de barreira em 2026.
Uma cobranca publica da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) abriu uma crise interna no PSOL a poucas semanas da reuniao da Executiva Nacional, marcada para 18 de julho, quando o partido definira oficialmente a divisao dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o fundo eleitoral, para as eleicoes de 2026. Hilton acusou a direcao nacional de descumprir acordos internos e de adotar criterios que, segundo ela, prejudicam candidaturas de mulheres, pessoas negras e lideranas com forte capacidade de mobilizacao. A frase de que a direcao estaria rasgando os combinados e praticamente inviabilizando essas candidaturas repercutiu entre militantes e dirigentes.
Ha convergencia nos numeros centrais. O PSOL informou que preve destinar cerca de R$ 2,3 milhoes a campanha de reeleicao de Hilton, valor cerca de R$ 100 mil acima do reservado a outros deputados federais do partido em reeleicao e uma alta de 61,5% em relacao ao que ela recebeu em 2022. Mesmo sendo o maior repasse proporcional do partido no pais, a quantia nao encerrou a controversia. A cobertura de centro relatou de forma factual esses valores e a resposta da direcao, que nega ter abandonado politicas de inclusao e afirma que a proposta ainda sera apreciada pelas instancias partidarias.
O que divide a cobertura e o angulo. Veiculos de esquerda destacaram a dimensao de genero e raca: Hilton, deputada negra e travesti, argumenta que percorrer Sao Paulo exige logistica e seguranca elevadas; a deputada estadual Renata Souza falou em clara violacao a lei ao nao garantir a priorizacao por genero e raca; e o vereador carioca Rick Azevedo, o mais votado do PSOL no Rio em 2024, alertou que o partido repetiria erros ao subestimar candidaturas populares. Esse lado lembra a resolucao de 2022, que previa acrescimos cumulativos a mulheres, negros, indigenas, pessoas LGBTQIA+, pessoas com deficiencia e quilombolas. Ja veiculos de direita enfatizaram a disputa de poder, tratando o episodio como uma guerra ou racha interno: a direcao tentaria equilibrar a manutencao da bancada com a renovacao de quadros, bancando recem-chegados como Manuela d'Avila, pre-candidata ao Senado, e Natalia Boulos, mulher do ministro Guilherme Boulos. Esse enquadramento liga a estrategia a sobrevivencia diante da clausula de barreira e a tensao sobre o grau de adesao do partido ao governo Lula.
A resposta da direcao veio sobretudo por Juliano Medeiros, presidente da federacao PSOL-Rede e ele proprio pre-candidato. Medeiros afirmou que Hilton recebera o maior valor entre candidaturas proporcionais do PSOL no pais e negou mudanca nos criterios historicos de incentivo a grupos sub-representados, atribuindo o volume destinado a estreantes ao apoio de parlamentares que deixam o pleito e transferem suas estruturas de campanha. Por tras das cifras, dirigentes reconhecem um racha mais antigo: a decisao, em marco, de a ala ligada a Boulos permanecer na legenda apos a rejeicao da federacao com o PT, e os rumores sobre uma eventual saida coletiva apos as eleicoes.
O que ainda nao se sabe: a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, nao respondeu aos questionamentos sobre a distribuicao; os valores so serao oficializados na reuniao de 18 de julho; e permanece em aberto se as alas insatisfeitas deixarao o partido depois de outubro.
Dirigentes e parlamentares travam uma batalha sobre renovação de quadros, sobrevivência partidária e o futuro da sigla após 2026

No centro da disputa está a distribuição dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha
