Trump ordena que agências dos EUA chamem a IA de superinteligência
Relato de fonte única, atribuído a DW Brasil. Esta cobertura não compara posições do espectro político.

Resumo da cobertura
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva para que órgãos e agências federais deixem de usar o termo inteligência artificial e adotem superinteligência. Especialistas ouvidos criticam a mudança como imprecisa e vinculada a marketing.
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Briefing
O que importa para você
- Órgãos e agências do governo americano passam a usar o termo superinteligência em documentos oficiais, por ordem executiva.
- O projeto de Bernie Sanders propõe proibir superinteligência fora do controle humano e suspender sistemas avançados até haver testes federais.
- A disputa de nomenclatura pode influenciar como a opinião pública vê a IA, num cenário em que quase nove em cada dez americanos estão mais preocupados que entusiasmados.
O que ainda está incerto
- Não está claro se a indústria e outros países vão adotar o novo termo.
- Não há informação sobre o alcance prático da ordem executiva nem sobre a tramitação do projeto de Sanders.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que obriga órgãos e agências federais a adotar o termo superinteligência no lugar de inteligência artificial. Especialistas dizem que o rótulo é impreciso e funciona como marketing para as empresas do setor.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, o que limita a comparação entre perspectivas. Segundo essa cobertura, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu mudar o nome da tecnologia conhecida como inteligência artificial. Numa cúpula de tecnologia com líderes do setor, ele assinou uma ordem executiva que instrui órgãos e agências do governo americano a adotarem o termo superinteligência, na sigla SI.
A iniciativa teve origem no início do mês, quando Trump disse, em sua plataforma Truth Social, que a expressão inteligência artificial é imprecisa e pouco elegante. Ele sugeriu alternativas como inteligência superior, inteligência extrema ou inteligência suprema. Uma enquete de três dias entre seus apoiadores escolheu superinteligência, por cerca de 65% a 35% contra inteligência superior. Depois disso, Trump anunciou na Assembleia Geral das Nações Unidas que documentos federais passariam a usar a nova expressão. Ele também afirmou que o presidente chinês, Xi Jinping, gostou da mudança, mas a China não deu sinais de que vá abandonar o termo IA.
A cobertura relata que a indústria de tecnologia ainda não adotou o novo nome em bloco, embora alguns executivos já tenham aderido. Acadêmicos ouvidos alertam que superinteligência designa um cenário futuro, em que máquinas superariam os humanos em praticamente todas as áreas, e que os modelos atuais estão a anos desse ponto. Pedro Domingos, professor de ciência da computação da Universidade de Washington, disse que a maior parte da IA não é superinteligência e que chamá-la assim é enganoso. Para ele, o rótulo é basicamente marketing e pode até alimentar os medos de perda de empregos e de máquinas fora de controle.
O texto lembra que o termo inteligência artificial foi cunhado em 1956, num workshop no Dartmouth College, e sobreviveu por sete décadas apesar de críticas pontuais. Também registra a hipótese de que a expressão agrade às principais empresas americanas de IA, interessadas em destacar a potência de seus modelos, num momento em que os modelos chineses reduzem a diferença de qualidade com menos poder computacional. Ainda segundo a reportagem, duas grandes desenvolvedoras americanas adiaram planos de abrir capital, e os gastos globais com IA devem superar 1 trilhão de dólares, segundo estimativa do Goldman Sachs.
O tema chegou ao Congresso americano. O senador independente Bernie Sanders, de Vermont, apresentou um projeto de lei para proibir permanentemente o desenvolvimento de superinteligência artificial que não possa ser controlada por humanos, além de suspender sistemas avançados até que existam mecanismos federais de teste e supervisão. Pesquisas citadas indicam preocupação elevada: cerca de metade dos entrevistados em seis países apoiou uma pausa no desenvolvimento da IA, e quase nove em cada dez americanos estão mais preocupados do que entusiasmados com a possibilidade de a IA superar a inteligência humana.
Como só um veículo cobriu o caso, não há como atribuir enquadramentos distintos a veículos de esquerda ou de direita. Não houve cobertura desses lados até agora, e a leitura aqui descrita é a da cobertura de centro.
O que ainda não se sabe: se a nova nomenclatura será adotada fora do governo americano, como as grandes empresas de IA reagirão formalmente, qual o alcance prático da ordem executiva e se o projeto de Sanders avançará no Senado.
Fontes
Presidente dos EUA decidiu chamar tecnologia de "superinteligência". Especialistas criticam a medida. Mas expressão pode agradar firmas americanas de IA interessadas em ressaltar o poder de seus modelos.
