
Anvisa autoriza Fiocruz a testar no Brasil a primeira vacina RNAm contra covid-19
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início do estudo clínico de fase 1 da vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com tecnologia de RNA mensageiro (RNAm). É o primeiro imunizante dessa plataforma desenvolvido integralmente no país a chegar a testes em seres humanos. O ensaio vai avaliar segurança, reatogenicidade e resposta imunológica em 90 adultos saudáveis, com recrutamento previsto para o primeiro trimestre de 2027 no Rio de Janeiro.
Esquerda
A autorização da Anvisa marca a chegada do Estado brasileiro à fronteira tecnológica do RNA mensageiro, plataforma que ficou concentrada em poucas empresas privadas durante a pandemia e deixou países pobres na fila da vacina.
Centro
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início do estudo clínico de fase 1 da vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com tecnologia de RNA mensageiro (RNAm).
Direita
Sem cobertura neste espectro.
2 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
A maior parte do texto é técnica e factual, com detalhamento superior do protocolo. O enquadramento aparece no fecho, que lê o candidato vacinal como 'avanço na capacidade tecnológica do complexo econômico-industrial da saúde' — leitura desenvolvimentista, que valoriza a capacidade produtiva estatal como bem público. Esse é o sinal que puxa o artigo para a esquerda, com confiança moderada porque o restante é neutro.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
O texto se limita a reportar a autorização da Anvisa, o objetivo da fase 1, o número de participantes e os centros de recrutamento, sem vocabulário valorativo e sem atribuir mérito político a qualquer ator. A única frase próxima de avaliação, 'primeira produzida com esta tecnologia no país', é descritiva. Enquadramento factual típico de centro.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
A Anvisa liberou a Fiocruz para testar em voluntários a primeira vacina brasileira de RNA mensageiro contra a covid-19. O estudo de fase 1 vai recrutar 90 adultos saudáveis no Rio de Janeiro a partir do primeiro trimestre de 2027 e medir segurança e resposta imunológica do imunizante como dose de reforço, em três concentrações diferentes.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos estudos clínicos de fase 1 da vacina contra a covid-19 desenvolvida com tecnologia de RNA mensageiro (RNAm) pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos, o Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). É o primeiro imunizante construído nessa plataforma inteiramente dentro do país a chegar à etapa de testes em seres humanos.
O candidato vacinal já havia passado pelo estágio pré-clínico, que indicou proteção contra a doença, além de estudos toxicológicos e de escalonamento de produção. A molécula de RNA mensageiro carrega as instruções para que as células produzam temporariamente a proteína Spike do coronavírus, de modo que o sistema imunológico reconheça o alvo e monte a resposta. A formulação que será avaliada tem como referência a variante XBB do vírus.
A cobertura de centro relatou o essencial do protocolo: o estudo vai incluir 90 participantes saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos, recrutados em dois centros no Rio de Janeiro, a Unidade de Ensaios Clínicos para Imunobiológicos e a Policlínica Lincoln de Freitas Filho. O período de inclusão deve durar seis meses, e cada voluntário será acompanhado por mais seis meses depois de entrar no estudo. O recrutamento está previsto para começar no primeiro trimestre de 2027. Nesta fase, o objetivo declarado não é comprovar eficácia contra a covid-19 na população, e sim obter dados iniciais de segurança, reatogenicidade e capacidade de provocar resposta imunológica. O uso testado é o de dose de reforço, formato que já consta no calendário do Programa Nacional de Imunizações.
Veículos de esquerda detalharam o desenho metodológico e acrescentaram a leitura política do anúncio. O ensaio será aberto, multicêntrico, não randomizado e não controlado, escolha justificada pelo cenário epidemiológico e pelo histórico de vacinação da população brasileira, e vai comparar três concentrações do candidato: 25, 50 e 100 microgramas. Como o estudo é aberto, pesquisadores e participantes sabem o que está sendo administrado. Nessa cobertura, o projeto aparece como avanço da capacidade tecnológica do complexo econômico-industrial da saúde, isto é, como ganho de soberania sanitária de um Estado que, durante a pandemia, dependeu de contratos com poucos fornecedores privados para acessar imunizantes de RNA mensageiro.
Veículos de direita não deram destaque ao anúncio até o momento. O enquadramento habitual desse campo cobraria o outro lado da conta: o cronograma, com recrutamento apenas em 2027 e acompanhamento que se estende por mais de um ano; o custo público acumulado até aqui, que nenhuma das coberturas informa; e o rigor comparativo de um ensaio aberto e sem grupo controle diante do padrão duplo-cego adotado pela indústria. A pergunta implícita é se desenvolver a plataforma internamente entrega vantagem concreta frente à compra de imunizantes já disponíveis no mercado.
O que ainda não se sabe é grande parte do que decide o desfecho. Nenhuma das coberturas traz o valor investido no desenvolvimento, o orçamento das etapas seguintes, o prazo estimado para as fases 2 e 3 nem qualquer data para eventual registro sanitário e distribuição pela rede pública. Também não há avaliação técnica independente sobre os limites do desenho escolhido, nem informação sobre como a vacina se comportaria diante de variantes posteriores à XBB. A autorização da Anvisa libera o começo dos testes em humanos, e nada além disso.
As duas coberturas relatam os mesmos fatos centrais: a Anvisa autorizou o estudo de fase 1 do candidato de RNA mensageiro do Bio-Manguinhos, da Fiocruz; serão 90 voluntários entre 18 e 59 anos, em dois centros no Rio de Janeiro; o período de inclusão é de seis meses, com mais seis de acompanhamento; e o objetivo é segurança e resposta imunológica, não eficácia.

Anvisa autoriza Fiocruz a iniciar estudos clínicos da sua vacina de RNA mensageiro (RNAm) contra covid-19. Saiba mais sobre os testes e o cronograma.

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