Flávio Bolsonaro bajula Milei e diz ter “inveja” da Argentina, afundada em crise
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O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discursou em Buenos Aires, em conferência da Israel Allies Foundation, e disse que os brasileiros sentem 'inveja' dos vizinhos latino-americanos que elegeram a direita. Prometeu transferir a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém caso eleito e acusou o governo Lula de prejudicar a relação com Israel. O parlamentar deve se encontrar com o presidente Javier Milei na Quinta de Olivos.
Flávio Bolsonaro foi à Argentina bajular Javier Milei e dizer ter 'inveja' do país vizinho, ignorando que a Argentina está afundada em crise sob o ajuste de Milei, com inflação anual acima de 30%, desemprego em alta e fechamento de empresas.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Todos os lados reconhecem que Flávio Bolsonaro discursou em Buenos Aires elogiando Milei, prometeu transferir a embaixada para Jerusalém e criticou a política externa de Lula em relação a Israel.
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discursou na noite de domingo, 28, em Buenos Aires, durante conferência da Israel Allies Foundation, e disse que os brasileiros olham para o mapa da América Latina com 'um pouco de inveja' dos vizinhos que elegeram representantes da direita. 'Enquanto nossos vizinhos, um a um, escolhem a liberdade e a ordem, o Brasil ainda está preso ao passado. Somos a peça que falta nesse mapa', afirmou, prometendo uma mudança nas eleições de outubro. No dia seguinte, o senador tinha encontro previsto com o presidente argentino Javier Milei na Quinta de Olivos.
O evento, organizado em parceria com a American Friends of the Isaac Accords, reúne parlamentares em torno de uma agenda de aproximação com Israel. Flávio voltou a prometer, caso eleito, transferir a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém, gesto que Jair Bolsonaro havia anunciado em 2018 e nunca cumpriu. O senador afirmou ainda que, na prática, não há relação diplomática plena entre Brasil e Israel, lembrando que o país está sem embaixador em Israel desde 2024. Ele também acusou o governo Lula de fazer 'lobby internacional a favor de terroristas' ao se opor à classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas pelos Estados Unidos, decisão tomada em maio.
A cobertura de centro, como a da Folha, relatou as falas com fidelidade e contexto: descreveu o evento, a presença de cerca de 20 políticos de diferentes países, a posição de Milei como defensor de Israel e a agenda eleitoral em torno da comunidade judaica, que reúne nomes como o governador Tarcísio de Freitas. Esses veículos registraram também a tensão diplomática aberta em 2024, quando Lula comparou a ofensiva israelense em Gaza ao Holocausto e foi declarado persona non grata por Israel.
Veículos de esquerda, como o Diário do Centro do Mundo, enfatizaram o contraste entre o elogio a Milei e a situação econômica da Argentina, descrita como 'afundada em crise', com inflação anual acima de 30%, desemprego em alta, consumo fraco e fechamento de empresas sob o ajuste do presidente argentino. Para essa cobertura, a exaltação ao modelo vizinho ignora o custo social do receituário ultraliberal sobre trabalhadores e pequenas empresas. Já a leitura à direita, presente no próprio discurso de Flávio reproduzido pelas fontes, enfatiza a defesa da liberdade, da ordem e do alinhamento com Israel e os Estados Unidos, apresentando a virada conservadora regional como caminho a ser seguido pelo Brasil e cobrando o governo por enfraquecer o combate ao crime organizado.
O que ainda não se sabe é como o governo Lula responderá às acusações, se haverá desdobramento concreto na agenda diplomática e qual o efeito eleitoral, no Brasil, de um discurso feito no exterior em ano de eleição. As fontes também não detalham o resultado do encontro previsto entre Flávio e Milei.
O pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro elogiou Milei, atacou Lula e voltou a prometer embaixada brasileira em Jerusalém.

Em evento em Buenos Aires, senador volta a prometer transferência da embaixada em Israel para Jerusalém

Na Argentina, Flávio Bolsonaro diz que Brasil tem inveja da onda de direita na América Latina Folha de S.Paulo