O Tribunal Superior Eleitoral voltou ao centro da disputa presidencial de 2026 com novas decisões que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. A ministra Estela Aranha determinou que perfis ligados a parlamentares do PT, entre eles Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e Rogério Correia, removam em até 24 horas publicações que associam o senador a milícias e ao Comando Vermelho, sob pena de multa diária e proibição de republicar conteúdo semelhante. A justificativa apresentada é que Flávio não figura como investigado na Operação Carne e Unha, da Polícia Federal, voltada contra a facção criminosa do Rio de Janeiro.
A cobertura de centro relatou, com base em pesquisa Datafolha divulgada em 23 de junho, que 54% dos entrevistados acreditam que Flávio influenciou a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Entre esses, 57% avaliam a influência como negativa para o Brasil e 37% como positiva. O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 139 cidades, tem margem de erro de dois pontos e está registrado no TSE sob o protocolo BR-09956/2026. Esses são os fatos que atravessam toda a cobertura: as decisões da Corte eleitoral, o áudio em que Flávio aparece cobrando recursos do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, e a tramitação no plenário do TSE.
Veículos de esquerda destacaram que a Corte estaria agindo de forma recorrente em favor do pré-candidato, usando expressões como blindagem para descrever a sequência de decisões. Para essa leitura, o tribunal silencia críticos do senador sob ameaça de multa enquanto Flávio permanece cercado de suspeitas, sobretudo pelo episódio do áudio com Vorcaro, preso sob acusação de chefiar um esquema de fraudes que pode alcançar 12 bilhões de reais. A suspensão, por decisão monocrática do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, de uma pesquisa da AtlasIntel que mostrava queda de cinco pontos nas intenções de voto do senador é apresentada como tratamento privilegiado ao clã Bolsonaro em pleno processo eleitoral.
Veículos de direita enfatizariam o argumento oposto, sustentado pela própria fundamentação da ministra: Flávio não é alvo da operação policial, e as publicações induziam o eleitorado a associar falsamente o pré-candidato ao crime organizado. Sob esse prisma, as decisões corrigem uma tentativa de criminalização promovida por adversários, e a percepção de que o senador teria influenciado a ação dos Estados Unidos contra as facções é lida como evidência de protagonismo no combate à criminalidade. A exploração do caso Vorcaro, nessa visão, é manobra eleitoral sem condenação que a sustente.
As divergências de cobertura aparecem com nitidez no episódio envolvendo o pré-candidato Romeu Zema, do Novo. A cobertura de esquerda deu relevo às falas em que o ex-governador de Minas Gerais afirma nunca ter sido próximo de Flávio, chama Vorcaro de maior banqueiro bandido da história e classifica o Supremo Tribunal Federal como poder incendiário. O mesmo material serve a interpretações distintas: como sinal de desgaste do senador para uns, como disputa interna da direita para outros.
O que ainda não se sabe é o desfecho dessas decisões. A determinação de Estela Aranha é liminar e será submetida ao plenário do TSE, assim como a suspensão da pesquisa AtlasIntel, que a Procuradoria-Geral Eleitoral defende reverter. Também permanecem em aberto os desdobramentos da investigação sobre o Banco Master e o alcance das apurações que tangenciam o nome do senador e de outros parlamentares.