Flávio Bolsonaro condiciona indicações ao STF a posição contra aborto e drogas
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O candidato do Partido Liberal à Presidência apresentou um critério explícito para as futuras indicações ao Supremo Tribunal Federal: ministros comprometidos com a vida, contrários às drogas e que não usem a caneta para produzir injustiça, num diagnóstico de que a Corte extrapolou seus limites e destruiu a segurança jurídica do país. A agenda se completa com o enfrentamento ao crime organizado, com a classificação de Primeiro Comando da Capital, Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas, e com a defesa de que o trabalhador possa negociar livremente sua jornada, em vez de ter a decisão imposta por lei. Sobre o filme que conta a trajetória de seu pai, o senador afirmou que o dinheiro foi integralmente privado, que houve prestação de contas e que a perícia não encontrou irregularidade nem uso da Lei Rouanet.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à Presidência da República, afirmou em entrevista de televisão exibida no domingo que, se eleito, indicará ao Supremo Tribunal Federal ministros contrários ao aborto e às drogas, com perfil "patriota" e voltado a devolver segurança jurídica e credibilidade à Corte.
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Nesta matéria: falácia identificada.
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Todos os lados registram as mesmas falas da entrevista: o candidato condicionou futuras indicações ao Supremo Tribunal Federal a posições contra o aborto e contra as drogas, prometeu tratar facções criminosas como organizações terroristas e não revelou como votará sobre o fim da escala 6x1.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à Presidência, disse que escolherá ministros do Supremo Tribunal Federal contrários ao aborto e às drogas, prometeu tratar facções criminosas como organizações terroristas e não abriu o voto sobre o fim da escala 6x1. A cobertura se dividiu entre a agenda de propostas e o desgaste do candidato.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à Presidência da República, afirmou que, se eleito, indicará ao Supremo Tribunal Federal ministros comprometidos com posições contrárias ao aborto e às drogas. A declaração foi dada em entrevista a uma emissora de televisão, exibida no domingo, 30 de agosto. Segundo ele, os escolhidos serão "homens e mulheres que sejam, de verdade, patriotas" e capazes de "trazer segurança jurídica de volta e resgatar a credibilidade do Supremo". O candidato não citou nomes e justificou o silêncio dizendo que qualquer cotado passaria a ser alvo imediato de matérias de imprensa.
Na mesma entrevista, o senador apresentou outras propostas. Disse que uma das primeiras medidas de um eventual governo seria classificar organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital, o Comando Vermelho e as milícias como organizações terroristas, tratando o crime organizado como ameaça à segurança nacional. Questionado sobre a proposta de fim da escala 6x1, que tem votação prevista para esta semana no Senado, não revelou como votará e defendeu que trabalhador e empregador tenham liberdade para combinar a jornada, com remuneração proporcional às horas trabalhadas. Também afirmou que pretende manter o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como conselheiro caso vença, e defendeu anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro, com indulto presidencial caso o Congresso não aprove a medida. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
As três coberturas convergem no essencial: as falas existem, foram ditas na mesma entrevista e estão reproduzidas com as mesmas aspas. Nenhuma delas registra reação do Supremo Tribunal Federal, de juristas ou de adversários, e nenhuma esclarece se haverá vagas na Corte no próximo mandato presidencial, condição prática para que a promessa se realize.
A divergência está no que cada campo escolheu colocar em primeiro plano. Veículos de direita organizaram o texto em torno da agenda do candidato e da tese de que o tribunal precisa recuperar credibilidade, dedicando espaço à defesa do senador sobre o financiamento do filme que narra a trajetória de seu pai. Nessa versão, o candidato nega irregularidade, afirma que não houve dinheiro público nem recurso da Lei Rouanet, e sustenta que a produtora prestou contas e que uma perícia não encontrou problema. A cobertura de centro ficou no despacho seco: transcreveu as declarações sobre o Supremo e sobre a escala 6x1, sem contexto adicional e sem contraditório. Já a cobertura de esquerda deslocou o foco do programa de governo para o desgaste do nome, ao noticiar a circulação nas redes sociais de um jingle produzido com inteligência artificial que ataca o senador, cita o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, a suspeita de rachadinha e a prisão do pai. A letra foi publicada na íntegra, com acusações e xingamentos, sem resposta da campanha e sem indicação de que os casos citados seguem em apuração.
O pano de fundo comum aos dois lados é o financiamento do filme. Uma reportagem investigativa divulgou conversas entre o candidato e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas quais são pedidos recursos para a produção, e apontou pagamento de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025. O senador sustenta que o patrocínio é privado e regular.
O que ainda não se sabe é o mais relevante. Não há nomes de possíveis indicados ao Supremo, nem clareza sobre a existência de vagas a preencher. Não se sabe como o senador votará sobre o fim da escala 6x1 na votação marcada para esta semana. Não foi divulgada a perícia mencionada pelo candidato sobre o financiamento do filme, nem o desfecho das investigações citadas no material que circulou nas redes. Também não há detalhamento jurídico sobre como uma classificação de facções como organizações terroristas seria feita, se por projeto de lei, decreto ou decisão administrativa.
Flávio Bolsonaro detalha propostas para segurança, economia e STF e defende participação de Jair Bolsonaro em eventual governo

Música tem sido compartilhada nas redes sociais; chama o senador e candidato do PL ao Planalto de Bolsomaster. Leia no Poder360.

Se eleito, senador se comprometeu a indicar homens e mulheres "comprometidos contra o aborto, drogas e que não usem a caneta para fazer injustiça"
