Na terça-feira, 13 de outubro, a 12 dias do segundo turno da eleição presidencial, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) fez uma série de acenos ao setor produtivo durante o Grande Encontro do Associativismo, no Clube Atlético Monte Líbano, em São Paulo. Até o momento, apenas um veículo cobriu o evento em detalhe, relatando que o encontro, fechado a convidados, reuniu cerca de 1,5 mil pessoas, segundo estimativa dos organizadores.
Diante de dirigentes de entidades do comércio, da indústria e do agronegócio, o senador afirmou: "No meu governo vai ter muito mais Tarcísios e Danis e muito menos Haddads e Dilmas". Ele citou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a porta-voz econômica da campanha, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, ambos presentes. Contrapôs os dois ao ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) e à ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e opôs sua candidatura à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): "Ele está disputando o poder, eu não, estou disputando o futuro do meu Brasil".
A principal promessa aos empresários foi um decreto, que Flávio disse já estar pronto, para revogar mais de mil atos normativos que, segundo ele, só criaram burocracia. O candidato também criticou o governo Lula, ao qual atribuiu o endividamento das famílias, a saída de indústrias do país e a violência. Rebateu o que chamou de informações falsas da campanha adversária, como a de que acabaria com o Bolsa Família e com o Pé-de-Meia, e disse que não pretende governar com espírito de revanche.
Na segurança pública, Flávio citou as políticas de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, e disse que já conversa com Guilherme Derrite, senador eleito e ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo. Prometeu mais de meio milhão de vagas em presídios, castração química para estupradores e abusadores e pena mínima de oito anos para ladrão de celular, que seria obrigado a trabalhar. A mudança dependeria de aprovação no Congresso.
Tarcísio, reeleito no primeiro turno com 62,65% dos votos válidos, avalizou o aliado e disse ter certeza de que ele será maior que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio afirmou que prometeu aos eleitores "um Bolsonaro diferente", porque quem tentou ser igual a Jair Bolsonaro se deu mal. O governador também convocou os presentes a buscar eleitores indecisos e a comparecer a um ato de apoio na Avenida Paulista, no domingo, dia 18. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) alertou contra o clima de vitória antecipada. A Associação Comercial de São Paulo apresentou um conjunto de propostas, e o Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura entregou um manifesto ao candidato.
O evento ocorreu horas depois de Flávio visitar o pai pela primeira vez em três meses, depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a retomada das visitas que ele próprio havia proibido em julho.
Como a cobertura disponível vem de uma única fonte, não há ainda comparação entre os enquadramentos de veículos de esquerda, de centro e de direita sobre o discurso. O que ainda não se sabe: o conteúdo do decreto de revogação e quais atos seriam atingidos; como o candidato financiaria a expansão de presídios; e como a campanha do presidente Lula responde às críticas feitas no evento.