Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, e os fatos abaixo vêm dessa cobertura de fonte única. O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, rejeitou o fim da escala 6x1 e defende uma alternativa que permite negociar jornada e remuneração diretamente com o empregador. A discussão ocupa o centro da disputa com o presidente Lula, do PT, na eleição de 2026.
Segundo o relato, na terça-feira (6) Flávio criticou a proposta de acabar com a escala 6x1 e afirmou ter uma alternativa superior. Essa alternativa está associada à PEC 12/2026, apresentada pelo senador Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, coordenador da campanha de Flávio. O texto prevê flexibilização da jornada por acordos individuais entre empresas e empregados, com pagamento proporcional às horas trabalhadas.
O projeto apoiado pelo governo, em tramitação no Senado, estabelece limite de cinco dias de trabalho por semana, dois dias de descanso e jornada de até 40 horas, em vez das atuais 44, sem redução de salário. Na quarta-feira (7), Lula desafiou Flávio a apoiar a medida e acusou integrantes do PL de tentar dificultar a votação. A própria matéria observa que a acusação foi feita no contexto eleitoral e não comprova, por si só, articulação irregular. Flávio respondeu criticando a proposta e acusando o presidente de usar o tema eleitoralmente.
O texto relata que advogados trabalhistas veem risco de redução de renda. O advogado João Victor Bomfim Chaves afirma que a negociação individual precisa considerar a desigualdade de poder entre empresas e trabalhadores. Uma nota técnica do escritório LBS Advogadas e Advogados sustenta que a PEC mantém a possibilidade da escala 6x1 e permite remuneração proporcional, com possíveis efeitos sobre férias, décimo terceiro e FGTS. A campanha de Flávio contesta essa leitura e diz que a proposta não retira direitos nem altera o cálculo do salário mínimo.
A cobertura também lembra que o programa de governo de Flávio, entregue ao Tribunal Superior Eleitoral, prevê modalidades de contratação para jovens de 18 a 24 anos em busca do primeiro emprego e medidas para trabalhadores com mais de 50 anos. O texto compara essas ideias ao Contrato Verde e Amarelo, criado em 2019 e revogado em 2020, e recorda que Marinho foi relator da reforma trabalhista de 2017 na Câmara dos Deputados.
Como há um único veículo, não é possível comparar enquadramentos entre esquerda, centro e direita. O material disponível é de ênfase crítica à proposta de Flávio e dá pouco espaço à defesa dela, e por isso a visão do próprio candidato aparece só de forma resumida.
O que ainda não se sabe: se a PEC 12/2026 terá tramitação própria, quando o Senado votará a proposta de redução da jornada e qual seria o efeito concreto sobre salários. Também não há estimativa de custo para as empresas. Qualquer emenda constitucional exige o apoio de três quintos dos parlamentares de cada Casa, em dois turnos, e por isso nenhuma das propostas depende apenas do próximo presidente.