Flávio Bolsonaro se irrita com perguntas sobre “Dark Horse” em entrevista
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A irritação de Flávio Bolsonaro diante das perguntas sobre o financiamento de Dark Horse reforça, na leitura da esquerda, a falta de transparência do entorno bolsonarista quanto ao dinheiro que bancou a cinebiografia do pai. A recusa do senador em detalhar a prestação de contas e a presença de Daniel Vorcaro, do Banco Master, no projeto levantam dúvidas sobre a origem dos recursos. Aliados de Lula veem ainda na manifestação da PGR uma tentativa de afastar o caso de Alexandre de Moraes, fragilizando o conceito de juiz natural.
O caso Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, voltou ao centro da disputa política. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se irritou em entrevista ao SBT News ao ser questionado sobre o financiamento e a prestação de contas do filme, afirmando aguardar explicações da produtora Go Up Entertainment e negando investimento direto do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.
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Os dois lados reconhecem que a manifestação da PGR, por Paulo Gonet, defende enviar o caso Dark Horse ao ministro André Mendonça e que a decisão final sobre o relator cabe ao presidente do STF, Edson Fachin.
O filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, transformou-se em mais um foco de disputa política e judicial no país. Em entrevista ao SBT News na sexta-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se irritou ao ser questionado de novo sobre o financiamento e a prestação de contas da produção. Segundo a coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, o parlamentar elevou o tom ao encerrar a participação e criticou a abordagem das perguntas.
Na conversa, Flávio afirmou que ainda aguarda explicações da produtora Go Up Entertainment sobre os gastos do filme, sustentando que cabe à empresa apresentar a prestação de contas, já que foi ela quem fez as contratações. O senador também alegou que já existem documentos apresentados em ação judicial e negou que o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, tenha investido diretamente no projeto, dizendo que o aporte veio de uma empresa por ele indicada.
Veículos de esquerda destacaram esse episódio como sinal de falta de transparência do entorno bolsonarista sobre a origem do dinheiro que bancou a obra, chamando atenção para a esquiva do senador e para a presença de um financiador ligado ao Banco Master. A cobertura de centro relatou os fatos com paridade, registrando tanto as declarações de Flávio quanto o desdobramento judicial em curso, sem aderir a nenhum dos lados.
No plano jurídico, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu o envio do caso ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A decisão final sobre quem será o relator, contudo, cabe ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e a manifestação da PGR não obriga o tribunal a seguir esse entendimento.
É nesse ponto que a cobertura se divide. Integrantes do PT reagiram à manifestação afirmando que a tese da PGR enfraquece o conceito de juiz natural, segundo o qual a definição do magistrado deve seguir regras prévias de competência e conexão. Para aliados de Lula, o caso Dark Horse tem ligação com investigações já conduzidas por Alexandre de Moraes, sobretudo as relacionadas à atuação já condenada do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, e tirar o caso de Moraes seria uma forma de fragilizar a apuração.
Veículos de direita e o próprio entorno de Flávio enfatizaram o lado oposto: comemoraram internamente a manifestação da PGR, lida como reforço aos argumentos da defesa do pré-candidato do PL. A avaliação é que o parecer pode abrir espaço para uma interpretação mais restritiva das conexões entre diferentes investigações, vista como freio ao alcance considerado excessivo de inquéritos. Juristas que acompanham o caso observam que a discussão vai além da escolha do relator e pode redefinir como o Supremo estabelece conexões entre apurações.
O que ainda não se sabe é qual será a decisão de Fachin sobre a distribuição do caso, se o STF acolherá a tese de Gonet e quais são, em detalhe, os números da prestação de contas que a produtora teria apresentado à Justiça. Também permanece em aberto a extensão do vínculo financeiro entre o projeto e empresas ligadas a Daniel Vorcaro.
Manifestação do PGR, Paulo Gonet, defende o envio do caso para o ministro André Mendonça; decisão final cabe ao presidente do STF, ministro Edson Fachin

Flávio Bolsonaro se irrita em entrevista ao ser questionado sobre o caso “Dark Horse” e cobrança por prestação de contas
