Flávio Bolsonaro é favorito no segundo turno, mas Lula mobiliza militância
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Para a cobertura de esquerda, a reta final é marcada pela força da mobilização popular pela reeleição de Lula, com juventude, sindicatos e movimentos sociais nas ruas em defesa da democracia e de direitos, enquanto o favoritismo de Flávio Bolsonaro ainda não decide a eleição.
Pelo prisma da direita, Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno com vantagem construída nas urnas e nas pesquisas, apoiada na preferência da maioria dos eleitores de candidatos alternativos, em um cenário em que corrupção e segurança pública pesam contra o governo.
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A dez dias da votação de 25 de outubro, Flávio Bolsonaro lidera o segundo turno por uma margem estimada em três a quatro pontos. A mobilização de militantes de Lula nas ruas e nas redes e os debates da semana podem reduzir essa distância, e a campanha do senador reage com mais presença de Jair Bolsonaro.
O segundo turno da eleição presidencial de 2026 entra nos últimos dez dias com o senador Flávio Bolsonaro como favorito nas pesquisas, mas com uma vantagem pequena sobre o presidente Lula. A votação está marcada para 25 de outubro, e o resultado segue em aberto.
A cobertura de centro, em uma análise do cenário eleitoral, relatou que as pesquisas subestimaram Flávio no primeiro turno. Parte do erro veio do voto útil de eleitores que mudaram de ideia entre o sábado e o domingo e não foram captados pelos institutos. Pela conta da consultoria Eurasia Group, a diferença de dois pontos do primeiro turno deveria virar uma vantagem de três a quatro pontos para Flávio, porque a maior parte dos eleitores de Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos apontava o senador como segunda opção. As primeiras pesquisas do segundo turno mostraram uma vantagem um pouco maior, mas ela voltou para perto dessa faixa, e a tendência sugere que Lula pode chegar à última semana ainda mais perto.
Na pesquisa Quaest, 53% dos eleitores acreditam que Flávio vencerá, contra 35% na véspera do primeiro turno. Outros 43% dizem temer a volta da família Bolsonaro ao poder, mesmo percentual dos que temem a reeleição de Lula, e 9% afirmam que ainda podem mudar o voto. A análise atribui a recuperação de Lula à mobilização do PT nas redes e nas ruas, com o grupo de apoio de André Janones, as selfies do presidente e as manifestações. Do outro lado, a campanha de Flávio teria começado o segundo turno em clima de vitória garantida e demorado a reagir. Agora se reorganiza, com mobilizações próprias e conselhos mais ativos de Jair Bolsonaro. Foi depois de visitar o pai, na terça-feira, que Flávio anunciou voto a favor do fim da escala de trabalho 6x1, decisão descrita como tática.
Veículos de esquerda destacaram a mobilização pela reeleição de Lula. Relataram uma nova onda de atos de Norte a Sul, de quarta-feira (14) a sábado (24), organizada por entidades como a União Nacional dos Estudantes e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, além de PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, sindicatos e movimentos populares. Estão previstos atos em Goiânia, Recife, São Luís, Florianópolis, Ribeirão Preto e Rio de Janeiro. No domingo (18), o Rio terá ato estudantil na Candelária e mobilização artística em Copacabana, com convocação do cantor Caetano Veloso. A pauta inclui defesa da democracia, financiamento da educação pública, valorização da ciência e fim da 6x1. Essa cobertura enquadra o movimento como uma esfera pública plural capaz de enfrentar a extrema direita.
Neste recorte, não há texto próprio de veículos de direita. A leitura que a direita tende a fazer a partir dos fatos de centro é a de que o favoritismo de Flávio se apoia nas urnas e na preferência dos eleitores de candidatos alternativos, e de que corrupção e segurança pública, as principais preocupações do eleitor, continuam atrapalhando Lula. A análise de centro também lembra que escândalos desgastam a campanha de Flávio, como a nova fase da Operação Unha e Carne, no Rio de Janeiro, e as novas informações sobre a relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques e o banqueiro Daniel Vorcaro.
A divergência de ênfase é clara. Enquanto a cobertura de esquerda trata a mobilização como motor da reta final, a de centro a vê como fator que reduz a distância, mas que pode ter chegado tarde. Os debates na televisão, um no domingo e outro na sexta-feira seguinte, são vistos como oportunidade de convencer indecisos.
O que ainda não se sabe é se a distância continuará diminuindo, qual será o efeito dos debates sobre os 9% que podem mudar o voto e quanto os novos episódios de escândalo pesarão sobre cada candidato. Também não está confirmada toda a programação dos atos pró-Lula, que segue aberta a mudanças de datas, horários e locais.
Com a força da juventude e dos movimentos populares, nova onda de manifestações ganha as ruas de todo o Brasil até o segundo turno; confira a agenda de atos.

Mobilização do PT e força do governo estreitaram a diferença nas pesquisas; virada ainda depende de convencer indecisos em dez dias marcados por debates
