Campanha de Lula é aberta por Benedita da Silva e Janja após cobrança no PT

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Toda a cobertura sobre Lula no Fuja da Bolha: esquerda, centro e direita lado a lado. 619 histórias agregadas até agora.
Cobertura completa: incluímos histórias com um lado só, sinalizadas.
Cobertura concentrada em Poder360 Centro.
Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, ocupa a Presidência da República e disputa a reeleição em 2026, em chapa que tem Geraldo Alckmin como candidato a vice. A campanha nas ruas foi liberada em 16 de agosto de 2026, primeiro dia em que a legislação permite comícios, carreatas e pedido explícito de voto, e ele abriu a corrida no estádio 1º de Maio, o antigo estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, com o slogan 'O Brasil pronto para mais'. A propaganda em rádio e televisão está marcada para começar em 28 de agosto. O principal adversário nas pesquisas nacionais é o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal. A décima rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada em 17 de agosto de 2026, apontou 41% para o presidente e 36% para o senador no primeiro turno, e 47% a 44% em um eventual segundo turno, com margem de erro de dois pontos percentuais. Também iniciaram campanha à Presidência no mesmo dia Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Este dossiê reúne o que a cobertura registrou sobre os eixos que atravessam a candidatura: a descoberta de petróleo na Foz do Amazonas e o discurso de soberania, a reaproximação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a neutralidade de partidos do Centrão na disputa presidencial, os processos que correm na Justiça Eleitoral contra e a favor da chapa, o patrimônio declarado ao Tribunal Superior Eleitoral, as denúncias do escândalo do INSS que alcançam o entorno presidencial, os números de emprego formal que sustentam o argumento econômico do governo e o acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica diante do tarifaço dos Estados Unidos. Em cada ponto, as leituras de esquerda, de centro e de direita divergem, e o dossiê registra quem sustenta o quê, sem arbitrar a disputa.
Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, é presidente da República e candidato à reeleição em 2026, com o vice-presidente Geraldo Alckmin na chapa. No domingo, 16 de agosto de 2026, primeiro dia em que a legislação permite comícios, carreatas e pedido explícito de voto, ele abriu a campanha no estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, ao lado de Alckmin e de Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, com o slogan 'O Brasil pronto para mais'. No mesmo dia iniciaram agenda de campanha o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, Ronaldo Caiado, do Partido Social Democrático, Romeu Zema, do Novo, Renan Santos, do Missão, e Augusto Cury, do Avante. A propaganda em rádio e televisão está marcada para começar em 28 de agosto.
O presidente discursou por cerca de 35 minutos no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, onde liderou assembleias de metalúrgicos no fim dos anos 1970. Segurança pública dominou os discursos de abertura dele e de Flávio Bolsonaro, e ambos citaram Deus, levaram cantores evangélicos ao palco e dedicaram trechos ao eleitorado feminino. O ato foi aberto pela deputada federal Benedita da Silva, candidata do PT ao Senado, e pela primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, duas semanas depois de o presidente reclamar publicamente, na convenção nacional do partido em 2 de agosto, da ausência de mulheres entre os oradores. Benedita defendeu a eleição de mais mulheres para o Congresso Nacional, e Janja homenageou a ex-primeira-dama Marisa Letícia da Silva e afirmou que o país precisa de um presidente que cuide das mulheres. A cobertura de esquerda leu a escalação como enfrentamento da sub-representação feminina dentro do próprio partido. A cobertura de direita leu o mesmo gesto como correção de falha de organização feita sob pressão, e questionou o peso dado à primeira-dama, que não disputa cargo.
A décima rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada em 17 de agosto de 2026, mediu 41% para Luiz Inácio Lula da Silva e 36% para Flávio Bolsonaro no primeiro turno, e 47% a 44% em um eventual segundo turno, mesmo placar da rodada de 10 de agosto. O levantamento ouviu 2.003 eleitores por telefone entre 14 e 16 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais, intervalo de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03317/2026. A cobertura de centro registrou que, diante dessa margem, os dois estão tecnicamente empatados no segundo turno. A cobertura de esquerda destacou a liderança do presidente em todos os cenários testados e seu desempenho entre mulheres, no Nordeste e nas famílias de menor renda. A cobertura de direita sublinhou que a diferença de três pontos cabe dentro da margem de erro, que o governo é desaprovado por 48% dos entrevistados contra 47% de aprovação e que a rejeição ao presidente, de 48%, fica próxima dos 50% do senador. Em recorte estadual, a pesquisa Real Time Big Data divulgada em 12 de agosto apontou Flávio Bolsonaro com 43% e o presidente com 33% no primeiro turno em Mato Grosso, e 51% a 37% na simulação de segundo turno, com 1.600 eleitores ouvidos entre 7 e 11 de agosto, margem de erro de dois pontos e protocolo MT-04560/2026.
A Petrobras anunciou em 17 de agosto de 2026 a descoberta de petróleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em lâmina d'água de 2.886 metros e a aproximadamente 500 quilômetros da foz do rio Amazonas. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que ainda não é possível estimar volume nem potencial de produção e que descoberta em poço exploratório não equivale a reserva comercialmente explorável, com a perfuração estimada em mais 15 a 20 dias. Em visita ao navio-sonda em Oiapoque, o presidente declarou que o petróleo significa soberania nacional, que o Brasil não aceitará interferência estrangeira sobre a exploração de suas reservas e que a atividade não altera os investimentos do país em biocombustíveis. A empresa aguarda licenças do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis para perfurar outros três poços no mesmo bloco. A leitura de esquerda tratou a descoberta como afirmação de soberania e resultado de investimento público de longo prazo conduzido por uma estatal. A leitura de direita separou o fato econômico da celebração política, apontou o custo do atraso regulatório, com cerca de US$ 1 milhão por dia de sonda, e criticou o uso político do anúncio antes de a estatal saber se o poço é comercialmente viável.
O encontro de 17 de agosto de 2026 em Oiapoque foi a primeira aparição pública conjunta do presidente e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, desde o rompimento provocado pela rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Antes disso, os dois se reuniram três vezes em cerca de dez dias, com mediação de ministros do Supremo. Alcolumbre despachou às comissões três prioridades do Executivo, a PEC do fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública e o marco legal de minerais críticos e terras raras, e agradeceu publicamente ao presidente durante o evento da Petrobras, no primeiro gesto de reconhecimento desde a reaproximação. A leitura de esquerda descreveu o movimento como recomposição da governabilidade em torno de pautas sociais que estavam paradas. A leitura de direita descreveu a cena como barganha, com apoio eleitoral em troca de liberação de pauta legislativa e a Presidência do Senado em 2027 no horizonte, e apontou a mediação de ministros do Supremo como sinal de que o Judiciário arbitra a relação entre os outros dois Poderes.
Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, e o ex-presidente da Câmara Arthur Lira evitaram aderir à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e mantiveram canais abertos com o presidente. Os três atuaram para que a federação União Brasil-PP e o Republicanos adotassem neutralidade nacional, o que esvaziou a coligação montada pelo Partido Liberal, inclusive em estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais. A União Progressista e o Republicanos decidiram permanecer neutros na eleição presidencial e liberar os diretórios estaduais para alianças locais. Segundo a apuração, o cálculo envolve a liderança do presidente nas pesquisas e a disputa pelo comando das duas Casas em 2027. A leitura de esquerda viu no deslocamento a perda de capacidade do bolsonarismo de arrastar as legendas. A leitura de direita descreveu a neutralidade como cálculo por cargos e emendas, e registrou ainda a alegação, atribuída a relato jornalístico, de que o Judiciário teria pressionado o Centrão a não apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Dois processos na Justiça Eleitoral atingiram diretamente a disputa em agosto de 2026. Em 14 de agosto, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, aceitou processar Ação de Investigação Judicial Eleitoral movida pelo partido Novo contra o presidente e o vice-presidente Geraldo Alckmin, apontando abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação por causa do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado em 15 de fevereiro com enredo dedicado à trajetória do presidente. O partido calcula que a agremiação recebeu R$ 9,65 milhões em recursos públicos e pede a cassação dos registros e a inelegibilidade da chapa por oito anos. O despacho admite o processamento por considerar que há elementos mínimos para instrução probatória, não julga a responsabilidade dos investigados e abriu prazo de cinco dias para defesa. No outro caso, o Tribunal Superior Eleitoral determinou, por cinco votos a dois, que Flávio Bolsonaro remova das redes sociais a publicação que associa o presidente ao Primeiro Comando da Capital e ao Comando Vermelho, com prazo de 24 horas também para a plataforma X. A ação foi apresentada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, e a decisão inverteu a análise inicial do relator, o presidente da Corte, Nunes Marques, que havia negado a liminar em 26 de julho e ficou vencido ao lado de André Mendonça.
No registro da candidatura à reeleição, o presidente declarou à Justiça Eleitoral cerca de R$ 4,8 milhões em bens, aproximadamente 35% abaixo dos R$ 7,4 milhões informados quando disputou a Presidência em 2022, diferença de cerca de R$ 2,6 milhões. A maior parte da variação está em planos de previdência privada do tipo VGBL, que caíram de R$ 5,57 milhões concentrados em um único plano para cerca de R$ 3,3 milhões distribuídos em dois. Interlocutores do presidente atribuem a redução à antecipação de parte da herança aos cinco filhos, feita ainda em vida para organizar a sucessão, procedimento previsto em lei que, sozinho, não constitui irregularidade. A cobertura de esquerda leu o dado como ausência de enriquecimento no cargo. A cobertura de direita cobrou explicação em nome próprio, e não por meio de interlocutores, e registrou que a campanha remeteu o assunto à Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que se declarou alheia ao tema. No conjunto da disputa, as declarações entregues em 15 de agosto de 2026 vão de R$ 33 mil, informados por Samara Martins, a R$ 242 milhões, declarados por Augusto Cury, com R$ 178,7 milhões de Romeu Zema, alta de 37,7%, e R$ 52,5 milhões de Ronaldo Caiado, alta de 111%.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou em entrevista coletiva na sede do partido que as denúncias envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência, devem ser investigadas com amplo direito de defesa. Os dois são citados no escândalo de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social, e mensagens trocadas entre Fábio Luís e a lobista Roberta Luchsinger estão sob análise da Polícia Federal. A declaração ocorreu no primeiro dia útil do período oficial de campanha, depois do registro das atas das convenções. A leitura de esquerda tratou a manifestação como recusa a blindar o filho do presidente e classificou a divulgação seletiva de mensagens como vazamento com finalidade eleitoral. A leitura de direita deslocou o foco para o mérito e para a proximidade dos citados com o núcleo do poder, tratando o caso como problema de controle institucional. Veículos de esquerda também registram que a operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União apontou R$ 6,3 bilhões descontados entre 2019 e 2024, período que abrange igualmente o governo de Jair Bolsonaro, enquanto o plano de governo do candidato do Partido Liberal responsabiliza apenas a gestão petista.
Dados da Relação Anual de Informações Sociais, a Rais, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que 57,4% dos 10,1 milhões de vínculos formais criados entre janeiro de 2023 e junho de 2026 foram ocupados por mulheres, 5,8 milhões contra 4,3 milhões de homens. No estoque total de 62,8 milhões de vínculos ativos, elas respondem por 46,4%, ou 29,2 milhões de postos, com participação 2,2 pontos percentuais maior que no início de 2023 e ainda cerca de 4,5 milhões de vínculos a menos que os homens. A leitura de esquerda apresenta o número como redução concreta de desigualdade produzida pela formalização do trabalho. A leitura de direita observa que os 57,4% se referem apenas às vagas novas, e não ao mercado como um todo, aponta que 8 dos 38 ministérios são comandados por mulheres e sustenta que vaga criada resulta de decisão de empresa que contrata, não de anúncio de governo. No campo adversário, Romeu Zema afirmou em conferência do setor financeiro em São Paulo que o governo é 'pró-bilionário' por manter a Selic em 14% ao ano, e prometeu reduzi-la a 6%.
O governo brasileiro notificou os Estados Unidos na quinta-feira, 13 de agosto, e abriu o processo que pode levar à aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica em resposta ao tarifaço do governo de Donald Trump. Nessa primeira fase o Brasil apenas pede consultas diplomáticas: a Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior, a Camex, tem 30 dias, prorrogáveis por mais 30, para produzir relatório sobre o enquadramento do caso, e o Comitê-Executivo de Gestão ganha outros 30 dias, também prorrogáveis, para decidir. Flávio Bolsonaro chamou o presidente de irresponsável no sábado, 15, no Rio de Janeiro, e disse que ele se apequenou no processo e pensa na eleição. Ronaldo Caiado classificou a hipótese de reciprocidade como estupidez em evento em São Paulo na segunda-feira, 17, e afirmou que o Itamaraty virou braço ideológico do governo. A leitura de esquerda trata o acionamento da lei como exercício regular de defesa comercial de um país soberano. A leitura de direita sustenta que responder com tarifas ao maior investidor estrangeiro do país é apostar a economia em uma queda de braço movida por ideologia.
Ana Estela Haddad deixou a Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde para integrar a coordenação da campanha de reeleição em São Paulo. A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União de 17 de agosto de 2026, assinada pela ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior. O convite partiu do advogado Marco Aurélio de Carvalho, fundador do grupo Prerrogativas, e foi negociado com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que aceitou liberá-la. A leitura de esquerda enfatiza que a saída seguiu o rito formal exigido para separar máquina pública e campanha, com negociação, exoneração publicada e desligamento antes da função eleitoral. A leitura de direita trata o caso como porosidade entre governo e campanha e observa que as reportagens não informam quem assume a pasta desocupada.
Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, abriu a disputa em um trio elétrico na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, acompanhado do candidato a vice, Alfredo Gaspar, e da mulher, Fernanda Bolsonaro. Romeu Zema, do Partido Novo, começou em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, com missa, caminhada em mercado e almoço com lideranças locais, e publicou o primeiro vídeo de campanha, produzido com inteligência artificial e sinalizado como tal, em que provoca o presidente. No discurso, Zema apresentou segurança pública, combate à corrupção e corte de gastos como prioridades, prometeu construir um presídio de segurança máxima no Norte do país para líderes de facções e criticou ministros do Supremo Tribunal Federal. Perguntado sobre alianças, disse que estará no segundo turno e que a direita se unirá nessa etapa, como avalia ter ocorrido no Chile. Em paralelo, o Tribunal Superior Eleitoral ampliou as regras para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral.
A corrida presidencial começou entrelaçada a disputas estaduais. Em São Paulo, Fernando Haddad, do PT, não fez ato próprio no primeiro dia e discursou no comício de abertura da campanha presidencial em São Bernardo do Campo, enquanto o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, lançou a candidatura à reeleição em Osasco, com nove prefeitos, três candidatos ao Senado e lideranças dos dez partidos de sua coligação. Essa coligação soma 336 deputados federais, o equivalente a 65% da Câmara, o que deve render ao governador mais que o dobro do tempo de propaganda no rádio e na televisão. No Ceará, Ciro Gomes, do PSDB, chegou ao início oficial da campanha à frente do governador Elmano de Freitas, do PT, em todas as pesquisas divulgadas na semana anterior, com 52% a 33% no Datafolha publicado em 13 de agosto e 49,3% a 44,6% na AtlasIntel dois dias antes. Veículos de esquerda registram que o campo governista aposta na continuidade de políticas sociais e na presença do presidente no estado.
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