O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, afirmou nesta quarta-feira, 30 de setembro, que o senador Flávio Bolsonaro, do PL, seu principal adversário na disputa pelo Palácio do Planalto, não tem biografia e foi eleito no início da carreira com apoio do crime organizado. A declaração foi dada em entrevista a um podcast, a poucos dias do primeiro turno da eleição presidencial.
Até o momento, apenas um veículo cobriu a entrevista, relatando as falas do presidente entre aspas. "Ele não tem biografia. Eu queria que alguém me dissesse o que esse cara tem pra oferecer. Nada, não tem conteúdo", disse Lula. Em seguida, afirmou que Flávio nunca trabalhou na vida e que foi eleito vereador aos 21 anos, já apoiado pelos milicianos do Rio de Janeiro.
A reportagem corrige um ponto da fala. Flávio não começou como vereador: o primeiro cargo público foi o de deputado estadual do Rio, conquistado em 2002, aos 21 anos. As acusações de envolvimento com milícia feitas por opositores remontam a esse período na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Na época, o então deputado empregou em seu gabinete o miliciano Adriano da Nóbrega, apontado como chefe do grupo conhecido como Escritório do Crime e morto em 2020. Flávio também condecorou policiais que, depois, foram condenados por participação em grupos paramilitares.
Na mesma entrevista, Lula voltou a questionar o voto conservador. Disse que, quanto mais graduadas as pessoas, mais conservadoras elas são, e que estranha ver um economista com diploma votar em Jair Bolsonaro. O presidente também ligou a família Bolsonaro ao escândalo do Banco Master. Segundo ele, um deputado recebia dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para sustentar Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que mora nos Estados Unidos. Lula não disse quem seria esse deputado. A referência ao dinheiro do filme diz respeito a Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente.
O contexto eleitoral ajuda a medir o peso das falas. A pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostra Lula à frente no primeiro turno, com 39%, contra 34% de Flávio. Nas simulações de segundo turno, os dois aparecem empatados, com 42% cada.
O que ainda não se sabe é como Flávio Bolsonaro e a campanha do PL vão responder às acusações, já que a única cobertura disponível não registra manifestação do senador. Também não há, até agora, identificação do deputado citado por Lula nem qualquer documento apresentado para sustentar a afirmação sobre o dinheiro de Vorcaro.