A gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é aprovada por 60% dos eleitores paulistas e desaprovada por 34%, segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada em 21 de agosto de 2026. Outros 6% não souberam responder. No levantamento anterior, realizado no início de julho, a aprovação estava em 63% e a desaprovação, em 32%, também com 6% de indefinidos.
O mesmo estudo mediu a avaliação do governo estadual em outra escala. Nela, 42% dos entrevistados consideram a administração ótima ou boa, 31% a classificam como regular e 23% a chamam de ruim ou péssima. Na rodada anterior, os números eram 45%, 32% e 20%, respectivamente, e a fatia dos que não souberam responder passou de 3% para 4%.
A cobertura de centro relatou o resultado no formato de boletim de dados, com ênfase na verificabilidade do estudo. Foram 1.610 entrevistas presenciais, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O levantamento tem registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo SP-01806/2026, custou R$ 185.706,64 e foi pago por dois grupos de comunicação, informação que essa parte da cobertura fez questão de detalhar como critério de transparência.
Já os veículos de direita ancoraram a leitura na comparação com a série anterior, apresentando lado a lado os números de julho e os de agosto, sem adjetivar o movimento. Nessa apresentação, o recuo de 3 pontos na aprovação e a alta de 2 pontos na desaprovação aparecem como oscilação de um governo que segue com o dobro de aprovação em relação à rejeição, num quadro em que quase três em cada quatro eleitores não reprovam a administração. Veículos de esquerda não registraram o levantamento até o momento, e a leitura que costuma vir desse lado, a de que a alta da avaliação ruim ou péssima de 20% para 23% indica desgaste concentrado em algum segmento da população, fica sem cobertura própria e sem checagem nos dados divulgados.
Os dois lados que cobriram o caso convergem no essencial: os percentuais são idênticos em toda a cobertura, assim como a amostra, a margem de erro e o número de registro na Justiça Eleitoral. A divergência é de recorte editorial, não de fato. Uma parte da cobertura priorizou a série histórica e a comparação com julho, deixando de fora o custo e os contratantes do estudo. A outra priorizou metodologia, preço e financiamento, e não apresentou a comparação com o levantamento anterior, o que retira do leitor a única referência disponível para julgar se houve movimento.
Há um ponto em que a cobertura efetivamente se contradiz e que ainda não se sabe: o período de campo. Um dos textos afirma que as entrevistas foram feitas entre os dias 18 e 21 de agosto; o outro registra que foram colhidas entre 18 e 19 de agosto. Nenhuma das versões explica a diferença. Também não se sabe como os números se distribuem por região do estado, renda, escolaridade, faixa etária ou religião, porque nenhum recorte demográfico foi divulgado. Não há, nas matérias, intenção de voto para o governo de São Paulo nem qualquer cenário para a disputa nacional envolvendo o governador. E, como as variações frente a julho estão no limite da margem de erro, não é possível afirmar com esses dois pontos da série se o resultado descreve uma tendência de queda ou uma oscilação estatística.