O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) autorizou, por meio de portarias publicadas em edição extra do Diário Oficial da União na sexta-feira, 3 de julho de 2026, a realização de dois concursos públicos federais: um para a Receita Federal e outro para o Banco Central do Brasil. Juntas, as seleções somam 316 vagas de níveis médio e superior. As portarias foram assinadas pela ministra do MGI, Esther Dweck.
A cobertura de centro relatou que a Receita Federal terá 146 vagas, sendo 116 para Analista Tributário e 30 para Auditor-Fiscal, ambas de nível superior. O Banco Central, por sua vez, receberá 170 vagas: 100 para Auditor, 50 para Técnico e 20 para Procurador. Segundo o MGI, a não publicação do edital dentro do prazo de seis meses implica a perda dos efeitos da portaria. Após a abertura do edital, o intervalo mínimo até a primeira prova é de dois meses. O último concurso da Receita ocorreu em 2022, com 669 vagas, e o do Banco Central em 2024, com 100 vagas para analista.
Um ponto de convergência entre os veículos é que o reforço das equipes acontece em um momento sensível para a fiscalização financeira. Parte da cobertura relatou que o Banco Central pedia inicialmente 560 vagas, quase o triplo do que foi concedido, alegando a necessidade de recompor um quadro reduzido por aposentadorias. A ampliação também é associada ao episódio do Banco Master, que expôs falhas na supervisão bancária e levou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a reforçar sua equipe, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, responsável por um plano de reestruturação do órgão.
Veículos de esquerda destacaram esse reforço como resposta necessária ao desmonte histórico das carreiras de fiscalização, defendendo que mais auditores e técnicos ampliam a capacidade do Estado de proteger poupadores e o sistema financeiro contra fraudes como as atribuídas ao Banco Master, mesmo com a concessão de vagas abaixo do pedido original do BC. Já veículos de direita enfatizaram o caráter meritocrático dos concursos e o questionamento sobre o tamanho do quadro público em meio a debates sobre gastos do governo, associando o episódio à defesa mais ampla de instituições técnicas independentes, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia do Banco Central, já aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e à espera de votação no plenário.
O que ainda não se sabe é a data exata em que os editais serão publicados dentro da janela de seis meses, nem se o Banco Central conseguirá, futuramente, ampliar seu quadro além das 170 vagas hoje autorizadas. Também não há data definida para a votação da PEC da autonomia do Banco Central no plenário do Senado.