A disputa pelo governo de São Paulo em 2026 começou a ganhar contornos definidos e se encaminha para um embate entre dois projetos políticos: o do pré-candidato do PT, Fernando Haddad, e o do atual governador, Tarcísio de Freitas. Em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan, transmitida em 22 de junho de 2026, Haddad afirmou que o estado vive uma deterioração institucional e administrativa e defendeu mais investigação, transparência e debate público antes das eleições. Ao mesmo tempo, o tabuleiro eleitoral paulista passou por um movimento decisivo nos bastidores da direita.
Veículos de esquerda destacaram as críticas de Haddad à gestão estadual. O ex-ministro da Fazenda chamou a privatização da Sabesp de vergonha, afirmando que a água é um serviço essencial demais para ficar nas mãos do que classificou como um fundo especulativo, em referência à Equatorial. Segundo Haddad, o edital teria sido desenhado para favorecer uma única participante, e a prometida redução na conta de água não se confirmou. Ele acusou ainda o governo paulista de pressionar prefeitos a aderir ao modelo da companhia. Outro ponto central da fala foi o programa Propag, de renegociação de dívidas estaduais. Haddad disse que Tarcísio perdeu quase 10 bilhões de reais ao adiar a adesão de São Paulo ao programa, valor próximo ao obtido com a venda da Sabesp, e tratou o episódio como caso de improbidade, lembrando os prefeitos que pedem recursos modestos para obras locais.
A cobertura de centro relatou o lado estratégico da disputa. Nas 48 horas anteriores, Kim Kataguiri, do Missão, e Paulo Serra, do PSDB, retiraram suas pré-candidaturas ao governo do estado e migraram para a disputa pela Câmara dos Deputados. Apurações de bastidor indicam que o recuo não foi espontâneo, mas resultado de articulação de aliados do governador para unificar o campo conservador em torno de Tarcísio. O efeito imediato é a redução da fragmentação de votos à direita e do centro-direita, o que diminui a probabilidade de segundo turno.
É na leitura do peso desse movimento que as coberturas divergem. Veículos de esquerda enfatizaram a substância das acusações de Haddad sobre saneamento, dívida pública e suposta blindagem de irregularidades, e ressaltaram que, entre eleitores de baixa renda, a tendência de voto se inverte em favor do petista. Já a análise de centro enfatizou os números que favorecem o governador: uma sondagem de meados de junho apontava vantagem de 13 pontos de Tarcísio sobre Haddad, e outro levantamento, de maio, registrava 64,4% de aprovação da gestão estadual. Nessa leitura, Haddad teria entrado na corrida por convocação do PT, para garantir a Lula um palanque robusto no maior colégio eleitoral do país, em um cenário considerado adverso.
O que ainda não se sabe é como o governo Tarcísio responderá publicamente às acusações de improbidade e de prejuízo bilionário com o Propag, já que nenhuma das coberturas trouxe o contraditório da gestão estadual. Também permanecem sem detalhamento os institutos e as datas exatas das pesquisas citadas, o número de debates que serão realizados e o desenho final das alianças que cercarão cada candidatura até outubro.