A disputa pelo governo de São Paulo em 2026 começa a tomar forma como um embate direto entre o governador Tarcísio de Freitas e o pré-candidato petista Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda. Em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan, transmitida em 22 de junho de 2026, Haddad acusou a gestão estadual de provocar uma deterioração institucional e administrativa e prometeu investigar contratos caso seja eleito.
Veículos de esquerda destacaram a contundência das críticas de Haddad. Ele classificou a privatização da Sabesp como uma vergonha, por considerar a água um serviço essencial demais para ficar nas mãos de um fundo especulativo, em referência à Equatorial, e afirmou que a prometida redução da conta de água não se confirmou. O ex-ministro também acusou Tarcísio de improbidade ao adiar a adesão de São Paulo ao Propag, programa de renegociação de dívidas estaduais que ele próprio desenhou no Ministério da Fazenda, estimando uma perda de quase R$ 10 bilhões para o estado. Na segurança, prometeu criar um gabinete integrado com Polícia Federal e Ministério Público Federal, sob o argumento de que, quando o Estado se organiza, o crime se desorganiza. Defendeu ainda que crimes de colarinho branco, como no caso do Banco Master e de Daniel Vorcaro, sejam tratados como parte do crime organizado, e justificou a fiscalização de fintechs como combate ao fluxo financeiro de criminosos.
No campo econômico, Haddad rebateu críticas sobre a situação fiscal do governo Lula. Disse que a atual gestão herdou um déficit de quase R$ 200 bilhões, pagou o calote dos precatórios, indenizou governadores e manteve o Bolsa Família dentro da lei, e projetou superávit no orçamento de 2027. Também citou a educação, comparando os 24% de matrícula em tempo integral no ensino médio paulista com os 81% do Piauí.
A cobertura de centro relatou que o tabuleiro eleitoral paulista passou por um movimento estratégico decisivo: a retirada das pré-candidaturas de Kim Kataguiri, do Missão, e Paulo Serra, do PSDB, ambos migrando para a disputa pela Câmara dos Deputados. Segundo fontes de bastidor, o recuo não foi espontâneo e ocorreu após pressão de aliados do governador, unificando o campo conservador em torno de Tarcísio e reduzindo o risco de um segundo turno. A mesma análise registrou que pesquisas de meados de junho apontavam vantagem de 13 pontos do governador sobre Haddad, e um levantamento de maio indicava aprovação de 64,4% à gestão estadual.
É nesse ponto que as coberturas divergem em ênfase. Enquanto veículos de esquerda centram o relato nas denúncias de Haddad e em seu projeto de oposição, a leitura de centro e de bastidor enfatiza o favoritismo consolidado de Tarcísio e sugere que Haddad teria entrado na corrida por convocação do PT, para garantir a Lula um palanque robusto no maior colégio eleitoral do país, independentemente do resultado. Veículos mais à direita tendem a tratar as acusações sobre Sabesp e Propag como retórica eleitoral, defendendo a privatização como ganho de eficiência e universalização. Ainda assim, a análise de centro reconhece uma nuance: entre eleitores de baixa renda, a tendência de voto se inverte, com Haddad à frente, replicando em São Paulo a polarização que deve marcar a disputa nacional.
O que ainda não se sabe é como o governo Tarcísio responderá formalmente às acusações de improbidade e de prejuízo bilionário no Propag, já que a cobertura não trouxe o contraditório da gestão estadual. Também permanecem sem origem nomeada os institutos responsáveis pelas pesquisas citadas, o que limita a aferição do tamanho real da vantagem do governador às vésperas da campanha oficial.