O senador Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico, partido de esquerda aliado ao presidente Gustavo Petro, reconheceu na quarta-feira (24) a derrota no segundo turno da eleição presidencial da Colômbia para o advogado de direita Abelardo de la Espriella. O segundo turno foi realizado no domingo (21), e Espriella saiu vencedor com cerca de 49,65% dos votos, o equivalente a 12.931.544 eleitores, numa das disputas mais apertadas em três décadas no país.
"Decidi aceitar o resultado da eleição, segundo o qual Abelardo de la Espriella é o novo presidente da República", afirmou Cepeda em pronunciamento. Ele descreveu o gesto como um ato de responsabilidade democrática, voltado para a convivência, a paz e o diálogo entre os colombianos. A cobertura de centro relatou que a apuração final da Registradoria Nacional, órgão responsável pelas eleições, diferiu apenas 0,003 ponto percentual da contagem inicial, e que a ONU parabenizou o povo colombiano pela realização do pleito, dizendo que trabalhará com quem for declarado vencedor.
Todos os lados convergem nos números centrais: a diferença foi inferior a um ponto percentual, Cepeda chegou a pedir a revisão de dezenas de milhares de urnas e a contagem final confirmou o resultado inicial. A divergência aparece no enquadramento das denúncias. Veículos de esquerda destacaram que Cepeda condenou o que classificou como interferência estrangeira aberta e inadequada dos Estados Unidos, sob Donald Trump, que havia declarado apoio a Espriella; o senador também afirmou que eleitores foram manipulados por conteúdos produzidos com inteligência artificial e acusou o adversário de uma operação maciça de compra de votos, sem apresentar provas.
Veículos de direita enfatizaram que Espriella venceu prometendo endurecer o combate ao crime e promover a recuperação econômica, e que sua vitória foi reconhecida e celebrada por líderes como Trump, o argentino Javier Milei e o panamenho José Raúl Mulino. Essa cobertura também registrou que Espriella, por sua vez, acusou Cepeda de compra de votos, igualmente sem evidências, e ressaltou que a apuração oficial confirmou o resultado, relativizando as contestações da esquerda.
O que ainda não se sabe é se Cepeda assumirá a vaga no Senado reservada ao segundo colocado na corrida presidencial, detalhe que ele não esclareceu em seu pronunciamento. Tampouco há, até o momento, comprovação das acusações de compra de votos feitas pelos dois lados nem verificação independente das alegações de interferência estrangeira e de manipulação por inteligência artificial.