O senador Iván Cepeda, candidato da esquerda governista colombiana pelo Pacto Histórico, reconheceu nesta quarta-feira a derrota na eleição presidencial para o advogado conservador Abelardo de la Espriella. Em pronunciamento na sede de seu partido, em Bogotá, Cepeda afirmou aceitar o resultado como um ato de responsabilidade democrática, em nome da convivência, da paz e do diálogo entre os colombianos. Com isso, de la Espriella se torna o novo presidente da República.
O segundo turno foi realizado no domingo anterior e produziu uma das disputas mais apertadas das últimas três décadas no país. O vencedor obteve 49,65% dos votos, cerca de 12,9 milhões de eleitores, contra 48,7% do candidato derrotado. A diferença ficou abaixo de um ponto percentual. A cobertura de centro relatou que a Registradoria Nacional, órgão responsável pelas eleições, confirmou a contagem final com variação de apenas 0,003 ponto em relação à apuração inicial, depois de Cepeda ter pedido a revisão de dezenas de milhares de urnas por supostas irregularidades.
Mesmo aceitando o resultado, Cepeda fez acusações graves. Veículos de esquerda destacaram a denúncia do senador de que os Estados Unidos interferiram de forma aberta e inadequada nos assuntos internos da Colômbia, em referência ao apoio declarado do presidente norte-americano ao candidato de direita. Nessa leitura, eleitores teriam sido manipulados por conteúdos produzidos com inteligência artificial, e a campanha adversária teria promovido uma operação maciça de compra de votos, distorcendo a disputa num país soberano.
Veículos de direita enfatizaram outro ângulo. Para essa cobertura, a confirmação quase integral do resultado pela autoridade eleitoral esvazia as alegações de fraude, e a vitória de de la Espriella foi rapidamente reconhecida no exterior. Além do presidente dos Estados Unidos, líderes como o argentino Javier Milei e o panamenho José Raúl Mulino parabenizaram o vencedor, que fez campanha prometendo endurecer o combate ao crime e promover a recuperação econômica. Essa cobertura também registrou que as acusações de compra de votos foram mútuas: o próprio de la Espriella acusou Cepeda da mesma prática, igualmente sem apresentar evidências.
A cobertura de centro tratou os dois lados com paridade, registrando as acusações cruzadas sem endossá-las e lembrando que as Nações Unidas parabenizaram o povo colombiano pela realização do pleito, manifestando disposição de trabalhar com quem fosse declarado vencedor. Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, não esclareceu se assumirá a vaga no Senado destinada ao segundo colocado na corrida presidencial.
O que ainda não se sabe é se as acusações de interferência estrangeira e de compra de votos virão acompanhadas de provas ou de contestação formal, em que consistiria exatamente a alegada manipulação por inteligência artificial e como será a transição de poder entre um governo de esquerda e o futuro mandatário de direita.