O pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado, do PSD, definiu o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, como seu candidato a vice na disputa de 2026. O anúncio oficial está marcado para uma coletiva em Brasília na quarta-feira, dia 1º de julho, às 11 horas, na sede nacional da legenda. Com a decisão, o PSD segue para as eleições presidenciais com uma chapa pura, formada apenas por quadros do próprio partido.
A cobertura de centro, ancorada em reportagens de agência e dos principais jornais, relatou que a escolha encerra semanas de negociações frustradas. Caiado chegou a conversar com o pré-candidato do Novo, Romeu Zema, e o partido tentou atrair o União Brasil e o PP, mas nenhuma aliança avançou. Sem acordo externo, a cúpula do PSD, com apoio de lideranças históricas como Jorge Bornhausen e Heráclito Fortes, defendeu que a vaga de vice ficasse com Kassab, considerado um dos principais articuladores políticos do país. Os veículos de centro também detalharam o quadro nas pesquisas: Caiado aparece entre 3% e 5% das intenções de voto, muito atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 41% a 42%, e do senador Flávio Bolsonaro, com 31% a 34%, segundo levantamentos do Datafolha e da Nexus/BTG.
Um ângulo apurado pela Agência O Globo, reproduzido em vários veículos de centro, revelou o esvaziamento da cerimônia: ao menos quatro dos seis governadores do PSD não devem comparecer ao evento em Brasília. Nomes como Raquel Lyra, em Pernambuco, Mateus Simões, em Minas, Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, no Paraná, alegaram agendas prévias ou licença. Nos bastidores, integrantes do partido reconhecem que as ausências também refletem a dificuldade de Caiado em transformar o apoio formal da legenda em adesão efetiva nos estados, já que boa parte das lideranças mantém alianças regionais com adversários, inclusive com o próprio Lula.
Veículos de esquerda enfatizaram justamente essa fragilidade. Para eles, a chapa pura, montada sem aliados externos e com o dirigente que preside o partido ocupando a vice, expõe a incapacidade da direita de terceira via de se unificar contra Lula. Nessa leitura, com Caiado estagnado em torno de 5%, a composição funciona mais como articulação de bastidores e barganha de capital político para um eventual segundo turno do que como um projeto capaz de mobilizar o eleitorado. A ênfase recai sobre a liderança confortável de Lula nas pesquisas e sobre a dispersão da oposição.
Veículos de direita destacaram o outro lado da moeda. Para essa cobertura, Caiado consolida uma candidatura de direita liberal e conservadora, independente do bolsonarismo, e a entrada de Kassab agrega experiência e poder de articulação em diferentes estados e junto ao empresariado. Esses veículos ressaltaram os indicadores da gestão do ex-governador em Goiás, em segurança pública, contas públicas e agronegócio, como modelo de administração eficiente, e apostaram que o início oficial da campanha, os debates televisivos e o tempo de exposição nacional possam aumentar a competitividade da chapa. Colunas políticas lembraram ainda que Caiado evita atritos com o clã Bolsonaro e se compromete a anistiar o ex-presidente, mirando herdar votos do bolsonarismo caso a candidatura de Flávio se inviabilize.
O que ainda não se sabe é se a chapa pura conseguirá, de fato, reverter o baixo desempenho de Caiado nas pesquisas e reduzir as resistências internas dos governadores do PSD. Também permanece em aberto se o partido manterá conversas com outras siglas até o prazo de registro das candidaturas, em agosto, e qual será o efeito real da experiência de Kassab na articulação de apoios no Congresso e na montagem dos palanques estaduais ao longo da campanha.