Alemanha, França, Itália e Reino Unido divulgaram nesta quinta-feira, 20 de agosto, uma declaração conjunta a partir de Roma pedindo que Israel interrompa imediatamente a expansão de assentamentos na Cisjordânia. O alvo do documento é o projeto conhecido como E1, uma área de cerca de 12 quilômetros quadrados a leste de Jerusalém, entre a cidade e o assentamento israelense de Ma'ale Adumim, onde estão previstas aproximadamente 3.400 moradias. Os governos classificaram como inaceitável a abertura de licitações de construção no âmbito do projeto e afirmaram que a decisão viola o direito internacional. Parte da cobertura registra que o mesmo posicionamento foi assinado também por Noruega e Canadá, somando sete países europeus mais o Canadá.
O argumento central é territorial. Segundo a declaração, a construção no E1 criaria uma divisão na Cisjordânia e prejudicaria a continuidade territorial dos territórios palestinos, comprometendo a perspectiva de uma solução de dois Estados. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, afirmou estar profundamente alarmado e disse que o projeto representa ameaça existencial à formação de um Estado palestino territorialmente contíguo. O Egito também condenou o plano e alertou contra a divisão da Cisjordânia e o isolamento de Jerusalém Oriental. O texto dos governos traz ainda um recado incomum ao setor privado: empresas não devem considerar participar das licitações e precisam estar cientes das consequências jurídicas e reputacionais, incluindo o risco de se tornarem cúmplices de violações graves do direito internacional.
A cobertura de centro concentrou-se na peça diplomática em si, reproduzindo as citações da declaração, a reafirmação de que os assentamentos são ilegais segundo o Conselho de Segurança das Nações Unidas e as reações do Egito e da própria ONU. Veículos de esquerda acrescentaram a camada de dados e de contexto da ocupação: o edital do Ministério da Habitação de Israel cobre mais de 1.200 unidades, cerca de um terço do total do projeto, foi publicado em 18 de agosto e recebe propostas até 19 de outubro, cerca de uma semana antes das eleições israelenses marcadas para 27 de outubro. Essa cobertura descreveu o território como Cisjordânia ocupada, mencionou níveis sem precedentes de violência de colonos israelenses contra civis palestinos e restrições à economia palestina, e citou a organização israelense Peace Now, que acusa o governo de tentar consolidar compromissos de construção antes da votação. Veículos de direita não registraram o caso no material analisado, de modo que o contraponto usual desse campo, a defesa da competência de um governo soberano para decidir política habitacional e de segurança, não aparece na cobertura.
Os dois lados que cobriram convergem no essencial: a licitação existe, foi condenada por governos europeus e pela ONU, e o ponto em disputa é o efeito do E1 sobre a contiguidade territorial palestina. A divergência é de eixo. Enquanto a cobertura de centro trata o episódio como fato diplomático, com a advertência às empresas como novidade do texto, a cobertura de esquerda o trata como etapa de um processo de ocupação, com calendário eleitoral e violência de colonos como parte inseparável do fato.
O que ainda não se sabe é considerável. Nenhuma das reportagens traz resposta do governo israelense, do Ministério da Habitação ou de representantes dos colonos, e nenhuma explica qual justificativa oficial sustenta o projeto. Também não há informação sobre qualquer consequência prática caso Israel siga com o edital, já que a declaração não menciona sanções. As contagens de signatários divergem entre as coberturas, de quatro potências a sete países mais o Canadá, sem que a lista completa seja apresentada. E não se sabe se alguma empresa se apresentou à licitação até agora, nem se o prazo de 19 de outubro será mantido.