O Tribunal Superior Eleitoral divulgou na quinta-feira, 20 de agosto de 2026, a divisão do tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão para a disputa presidencial. A coligação Brasil Pronto para Mais, encabeçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, terá 5 minutos e 31 segundos por bloco. O senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal, terá 4 minutos e 20 segundos. Ronaldo Caiado, do Partido Social Democrático, ficou com 2 minutos e 2 segundos, e Augusto Cury, do Avante, com 35 segundos. A propaganda vai ao ar entre 28 de agosto e 1º de outubro, e o primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
A diferença de 1 minuto e 11 segundos entre os dois primeiros colocados não é decisão discricionária do tribunal. A legislação eleitoral manda dividir 10% do tempo igualmente entre todos os partidos e federações que superaram a cláusula de desempenho e distribuir os 90% restantes conforme o tamanho das bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados. A coligação do presidente reúne o Partido Socialista Brasileiro, o Partido Democrático Trabalhista, a Federação Brasil da Esperança e a federação formada por Partido Socialismo e Liberdade e Rede, somando 127 deputados. O Partido Liberal tem 98 deputados, a maior bancada isolada da disputa, mas concorreu sem aliados. Dos 13 candidatos registrados, apenas 4 atingiram os critérios; Romeu Zema, Renan Santos e Pablo Marçal estão entre os que ficaram de fora. Nas inserções de 30 segundos ao longo dos 35 dias de campanha, a coligação petista terá 433 e o Partido Liberal, 339.
A cobertura de centro se concentrou nesse desenho institucional. Descreveu a mecânica dos blocos de 12 minutos e 30 segundos, o sorteio que colocou o Avante na abertura do primeiro dia, seguido por Partido Social Democrático, Partido Liberal e coligação, e a base legal da Emenda Constitucional 97, de 2017. Também recuperou a série histórica: desde 1994, cinco dos oito candidatos com maior tempo de propaganda venceram a eleição presidencial, mas em 2018 o vencedor dispunha de apenas 8 segundos por bloco, o que relativiza o peso do indicador.
Veículos de esquerda leram o resultado como consequência de articulação política e o encaixaram numa disputa mais ampla. Nessa cobertura, a eleição de 2026 opõe um projeto de proteção social e soberania nacional a uma candidatura descrita como herdeira do bolsonarismo e alinhada a interesses externos. O mesmo campo destacou a pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto, que mostra o presidente com 47% contra 43% do senador em simulação de segundo turno, e apontou que a rejeição do candidato do Partido Liberal, de 46%, superou a do presidente, de 45%, contrariando a principal aposta da campanha adversária. Outro alvo foi o programa econômico da candidatura de oposição: a fala da coordenadora Daniella Marques, para quem o fim da escala seis por um é populismo e a jornada deve ser negociada entre patrão e empregado sem interferência do Estado, foi tratada como sinal de desproteção do trabalhador.
Veículos de direita enfatizaram o caráter objetivo da regra e o mérito da decisão estratégica. Nessa chave, a maior fatia do presidente decorre do tamanho da aliança e não de favorecimento, e a campanha do senador aceitou perder tempo de televisão ao correr isolada. Essa cobertura também sublinhou que a propaganda chamada de gratuita não é gratuita para o Estado, já que as emissoras recebem compensação fiscal e o custo recai sobre o contribuinte pela renúncia de receita da União, e que a distância entre os dois primeiros no segundo turno está no limite da margem de erro.
Em paralelo, a cobertura de centro registrou dois movimentos que devem alimentar os programas eleitorais. De um lado, o desgaste do presidente com as revelações que envolvem seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, um ex-chefe de gabinete da Presidência e uma lobista, tema de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal, com depoimento à Polícia Federal ainda não marcado. De outro, o interesse do Partido dos Trabalhadores em explorar os 61 milhões de reais aportados pelo banqueiro Daniel Vorcaro num filme sobre Jair Bolsonaro, recurso pedido pelo próprio senador e hoje sob apuração.