Lula defende aumento de pena para feminicídio: 'o cidadão que bater na mulher vai ter que ser punido'
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Em evento no Rio Grande do Norte ao lado da governadora Fátima Bezerra (PT), o presidente Lula defendeu o aumento da pena para o crime de feminicídio e o endurecimento da punição a agressores, citando o Pacto contra o Feminicídio conduzido pela primeira-dama Janja. A fala ocorreu um dia após Flávio Bolsonaro (PL) enfrentar desgaste com o público feminino em meio à crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Lula adotou um discurso punitivista, historicamente associado à direita, ao defender aumento de pena para feminicídio justamente quando seu principal adversário, Flávio Bolsonaro, enfrenta desgaste com o eleitorado feminino.
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
Todos os veículos relatam que Lula defendeu aumento de pena para feminicídio em evento no Rio Grande do Norte e que a fala ocorreu no mesmo período em que Flávio Bolsonaro enfrenta desgaste com o eleitorado feminino após crise com Michelle Bolsonaro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quinta-feira, o aumento da pena para o crime de feminicídio e o endurecimento das punições contra agressores de mulheres. A declaração foi feita durante evento no Rio Grande do Norte, ao lado da governadora Fátima Bezerra, na inauguração de uma obra de transposição de águas do rio São Francisco. Lula citou o Pacto contra o Feminicídio, iniciativa conduzida pela primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e disse ser preciso ser duro com quem comete violência.
Nas palavras do presidente, o agressor terá de ser punido, usar tornozeleira eletrônica e, se a vítima quiser, ficar proibido de se aproximar dela. Lula também defendeu aumentar a pena para quem mata mulher, e mencionou casos extremos de violência doméstica para justificar a proposta. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública citados na cobertura, o Brasil registrou 399 vítimas de feminicídio no primeiro trimestre de 2026, o equivalente a uma mulher morta a cada cinco horas e vinte e cinco minutos.
A cobertura de centro, como a do G1, relatou a fala de forma factual, reproduzindo as aspas do presidente, apresentando os dados oficiais e contextualizando o momento político. Todos os veículos convergem em um ponto: a declaração ocorreu um dia depois de Flávio Bolsonaro, principal adversário na disputa presidencial, participar de um encontro com mulheres do PL, em meio à crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que afirmou ter se sentido desrespeitada pelo senador. Flávio também repudiou a fala do youtuber Paulo Figueiredo, que dissera que 'mulher vota muito mal'.
É na leitura desse contexto que as coberturas divergem. Veículos de esquerda tendem a enfatizar o mérito da política pública e a urgência dos números, apresentando o Estado como garantidor da proteção às mulheres diante de uma violência estrutural, e contrastando a pauta com o desgaste do campo adversário por falas machistas. Já veículos de direita e de mercado, como o InfoMoney, enfatizaram o cálculo eleitoral: descreveram a fala como um 'discurso punitivista usualmente associado com políticos de direita', apropriado por Lula justamente quando Flávio perde apoio entre as mulheres. Essa cobertura também destacou que o presidente reconheceu que só poderia inaugurar obras até 4 de julho por causa da lei eleitoral, e que misturou a pauta com cobranças de propaganda do programa Brasil Sorridente e falas sobre a 'elite' e os mais pobres.
O que ainda não se sabe é se a proposta de aumento de pena se traduzirá em projeto de lei concreto, qual seria seu texto e tramitação no Congresso, e em que medida o endurecimento penal teria efeito real sobre os índices de feminicídio, ponto que nenhuma das reportagens do cluster examina com dados.
Fala ocorre enquanto Flávio Bolsonaro (PL) se desgasta com mulheres após crise com Michelle Bolsonaro.

Fala ocorre enquanto Flávio Bolsonaro (PL) se desgasta com mulheres após crise com Michelle Bolsonaro.

Presidente citou o Pacto contra o Feminicídio, discussão ainda em andamento no governo e que promete endurecer pena para agressores e assassinos
