Lula diz que Trump reconheceu que tarifaço ao Brasil foi baseado "na mentira"
1 veículo de esquerda · 10 veículos de centro · 1 veículo de direita

Usamos identificadores pseudônimos para operar e melhorar o serviço. Aceitar habilita medições opcionais.Medimos audiência e uso com identificadores pseudônimos, em infraestrutura própria, para operar e melhorar o serviço (legítimo interesse). Aceitar habilita também analytics opcionais de terceiros, mapa de calor e medição de anúncios. Consulte nossa Política de Cookies.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou a Donald Trump na manhã de 21 de agosto, em conversa de uma hora e vinte minutos dividida em três blocos: comércio, crime organizado e conflitos internacionais. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Lula classificou como infundadas as alegações que motivaram as tarifas americanas e Trump propôs que as equipes voltassem a se reunir. Horas depois, em ato de campanha em Belo Horizonte, Lula afirmou que o americano reconheceu que a taxação foi feita com base na mentira. A nota oficial não registra esse reconhecimento. O ministro Márcio Elias Rosa confirmou reunião por vídeo com o representante comercial americano Jamieson Greer na semana seguinte.
A leitura de esquerda vê no telefonema a confirmação de que a pressão tarifária dos Estados Unidos sobre o Brasil se apoiava em acusações falsas e de que o enfrentamento firme, e não a submissão, é o que reabre a mesa de negociação.
A leitura de direita separa o gesto diplomático do resultado concreto: nenhuma tarifa foi retirada, as alíquotas de 25% e 12,5% continuam valendo e o próprio governo admite que não haverá reversão no curto prazo.
12 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: falácia identificada.
Veículos com viés ao centro
Análise não disponível para esta matéria.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Todas as coberturas registram que a ligação partiu de Lula, durou cerca de uma hora e vinte minutos, foi descrita como cordial pela Presidência e resultou no agendamento de uma reunião entre o ministro Márcio Elias Rosa e o representante comercial americano Jamieson Greer. Há convergência também em que nenhuma tarifa foi retirada e em que Lula rejeitou a designação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas.
O telefonema de uma hora e vinte minutos entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump reabriu o canal comercial entre Brasil e Estados Unidos, mas não retirou nenhuma tarifa. Compare como a cobertura tratou o relato de que o americano teria admitido que a taxação partiu de acusações falsas e o que a nota oficial da Presidência efetivamente registra.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na manhã de sexta-feira, 21 de agosto. Foi a primeira conversa direta entre os dois desde a entrada em vigor da sobretaxa americana de 25% sobre parte das exportações brasileiras, anunciada em 15 de julho. Segundo o Palácio do Planalto, a ligação partiu do lado brasileiro, durou uma hora e vinte minutos e transcorreu em tom descrito pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência como amistoso e cordial. A conversa foi organizada em três blocos, nesta ordem: comércio, combate ao crime organizado e conflitos internacionais.
Na parte comercial, o presidente brasileiro afirmou que as alegações usadas para justificar as tarifas, entre elas desmatamento, propriedade intelectual, Pix, etanol e importações de produtos feitos com trabalho forçado, são infundadas. O americano, de acordo com a nota oficial, concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que as equipes voltassem a se reunir o mais rápido possível. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, confirmou que o representante comercial americano, Jamieson Greer, o procurou logo depois da ligação e que os dois marcaram uma reunião por vídeo para a semana seguinte.
Horas mais tarde, num ato de campanha na Praça da Estação, em Belo Horizonte, Lula deu a versão que dominou a cobertura: disse ter afirmado a Trump que a taxação é irreal e foi feita com base na mentira, e que o americano reconheceu o argumento. A cobertura de centro relatou o episódio com atribuição explícita ao presidente brasileiro e registrou o descompasso entre esse relato e a nota oficial, que não menciona qualquer admissão de erro. Apuração de bastidor com fontes que acompanharam a ligação indica que Trump não rebateu as críticas ao tarifaço, respondeu de forma genérica e propôs a negociação, e que o governo brasileiro não espera reversão das alíquotas no curto prazo.
Os relatos convergem em outros dois pontos. No bloco de segurança, Lula ofereceu cooperação contra o crime organizado, mas rejeitou que o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho sejam tratados como organizações terroristas, citando a apreensão de cerca de R$ 17 bilhões e o plano de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima. No bloco geopolítico, os dois trataram das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, e o brasileiro propôs uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Foi também o americano quem abriu a conversa perguntando sobre a eleição de outubro, ao que Lula respondeu afirmando a confiabilidade do sistema de votação, sem réplica do outro lado.
A divergência de enquadramento aparece no que cada cobertura escolhe iluminar. Veículos de esquerda organizaram a matéria em torno da soberania: destacaram a frase de que o Brasil quer trabalhar junto, mas não aceita interferência, e trataram a contestação das acusações de desmatamento e trabalho escravo como demonstração de que o enfrentamento firme funciona. A cobertura de centro ficou no perímetro documental, com as duas alíquotas, a base legal americana, o alcance de US$ 5,8 bilhões em exportações atingidas e a ressalva de que nada foi revertido. Veículos de direita não produziram cobertura própria deste telefonema no conjunto analisado, e a ausência é ela mesma um dado: o ângulo que costuma sustentar essa leitura, o de que o tarifaço segue integralmente em vigor, que a admissão atribuída ao americano não tem confirmação e que a bandeira da soberania está sendo usada em palanque a semanas do pleito, aparece apenas de forma lateral nas matérias de centro, que citam pesquisador avaliando o uso eleitoral do tema e registram que o processo de reciprocidade aberto pelo Itamaraty em 14 de agosto não foi mencionado por nenhum dos presidentes.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há versão americana pública sobre a conversa, nem confirmação de que Trump tenha reconhecido erro nas justificativas da taxação. Não foram divulgados data, formato ou agenda da reunião entre os negociadores além da menção genérica à semana seguinte. Também não está definido se o Brasil dará seguimento ao processo de reciprocidade, o que aconteceria com as alíquotas em caso de acordo e se a ala do Departamento de Estado, apontada na cobertura como mais próxima da família Bolsonaro, seguirá tratando a eleição brasileira como tema aberto.
Em ato de campanha em Belo Horizonte, Lula relatou telefonema de 1h20 com Trump, que tratou de tarifas e outros temas.

Em conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (21), o presidente dos Estados Unidos,

Presidente brasileiro declarou que o mandatário americano admitiu que basear sobretaxa em trabalho escravo e desmatamento é incorreto


Ele ainda destacou que Brasil não aceitará interferência americana e sugeriu ao americano "um trago" com os presidentes da Rússia e da China para resolver as guerras globais

BELO HORIZONTE — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou o ato eleitoral realizado na noite desta sexta-feira (21), em Belo Horizonte, para

Lula disse que está disposto a cooperar no combate ao crime organizado, mas sem interferência externa

Tema, segundo fontes, foi levantado pelo próprio americano no início da conversa, que durou 1h20, como uma forma de dar início ao telefonema

Conversa durou uma hora e vinte minutos e "abordou temas do relacionamento bilateral e da agenda global", segundo o Planalto

Estados Unidos aplicaram duas taxas sobre o Brasil: de 25% e de 12,5%

Conversa por telefone entre os presidentes do Brasil e Estados Unidos durou mais de uma hora. Eles abordaram emas do relacionamento bilateral e da agenda global

Autoridades brasileiras e norte-americanas se reúnem já na próxima semana para tratar de taxas
