A nova líder do governo no Senado, a senadora Teresa Leitão (PT-PE), deve se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira, 29 de junho, com uma missão clara: alinhar as prioridades da liderança e tentar destravar a tramitação de propostas consideradas estratégicas para o Planalto. No centro da agenda está a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, em que o empregado cumpre seis dias de jornada para um de folga.
A cobertura de centro relatou que Teresa Leitão assume o posto em meio a uma relação estremecida entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O atrito se aprofundou após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, episódio que levou Lula a resistir a uma conversa reservada com o comandante da Casa. Veículos de direita enfatizaram que a própria indicação de Teresa ocorreu logo depois da saída de Jaques Wagner da liderança, alvo de uma operação da Polícia Federal por suspeita de favorecer interesses do Banco Master, de Daniel Vorcaro, no Congresso. Segundo essa cobertura, aliados temiam que o caso contaminasse a campanha de reeleição do presidente.
Todos os lados convergem sobre o calendário da semana. Alcolumbre sinaliza que considera uma conversa direta com Lula fundamental para dar andamento à proposta, e integrantes do governo avaliam que a pauta da jornada de trabalho pode servir como ponte de reaproximação entre os dois. Na quarta-feira, dia 1º, o presidente do Senado se reunirá com os autores do fim da escala 6x1, a deputada Erika Hilton (PSOL) e o deputado Reginaldo Lopes (PT), além de representantes das centrais sindicais e da própria Teresa Leitão. No mesmo dia está prevista uma audiência pública sobre o tema. A relatoria da matéria segue indefinida: cerca de 15 nomes chegaram à mesa de Alcolumbre, com Omar Aziz (PSD) ainda cotado, enquanto Rodrigo Pacheco (PSD) já deixou claro que não pretende assumir.
É na leitura política que as ênfases divergem. Veículos de esquerda destacaram a dimensão de direitos: o fim da escala 6x1 é tratado como conquista do movimento sindical e dos trabalhadores, com as centrais ganhando assento nas negociações e a audiência pública abrindo espaço à sociedade civil. Veículos de direita enfatizaram o cálculo eleitoral e o desgaste do governo, apontando que a mobilização ocorre num ano de campanha tradicionalmente esvaziado a partir de agosto e que a reaproximação envolve barganha política em torno de cargos e da relatoria.
O que ainda não se sabe é o desfecho da reunião entre Lula e Alcolumbre, quem assumirá a relatoria da proposta e em que prazo a PEC pode efetivamente avançar. Também não está detalhado, na cobertura disponível, o mérito da mudança de jornada nem os argumentos do setor produtivo sobre o impacto do fim da escala 6x1 nas empresas.