
Lula caminha no bairro da Liberdade e promete chip e terra rara na Bahia
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na tarde de 28 de agosto, de uma caminhada na Ladeira da Liberdade, em Salvador, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, candidato à reeleição, e dos candidatos ao Senado Rui Costa e Jaques Wagner. No discurso, apresentou números de gestão federal na Bahia em educação e saúde, anunciou acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para votar o marco legal das terras raras, o Redata, e defendeu que o país passe a produzir chips, baterias e carros a partir de minerais críticos. Também citou a redução da fila do INSS e uma futura política nacional para idosos. A visita à capital incluiu anúncios de expansão do metrô, obras do VLT e R$ 338 milhões para contenção de encostas e macrodrenagem. Uma pesquisa citada ao fim da cobertura aponta ACM Neto à frente do governador por 8,5 pontos na disputa estadual.
Esquerda
A escolha do bairro da Liberdade, descrito como o mais negro fora da África e berço do bloco afro Ilê Ayê, é lida como o centro político do ato: em vez do comício no centro da capital, o presidente foi ao território que sustenta eleitoralmente o campo progressista na Bahia desde 2006.
Centro
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Direita
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1 fonte política
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O texto adota o vocabulário e a moldura do campo progressista: fala em chão preto de Salvador, resistência, racismo estrutural e projeto de país, e trata a caminhada como afirmação simbólica de um eleitorado historicamente excluído. Frases como o governo que investe na base é o que economiza na ponta e a caracterização do bairro como oposto do Brasil que a extrema direita quer vender são juízo do redator, não atribuição. A prestação de contas é organizada a favor do balanço oficial, sem contraditório.
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Lula trocou o comício no centro de Salvador por uma caminhada no bairro da Liberdade, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues e dos candidatos ao Senado Rui Costa e Jaques Wagner. No ato, fez balanço da gestão federal na Bahia e apresentou a aposta industrial de um eventual quarto mandato: terras raras e minerais críticos transformados em chips e baterias dentro do país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu a Ladeira da Liberdade, em Salvador, na tarde de sexta-feira, 28 de agosto, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, candidato à reeleição, e dos candidatos ao Senado Rui Costa e Jaques Wagner. O bairro da Liberdade, descrito no ato como o mais negro fora da África e berço do bloco afro Ilê Ayê, foi apresentado pelo próprio presidente como escolha inédita: segundo ele, é a primeira vez que um chefe de Estado troca o comício no centro da capital baiana por uma caminhada naquele território.
O discurso teve duas metades. Na primeira, o presidente fez balanço de gestão com números. Disse que 20 dos 24 campi universitários da Bahia vieram de parcerias firmadas em governos que liderou, citou 715 mil alunos baianos no Pé-de-Meia e afirmou que 38 dos 47 institutos federais do estado foram criados em seus mandatos e no de Dilma Rousseff. Na saúde, mencionou alta de 28% nas cirurgias eletivas, 1,3 milhão de teleconsultas e 71,9 milhões de exames. Para fechar o argumento, comparou o custo mensal de um preso em unidade de segurança máxima, que estimou em R$ 40 mil, ao custo anual de um estudante de instituto federal, que estimou em R$ 15 mil, e sustentou que investir em educação sai mais barato que investir em repressão.
Na segunda metade, apresentou a aposta industrial de um eventual quarto mandato: transformar minerais críticos e terras raras em chips, baterias, celulares e carros produzidos no país. Anunciou ter acertado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a votação do marco legal das terras raras, o Redata, que segundo ele destravaria R$ 500 bilhões em investimentos, e defendeu que a Petrobras deixe de ser apenas uma empresa de petróleo para se tornar uma empresa de energia capaz de atrair data centers. Somaram-se dois anúncios de efeito imediato: a fila do INSS, que ele disse ter recebido com 3 milhões de pedidos e projeta anunciar em 151 mil, e uma política nacional para idosos com centros de referência de convívio, estudo e lazer. A passagem pela capital também marcou a expansão do metrô, as obras do VLT e R$ 338 milhões destinados a contenção de encostas e macrodrenagem.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o ato de forma substantiva, e o fez com enquadramento identificado ao campo da esquerda: o texto trata a caminhada como afirmação simbólica em território negro e popular, organiza os dados como prestação de contas e descreve o bairro como o oposto do Brasil que atribui à extrema direita. Não há, no material disponível, cobertura de centro nem de direita sobre o mesmo evento, de modo que não é possível contrastar enquadramentos concorrentes. O contraponto que a própria matéria registra é a disputa em curso: uma pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, citada ao fim do texto, mostra o governador crescendo 1,4 ponto e reduzindo para 8,5 pontos a vantagem de ACM Neto na corrida estadual, enquanto Rui Costa e Jaques Wagner aparecem à frente na disputa pelo Senado. O presidente encerrou pedindo esforço para os 36 dias restantes de campanha.
O que ainda não se sabe é o essencial da verificação. Nenhum dos números apresentados no palanque foi conferido de forma independente na cobertura disponível. Não há data marcada para a votação do marco legal das terras raras no Senado, nem detalhamento de como os R$ 500 bilhões seriam mobilizados, por quais empresas e em que prazo. A política nacional para idosos foi anunciada sem desenho, fonte de custeio ou cronograma. E a pesquisa mencionada aparece sem data de campo, margem de erro, contratante ou número de registro, o que impede aferir o estado real da disputa na Bahia.

Presidente caminha por bairro símbolo da negritude baiana, faz balanço de obras na Bahia e anuncia aposta em minerais críticos e inteligência artificial