O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá, na próxima semana, uma agenda dividida entre compromissos internacionais e viagens pelo Nordeste, no último período antes da entrada em vigor das restrições impostas pela legislação eleitoral. A cobertura de centro relatou que, na terça-feira (30), Lula participa da Cúpula do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, e que, de volta ao Brasil, segue para a Bahia para cumprir agendas ligadas às comemorações do 2 de Julho, data que marca a Independência do estado.
No encontro do bloco, segundo os veículos, o Brasil deve anunciar um aumento da contribuição ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul, o Focem, mecanismo financeiro criado para reduzir as desigualdades entre os países-membros por meio de obras de infraestrutura, saneamento, habitação, energia e projetos sociais. A pauta da cúpula também prevê a assinatura de acordo que reconhece a nova Carteira de Identidade Nacional como documento válido para ingresso nos países do bloco, além de um protocolo de reconhecimento mútuo de sistemas de identificação digital.
Veículos de esquerda destacaram a dimensão de integração regional e proteção social da viagem. A cobertura reproduziu falas do Itamaraty, segundo as quais o Mercosul reúne cerca de 65% da população e 70% do PIB da América do Sul, e que o comércio dentro do bloco cresceu onze vezes, chegando a 51 bilhões de dólares no ano passado. Esses veículos também ressaltaram que o governo brasileiro apresentará uma proposta de pacto regional de combate ao feminicídio e à violência contra as mulheres, e enquadraram a ampliação do Focem como compromisso com a redução de desigualdades e o desenvolvimento regional.
Veículos de direita enfatizaram outro ângulo: o calendário eleitoral. A partir de 4 de julho, três meses antes do primeiro turno, passam a valer regras que limitam a publicidade institucional, inaugurações com promoção pessoal e anúncios de ações governamentais capazes de influenciar o eleitorado. Nesse enquadramento, ganha peso o fato de que, nos últimos quinze dias, Lula intensificou as agendas públicas e concentrou anúncios nos quatro maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. A Bahia, lembrada como um dos maiores colégios eleitorais e reduto estratégico do presidente, é apresentada sob a chave da estratégia eleitoral. Esses veículos também recordaram que a viagem ocorre em meio ao desgaste causado pela saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado, após o senador ser alvo de operação da Polícia Federal relacionada ao chamado caso Master.
Na Bahia, conforme a cobertura, Lula deve visitar o Hospital Regional de Alagoinhas e participar da entrega de veículos do Ministério da Saúde, além de comparecer à reabertura da sala principal do Teatro Castro Alves, em Salvador. Os compromissos combinam entrega de serviços públicos em saúde e cultura com forte presença em um território eleitoralmente sensível.
O que ainda não se sabe é o valor exato do aumento da contribuição brasileira ao Focem e o detalhamento dos efeitos práticos dos acordos de identidade digital e do pacto contra o feminicídio. Também permanece em aberto como a Justiça Eleitoral e os adversários do presidente avaliarão a concentração de anúncios e inaugurações realizada nos dias que antecedem o início das restrições legais.