Lula no G7: Brasil emplaca pauta multilateral e acorda data para negociação do acordo Mercosul-Japão
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Durante a cúpula do G7 na França, o presidente Lula reuniu-se com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e sinalizou que o Mercosul e o Japão podem oficializar o início das negociações de um acordo de livre comércio em 30 de junho, na cúpula do bloco em Assunção, no Paraguai. À tarde, Lula tinha encontro marcado com lideranças da União Europeia para tratar do veto à carne bovina brasileira.
A passagem de Lula pelo G7 é apresentada como vitória da diplomacia brasileira: o país, mesmo como convidado, emplaca a pauta multilateral e avança em parcerias que diversificam o comércio para além da dependência de potências hegemônicas.
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Todos os lados reconhecem que Lula sinalizou, à margem do G7, o início das negociações de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Japão, com possível anúncio formal em 30 de junho no Paraguai, e que o movimento japonês foi impulsionado pelas restrições comerciais de Trump.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou como convidado da cúpula do G7, na França, e usou a passagem para avançar a agenda comercial do Brasil. Na manhã de 16 de junho, em reunião bilateral com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, Lula afirmou esperar que o Mercosul e o Japão oficializem o início das negociações de um acordo de livre comércio na cúpula do bloco sul-americano, marcada para 30 de junho em Assunção, no Paraguai. "Eu fico muito feliz com essa perspectiva virtuosa de um acordo Japão-Mercosul. Espero que na próxima reunião do Mercosul, no dia 30 de junho, a gente possa ter boas notícias", disse o presidente ao lado de Takaichi.
A cobertura de centro relatou os fatos com sobriedade. Veículos como CNN Brasil, Folha e Metrópoles registraram a declaração de Lula, a data prevista e o pano de fundo geoeconômico: o Palácio do Planalto avalia que o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem incentivado países a buscar parceiros alternativos. A Folha acrescentou que o Japão acelerou a aproximação com o Mercosul também por causa das limitações chinesas às exportações de terras raras, e lembrou que, em dezembro de 2025, os dois lados firmaram um Marco de Parceria Estratégica cobrindo comércio, investimento e transição energética. O Mercosul é um dos poucos grandes mercados globais com os quais o Japão ainda não tem acordo. A pauta bilateral também envolve a venda de petróleo brasileiro ao país asiático, com a Petrobras já em conversas com Tóquio.
Veículos de esquerda destacaram a dimensão política da viagem. A Revista Fórum apresentou a agenda de Lula como "altamente positiva" e creditou ao presidente "total autoridade política" para liderar o debate sobre multilateralismo e cooperação para o desenvolvimento, em contraposição às tendências de isolacionismo global. Nesse enquadramento, o Brasil também levaria ao G7 sua proposta de proteção online de crianças, baseada no Estatuto da Criança e do Adolescente, o chamado ECA Digital, e o distanciamento entre Lula e Trump apareceria como sinal de rejeição ao protecionismo de Washington, já que a diplomacia brasileira descarta uma reunião bilateral entre os dois.
Veículos de direita e a cobertura de mercado tenderam a enfatizar os ganhos econômicos concretos e a responsabilidade do próprio governo na crise paralela com a Europa. Para esse ângulo, o valor da negociação está em abrir mercado para exportadores e ampliar a competitividade do agronegócio, e não na retórica multilateral. O ponto de maior contraste entre as coberturas é o veto da União Europeia à carne bovina e a outros produtos de origem animal brasileiros. Enquanto a Fórum tratou a restrição como "barreira comercial" a ser revertida, o Metrópoles explicitou a causa técnica: o governo brasileiro não enviou à Comissão Europeia, dentro do prazo, as evidências sobre o controle de medicamentos usados no tratamento de animais. A restrição foi formalizada em 5 de junho e tem previsão para entrar em vigor em 5 de setembro. À tarde, Lula tinha encontro marcado com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, com a meta de destravar essa pauta.
O que ainda não se sabe é o desfecho. O acordo Mercosul-Japão segue como sinalização, não como fato consumado: o anúncio formal depende da cúpula de 30 de junho no Paraguai. Tampouco há definição sobre a reversão do veto europeu à carne, que dependerá das tratativas com Bruxelas e do envio das evidências técnicas pendentes antes do prazo de setembro.
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