Malafaia critica escolha de vice de Flávio Bolsonaro e defende outro nome para o posto
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O senador Flávio Bolsonaro anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar como candidato a vice na chapa presidencial do PL, em decisão fechada no último dia do prazo das convenções e restrita a três integrantes da cúpula da campanha. A escolha veio depois do fracasso das negociações com partidos do Centrão e provocou crítica pública do pastor Silas Malafaia, principal liderança religiosa aliada, que defendia uma mulher no posto.
A oposição fechou chapa com um ex-promotor e secretário de Segurança Pública que ganhou projeção como relator da CPI do INSS, colocando o combate à corrupção e a segurança no centro da campanha presidencial. A escolha foi limitada pela recusa de partidos do Centrão em aderir, e a crítica pública de um aliado influente sobre a falta de uma mulher na chapa mostra que a disputa interna segue aberta.
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Como decidimos →Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Toda a cobertura converge em três pontos: a escolha do vice foi decidida em sigilo por um núcleo pequeno da campanha, no limite do prazo das convenções; o nome só entrou em cena depois que partidos do Centrão recusaram aderir à chapa; e a atuação do escolhido como relator da comissão que investigou as fraudes do INSS foi o principal fator a seu favor.
O senador Flávio Bolsonaro fechou a chapa presidencial do PL com o deputado federal Alfredo Gaspar, de Alagoas, como candidato a vice. O anúncio ocorreu em 5 de agosto de 2026, no último dia do prazo das convenções partidárias, e foi resultado de uma articulação mantida sob sigilo e restrita a três integrantes da cúpula da campanha: o próprio candidato, o presidente do partido e o coordenador da campanha. Segundo aliados, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi consultado e deu aval ao nome. Poucas horas depois, o pastor Silas Malafaia, principal liderança religiosa que apoia a candidatura, criticou publicamente a escolha e disse que o posto deveria ter ficado com uma mulher.
A cobertura de centro relatou a cronologia em detalhe e mostrou o improviso da decisão. Na terça-feira, Gaspar havia sido oficializado pelo partido como candidato ao Senado por Alagoas. Menos de 24 horas depois, abandonou o projeto estadual, comprou passagem de última hora para Brasília e foi apresentado como companheiro de chapa em um evento montado da noite para o dia. Na véspera, durante sabatina promovida por uma empresa de educação executiva em parceria com um portal de notícias, o senador havia dito que poderia deixar a definição do vice para o dia 15, mas a equipe jurídica alertou para o risco de judicialização caso o nome não fosse formalizado dentro do prazo das convenções.
Há convergência sobre o que estreitou o leque de opções. As tentativas de atrair partidos do Centrão fracassaram: a primeira escolhida não foi autorizada porque sua legenda optou pela neutralidade, e a segunda ficou inviabilizada depois que, dos 27 diretórios estaduais consultados por seu partido, 17 defenderam não apoiar ninguém, nove defenderam o senador e um defendeu o presidente. Outra legenda sondada também recusou aderir formalmente. Sem incorporar um novo partido, a chapa deve ficar com cerca de 4 minutos e 20 segundos por bloco no horário eleitoral, contra aproximadamente 5 minutos e 32 segundos da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Todos os relatos também registram o mesmo ativo político do escolhido: ex-promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública, ganhou projeção nacional como relator da comissão parlamentar que investigou fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.
A divergência está no enquadramento desse ativo. Veículos de direita enfatizaram a hipótese, atribuída a um colunista e a fontes não identificadas do núcleo da campanha, de que o relator teria guardado informações sigilosas de investigações envolvendo pessoas do entorno do presidente, material que poderia ser explorado na disputa. Nessa leitura, o combate à corrupção e a pauta de segurança pública são o eixo da candidatura, e a escolha ajudaria a atacar o adversário no ponto mais sensível. Na mesma linha, a cobertura registrou a acusação do senador de que houve interferência do presidente nas investigações da Polícia Federal contra o próprio filho, além da promessa de anistiar o pai e todos os envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Já a cobertura de centro tratou a escolha como saída de emergência depois das portas fechadas pelo Centrão, e destacou o custo interno: a negociação passou meses concentrada em encontrar uma mulher, e duas das cotadas apareceram no palco do anúncio de um homem. Veículos de esquerda não cobriram o episódio até o momento, de modo que a crítica ao caráter fechado da decisão apareceu principalmente pela boca de um aliado, o pastor que defendeu a indicação de uma deputada nordestina e lembrou que nenhuma das principais candidaturas tem mulher na vice.
O que ainda não se sabe é decisivo. Não há documento público que sustente a alegação sobre a guarda de material sigiloso, nem manifestação do indicado ou da campanha sobre ela. Também não houve resposta do governo às acusações de interferência na Polícia Federal. Permanece em aberto o efeito prático da mudança de rumo em Alagoas, onde o partido havia se comprometido a não lançar candidato ao Senado, e o desdobramento do atrito interno com a ala que defendia uma mulher na chapa.
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