As primeiras pesquisas eleitorais divulgadas depois do início oficial da campanha de 2026 desenharam o quadro das disputas pelas vagas no Senado em pelo menos três estados, e o levantamento mais comentado é o do Rio Grande do Sul. Segundo o Instituto Paraná Pesquisas, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RS-03898/2026, a ex-deputada Manuela d'Ávila, do PSOL, lidera o cenário estimulado com 33,6% das intenções de voto. O deputado federal Marcel van Hattem, do Novo, aparece em seguida com 26,9%, tecnicamente empatado com o ex-governador Germano Rigotto, do MDB, que tem 24,3%, e com o deputado Paulo Pimenta, do PT, que registra 22,5%. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos, o que embola os três pela segunda vaga. Ubiratan Sanderson, do PL, marca 16%, e os demais nomes da cartela ficam abaixo de 6%.
A ficha técnica é conhecida e igual em todas as coberturas: 1.504 entrevistas presenciais em 67 municípios gaúchos, realizadas de 18 a 20 de agosto de 2026, com nível de confiança de 95%. O estudo custou R$ 135.200 e foi pago pelo PL, informação relevante para a leitura do resultado. Cada eleitor pode citar até dois nomes, porque cada estado elege dois senadores em outubro. No cenário espontâneo, quando nenhum nome é apresentado ao entrevistado, a indefinição é dominante: 74,2% dizem não saber ou não opinam, Marcel van Hattem marca 7,2% e Manuela d'Ávila, 5,2%.
Outros dois estados entraram no mesmo arco de divulgações. No Rio de Janeiro, o Datafolha, registrado sob o número RJ-02945/2026, mostra a deputada Benedita da Silva, do PT, em primeiro com 15%, seguida por um bloco de seis candidatos empatados dentro da margem de três pontos: Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos do PL, com 8%; Marcelo Crivella, do Republicanos, Pedro Paulo, do PSD, e Mônica Benício, do PSOL, com 6% cada; e Waguinho, do Republicanos, com 3%. Foram ouvidos 1.204 eleitores entre os dias 18 e 21 de agosto, na primeira sondagem do instituto após o começo da campanha. Brancos e nulos somam 23% e os indecisos, 12%. Na Paraíba, o Instituto Seta, com registro PB-06992/2026, ouviu 800 eleitores da capital nos dias 8 e 9 de agosto e apontou o ex-governador João Azevêdo, do PSB, com 35,4% do primeiro voto, contra 9,6% do ex-ministro Marcelo Queiroga, do PL, e 9,1% de Nabor Wanderley, do Republicanos.
A leitura dos números é o que separa as coberturas. Veículos de esquerda destacaram que João Azevêdo e Veneziano Vital do Rêgo integram a aliança que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Paraíba e trataram o desempenho como sinal de força do campo governista, além de valorizarem a dianteira de Manuela d'Ávila e de Benedita da Silva. A cobertura de centro relatou os percentuais com a ficha técnica completa, insistiu nos empates técnicos autorizados pela margem de erro e foi a que trouxe o custo e o financiador do levantamento gaúcho. Veículos de direita enfatizaram o embolamento da segunda vaga e o tamanho modesto da liderança carioca, em que a primeira colocada marca menos do que a soma de brancos e nulos.
O que ainda não se sabe é quem contratou a pesquisa realizada na Paraíba, se o resultado da capital se reproduz no interior do estado e como se comportarão os indecisos, que no cenário espontâneo gaúcho passam de 70%. Também não há série histórica divulgada nessas coberturas que permita comparar os percentuais com sondagens anteriores das mesmas disputas, nem medição do efeito do horário eleitoral, que ainda não havia começado quando os entrevistadores foram a campo.