O campo governista liderado pelo presidente Lula e pelo ex-ministro Fernando Haddad fechou sua chapa para a disputa de São Paulo em 2026. Ficou definido que a ex-ministra Marina Silva, do partido Rede, e a ex-ministra Simone Tebet, do PSB, serão as pré-candidatas às duas vagas em jogo no Senado pelo estado. O ex-ministro Márcio França, também do PSB, foi escolhido como vice na chapa de Haddad ao governo paulista. A oficialização das pré-candidaturas ao Senado ocorreu em um evento na capital de São Paulo, nesta quinta-feira.
A decisão saiu de uma reunião realizada na véspera, que reuniu Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, Haddad e os três ex-ministros. A cobertura de centro relatou que o encontro encerrou a indefinição sobre quem ocuparia a vaga de vice e quem disputaria o Senado, organizando o tabuleiro do grupo na maior cidade do país.
Veículos de centro destacaram as falas de Marina Silva durante a cerimônia. A ex-ministra do Meio Ambiente disse sentir-se honrada com a pré-candidatura e classificou as escolhas como fruto de um consenso progressista. Marina afirmou ainda que sua candidatura e a de Tebet são simbólicas, por colocarem duas mulheres de perfis distintos, uma branca e uma preta, uma ligada ao agronegócio e outra vinda da floresta amazônica, na disputa pela Casa Alta. Sem citar o governador nominalmente, ela criticou a alta de feminicídios no estado, mencionando um aumento de cerca de 35% desde 2022 e cerca de 7% nas agressões contra pessoas vulneráveis.
Veículos de esquerda enfatizaram justamente esse ângulo de representação e proteção social: a chapa como resposta à violência contra mulheres e grupos vulneráveis, a diversidade das candidatas e o discurso de unidade do campo democrático contra o que Marina chamou de clima de polarização, mentiras e ódio. Nessa leitura, a aliança entre PT, PSB e Rede valoriza o consenso e as pautas sociais e ambientais.
Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram os bastidores e os cálculos eleitorais da articulação. Segundo essa cobertura, Márcio França vinha resistindo à ideia de ser vice e insistia em disputar o Senado, tendo até sondado uma candidatura própria ao Palácio dos Bandeirantes. O PT se opôs, com o argumento de que França tenderia a atrair eleitores do próprio Haddad, e não do governador e rival Tarcísio de Freitas, do Republicanos. Sob esse prisma, a definição de Marina e Tebet ao Senado encerrou uma queda de braço interna por vagas e ajustou a estratégia de palanque do grupo no estado.
No plano nacional, o calendário eleitoral também avança. O PSD marcou para o dia 26 de julho, em São Paulo, a convenção que deve oficializar a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência. A convenção de Flávio Bolsonaro pelo PL do Rio está prevista para o dia anterior, 25 de julho, e o PT deve lançar a reeleição de Lula em 1º de agosto.
O que ainda não se sabe é como o governo estadual responderá às críticas de Marina sobre os números de feminicídio, já que as reportagens não trazem o contraponto da gestão Tarcísio de Freitas. Também permanecem em aberto a definição do vice na chapa presidencial do PSD e o desenho final das alianças que cada campo levará à urna em 2026.