O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná rejeitou um pedido do Partido Liberal, sigla de Sergio Moro, que tentava enquadrar como propaganda eleitoral antecipada as falas do governador Ratinho Junior em apoio a Sandro Alex, pré-candidato do PSD ao governo estadual. A juíza Adriana Simette indeferiu a representação, e a decisão tornou-se o primeiro round público da disputa pela sucessão no Paraná em 2026.
A cobertura de centro relatou os detalhes jurídicos do caso. As manifestações questionadas pelo PL ocorreram durante uma coletiva de imprensa em evento oficial do Governo do Estado, quando o governador respondeu a jornalistas sobre o crescimento de Sandro Alex nas pesquisas e o apoio formal de seu grupo. No despacho, a juíza concluiu que não havia base para enquadrar a fala como propaganda antecipada, por se tratar de exaltação de qualidades pessoais, referência à trajetória administrativa do pré-candidato e opinião sobre a continuidade da gestão, sem pedido explícito de voto. A decisão reforçou que a liberdade de expressão assume posição preferencial no debate político-eleitoral e que críticas duras, quando relacionadas à atuação pública e baseadas em fatos de interesse público, não se confundem automaticamente com ilícito eleitoral.
Todos os lados convergem nos fatos centrais: o pedido do PL foi negado, o governador preserva o direito de defender seu projeto de sucessão até 16 de agosto, e o calendário eleitoral avança com convenções partidárias de 20 de julho a 5 de agosto, propaganda eleitoral a partir de 16 de agosto e primeiro turno marcado para 4 de outubro de 2026. A cartilha 'Pode X Não Pode', atualizada pelo TRE-PR, delimita a fronteira: pré-candidato pode mencionar a pretensa candidatura, dar entrevistas e exaltar qualidades pessoais, mas segue proibido de pedir voto fora do prazo legal.
A divergência está no enquadramento. Veículos de esquerda destacaram que a derrota representa um recuo político de Moro, não apenas processual, e que a ofensiva judicial expôs sua dificuldade de enfrentar o grupo governista hegemônico no estado, descrito como 'dono do espólio estadual'. Por essa leitura, a disputa entrou na fase de apropriação de imagem, em que vídeos, eventos e ações na Justiça já valem tanto quanto o palanque. Pela ótica de uma cobertura à direita, o ponto central seria a proteção da liberdade de expressão de agentes públicos contra tentativa de cerceamento pela via judicial, com a Justiça Eleitoral evitando a judicialização excessiva do debate político, ainda que o episódio sirva de alerta sobre o uso da máquina pública como ativo de campanha.
O que ainda não se sabe é como a pré-campanha de Moro reagirá à decisão e se haverá recurso, além de como a entrada de Alexandre Curi, que deixou o PSD rumo ao Republicanos, vai reordenar o campo governista. A capacidade de Sandro Alex de herdar votos, estrutura e apoio de prefeitos do governador também segue como incógnita central da disputa estadual.