O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná rejeitou um pedido do Partido Liberal, legenda do senador Sergio Moro, que buscava punir o governador Ratinho Junior por suposta propaganda eleitoral antecipada em favor de Sandro Alex, pré-candidato do Partido Social Democrático ao governo do estado. A ação pedia multa de 25 mil reais e questionava declarações do governador em evento oficial no Palácio Iguaçu, em Curitiba, nas quais ele tratou Sandro Alex como o nome escolhido por seu grupo para dar continuidade à gestão estadual.
A juíza Adriana Simette, do TRE-PR, indeferiu o pedido. Segundo o despacho, as falas de Ratinho Junior ficaram no campo da exaltação de qualidades pessoais, da referência à trajetória administrativa de Sandro Alex como ex-secretário de infraestrutura e da opinião política sobre a continuidade do governo, sem pedido explícito de voto. A magistrada destacou que a liberdade de expressão assume posição preferencial no debate político-eleitoral e que críticas e manifestações relacionadas à atuação pública não se confundem automaticamente com ilícito eleitoral. A cartilha 'Pode X Não Pode', atualizada pelo tribunal, reforçou a fronteira: o pré-candidato pode mencionar a pretensa candidatura, dar entrevistas, divulgar posicionamento e exaltar qualidades, mas segue proibido pedir voto ou converter ato público em propaganda fora do prazo, que se abre em 16 de agosto.
Veículos de centro relataram a decisão de forma factual, reproduzindo trechos do despacho e enquadrando o caso como uma reafirmação da liberdade de expressão nas entrevistas e eventos públicos, sem pedido de voto. A cobertura de centro também registrou que o governador comentou o crescimento de Sandro Alex nas pesquisas e o apoio formal do PSD diante de perguntas de jornalistas de diferentes veículos.
Já veículos de esquerda enfatizaram que a derrota de Moro não é apenas processual: para essa cobertura, ela mostra que a sucessão no Paraná entrou na fase da apropriação de imagem e do uso do espólio do governo estadual. Nesse enquadramento, quem consegue aparecer perto do governador tenta vender continuidade, e a decisão abre margem para que a máquina pública funcione como ativo eleitoral, o que exigiria fiscalização redobrada sobre agenda oficial, vídeos institucionais e atos de governo. Por essa leitura crítica, Moro tentou transformar a fala do governador em ilícito para limitar a exposição do adversário e perdeu a primeira rodada.
Na chave mais à direita, a ênfase recairia sobre o reconhecimento judicial do direito de manifestação dos agentes públicos e sobre a leitura de que a judicialização da fala do governador foi uma tentativa indevida de silenciar o adversário pela via dos tribunais, sendo a previsibilidade das regras eleitorais um ganho para o debate.
O caso também redefine o tabuleiro. Sandro Alex, deputado federal e ex-secretário estadual, é o maior interessado e precisa provar que o apoio de Ratinho Junior se converte em votos, estrutura e tempo político no interior. Moro, por sua vez, busca atacar a costura governista sem romper com o eleitor conservador que aprova o governador. Entra ainda no cálculo Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa, que deixou o PSD e migrou para o Republicanos, ampliando a disputa por protagonismo no campo governista.
O que ainda não se sabe é como a pré-campanha de Moro reagirá à decisão e se haverá recurso, além de qual será o grau de fiscalização do tribunal sobre os próximos atos oficiais. Também permanece em aberto o efeito prático da decisão sobre a transferência de votos de Ratinho Junior para Sandro Alex quando a campanha oficial começar.