O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) instaurou um inquérito civil para apurar um possível desvio de finalidade no uso de um imóvel público. A medida foi publicada na edição de 7 de julho de 2026 do Diário Oficial da União. O bem em questão foi doado pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital, a Novacap, ao Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal (IHGDF), uma entidade voltada à memória e à história local.
Segundo a apuração, o imóvel estaria sendo parcialmente ocupado pelo colégio particular Cresça Mais. É justamente esse uso, aparentemente distinto da finalidade original da doação, que o Ministério Público quer esclarecer. O inquérito civil é o instrumento que permite ao órgão reunir documentos, ouvir envolvidos e decidir se há irregularidade a ser corrigida ou responsabilizada.
Procurada, a Novacap informou, em nota, que a competência sobre casos de doação e regularização de imóveis do Distrito Federal cabe atualmente à Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal, a Terracap, que sucedeu a companhia nas atribuições de gestão patrimonial desses bens. A Terracap também foi acionada, mas não respondeu até o fechamento da reportagem, que manteve o espaço aberto para manifestação.
Até o momento, apenas o veículo Metrópoles, de cobertura de centro e perfil factual, noticiou o caso, relatando a abertura do inquérito, a fonte oficial no Diário Oficial e a nota da Novacap. Não há, por ora, cobertura de veículos de esquerda ou de direita sobre o episódio, o que limita a comparação de enquadramentos. Numa leitura de contexto, um ângulo de esquerda tenderia a enfatizar o risco de um bem coletivo servir a interesse privado com fins lucrativos e a cobrar transparência dos órgãos estatais; um ângulo de direita destacaria a accountability na gestão do patrimônio e a exigência de que doações respeitem a finalidade contratada. Esses enquadramentos, porém, são leituras prováveis, e não coberturas efetivamente publicadas.
O que ainda não se sabe é o desfecho da investigação: não há detalhes sobre os termos originais da doação, sobre há quanto tempo o colégio ocupa o espaço, nem sobre a versão do Instituto Histórico e Geográfico do DF ou do próprio Cresça Mais. Também permanece sem resposta a manifestação da Terracap, hoje responsável pela gestão desses imóveis. O inquérito civil está apenas começando e ainda não há conclusão sobre eventual irregularidade.