O governo da Noruega anunciou em 23 de setembro que pretende aprovar, no mais tardar até 2028, o plano de exploração da jazida de Fensfeltet, considerada a maior reserva de terras raras da Europa. Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, relatando que o projeto é tratado como estratégico para reduzir a dependência ocidental da China, mas enfrenta questionamentos ambientais.
A jazida fica a cerca de 150 quilômetros a sudoeste de Oslo e contém uma estimativa de 15,9 milhões de toneladas de óxidos de terras raras. Entre esses minerais estão o neodímio e o praseodímio, usados na fabricação de ímãs de alta potência para veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. A empresa Rare Earths Norway, detentora dos direitos de exploração, prevê iniciar a extração na primeira metade da década de 2030, depois de uma série de atrasos no cronograma.
O principal obstáculo é ambiental. A companhia promete uma "mina invisível", com extração e britagem feitas no subsolo. As instalações de superfície, porém, ficariam numa região de florestas antigas de grande valor ecológico. Estudos no local identificaram 78 espécies de animais, plantas e fungos ameaçadas de extinção em diferentes graus, entre elas besouros que dependem de madeira em decomposição, olmos, freixos, musgos e dezenas de espécies de cogumelos.
Diante da controvérsia, o governo norueguês assumiu neste ano a coordenação do planejamento, tarefa que antes cabia ao município. A medida inclui a avaliação de locais alternativos para as estruturas de superfície. "A meta é ter um plano de exploração pronto até 2028, e, se possível, antes disso", afirmou a ministra do Comércio e Indústria da Noruega, Cecilie Myrseth. Segundo ela, Fensfeltet poderá abastecer a Europa e outros países ocidentais.
O anúncio se insere numa disputa mais ampla. A União Europeia busca ampliar a produção desses minerais para reduzir a dependência da China, que domina a cadeia global de fornecimento. Hoje nenhuma mina de terras raras opera no continente europeu. A cobertura apresenta o tema como um dos eixos da competição econômica entre China, Estados Unidos e Europa.
O relato disponível é factual e se apoia sobretudo na palavra do governo. Não há, na cobertura, manifestação de organizações ambientais nem do município que deixou de coordenar o projeto.
Ainda não se sabe quais locais alternativos estão em avaliação, nem se eles reduziriam o impacto sobre as espécies ameaçadas. Também não foram divulgados o custo do projeto, o volume anual de produção previsto nem os critérios que o governo usará para aprovar o plano.