Uma nova pesquisa Ipsos-Ipec, divulgada em 22 de junho de 2026, mostrou leve melhora na avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem alterar de forma significativa o quadro geral de polarização. Segundo o levantamento, a aprovação do presidente subiu para 44% e a desaprovação recuou para 50%, oscilações dentro da margem de erro em relação à pesquisa de março. A avaliação do governo como ruim ou péssimo caiu de 40% para 38%, o menor patamar desde setembro, enquanto a faixa dos que consideram a gestão regular cresceu de 24% para 28%.
O instituto ouviu mais de 2 mil eleitores em 130 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A confiança no presidente permaneceu estável: 56% dizem não confiar e 41% afirmam confiar, índices praticamente inalterados nas últimas quatro pesquisas. A diretora do Ipsos-Ipec, Márcia Cavallari, resumiu o resultado ao avaliar que, apesar da pequena melhora na avaliação regular, o saldo do governo ainda é negativo.
A cobertura de centro relatou esses números de forma direta, destacando a transparência metodológica e a leitura do próprio instituto de que a melhora é marginal. O dado mais comentado por todos os lados é o crescimento da faixa intermediária: parte do eleitorado que antes reprovava o governo deixou de reprovar, mas não passou a aprovar, acomodando-se em uma zona de avaliação regular.
É na interpretação desse movimento que as coberturas divergem. Veículos de esquerda enfatizaram que a queda da rejeição representa um alívio estratégico para o Palácio do Planalto e abre uma janela de reconquista para a reeleição em 2026. Nessa leitura, o eleitor 'regular', estimado em cerca de 28% do eleitorado, é pragmático e poderia ser convertido em apoio caso o governo entregue um pacote legislativo de impacto social rápido e perceptível. Esses veículos ponderam que o principal obstáculo não está nos índices macroeconômicos, já que a inflação está próxima do teto da meta e o desemprego cedeu, mas na percepção do custo de vida: a alta da alimentação no domicílio, de 1,65% em maio, e o endividamento recorde das famílias pesam mais no humor do eleitor do que os números agregados.
Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram que a melhora é apenas marginal e que o quadro segue adverso ao governo. Para essa leitura, o ponto central é que a desaprovação de 50% continua superando a aprovação de 44%, que a maioria do eleitorado não confia no presidente e que a própria diretora do instituto admitiu saldo negativo. O peso do custo de vida, da alta de alimentos básicos como batata, tomate e cebola e do endividamento familiar é apresentado como evidência dos limites da política econômica da gestão. A fragilidade da base governista no Congresso aparece como fator que restringe a capacidade de o Planalto reverter esse cenário.
O que ainda não se sabe é se a migração de eleitores para a faixa 'regular' vai se converter em aprovação ou rejeição ao longo do ciclo eleitoral, nem se o governo conseguirá traduzir os indicadores macroeconômicos em melhora concreta na percepção de custo de vida. Também não há, nas matérias, recortes regionais ou por segmento que permitam mapear onde esse eleitorado indeciso se concentra. A próxima rodada de pesquisas deve indicar se a leve melhora se sustenta ou se foi apenas oscilação estatística.