Datafolha aponta Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 33% na largada da campanha
2 veículos de esquerda · 5 veículos de centro · 8 veículos de direita

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Na leitura à direita, o dado central é a tendência: a vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva encolheu de dez para seis pontos em dois meses e o senador Flávio Bolsonaro chega competitivo à fase decisiva da campanha, apesar do isolamento partidário e do desgaste promovido por adversários. O empate técnico no Distrito Federal, com virada do senador no segundo turno, é apresentado como sinal de que a oposição cresce onde o eleitor acompanha de perto o funcionamento do Estado. Escândalos que atingem o entorno do presidente, os juros altos e o gasto público aparecem como os vetores que sustentam esse movimento.
Para a leitura à esquerda, os números mostram Luiz Inácio Lula da Silva mantendo a dianteira em todos os cenários nacionais, de primeiro e de segundo turno, mesmo sob uma semana de vazamentos que atingiram seu entorno familiar e sob campanha permanente de desgaste nas redes.
A primeira pesquisa Datafolha divulgada após a largada oficial da campanha presidencial, em 21 de agosto, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 39% das intenções de voto no primeiro turno e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 33%.
15 fontes políticas
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Nesta matéria: viés de centro.
Veículos com viés ao centro
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Veículos com viés à direita
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Todos os lados aceitam os números divulgados: Lula à frente de Flávio Bolsonaro por seis pontos no levantamento nacional, empate técnico no Distrito Federal e redução da vantagem do presidente ao longo de três meses. Também há convergência sobre o calendário: as pesquisas da Quaest em São Paulo e Minas Gerais só serão divulgadas em 25 de agosto.
A largada oficial da campanha presidencial trouxe uma sequência de sondagens registradas no Tribunal Superior Eleitoral. O Datafolha aponta Lula seis pontos à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, o Real Time Big Data mostra empate técnico no Distrito Federal e a Quaest prepara levantamentos em São Paulo e Minas Gerais, com divulgação marcada para 25 de agosto.
A campanha presidencial de 2026 teve largada oficial em 16 de agosto e, na semana seguinte, entrou numa sequência intensa de sondagens registradas no Tribunal Superior Eleitoral. Em 21 de agosto, o Datafolha divulgou o primeiro levantamento nacional feito depois do início da campanha: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, com 33%. Em julho o placar era de 40% a 32%; em junho, de 41% a 31%. A distância entre os dois caiu, portanto, de dez para seis pontos em dois meses. Foram 2.058 entrevistas em 127 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro BR-04496/2026.
Nos cenários de segundo turno do mesmo levantamento, o presidente vence o senador por 47% a 43%, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, do PSD, por 47% a 40%, e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, do Novo, por 48% a 38%. Na pesquisa espontânea, em que nenhum nome é apresentado ao entrevistado, Lula tem 32% e Flávio Bolsonaro, 19%. A rejeição é praticamente idêntica: 46% dizem que não votariam no senador de jeito nenhum e 45% afirmam o mesmo sobre o presidente.
No mesmo intervalo, o Instituto Quaest registrou no Tribunal Superior Eleitoral duas pesquisas estaduais contratadas pela Globo Comunicação e Participações. A de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, tem 1.800 entrevistas e registro BR-02096/2026. A de Minas Gerais, segundo maior, tem 1.506 entrevistas e registro BR-09818/2026. As duas têm coleta prevista entre 21 e 24 de agosto e divulgação marcada para o dia 25. Os questionários testam dois cenários de primeiro turno, um com treze nomes e outro sem Pablo Marçal, do PRTB, além de medir aprovação do governo federal, identificação política do eleitor, disputas por governo estadual e as duas vagas de cada estado no Senado. Também em 19 de agosto, o Real Time Big Data publicou sondagem feita com 1.600 eleitores do Distrito Federal entre os dias 14 e 18: Lula com 36% e Flávio Bolsonaro com 35% no primeiro turno, empate técnico, com o senador virando o placar no segundo turno, por 44% a 39%.
A cobertura de centro concentrou-se na descrição metodológica e na comparação com a série histórica, registrando lado a lado os passivos das duas campanhas: os vazamentos da Polícia Federal sobre Fábio Luís, o Lulinha, filho do presidente, ligados à investigação do chamado Careca do INSS, e o áudio em que o senador cobra do ex-banqueiro Daniel Vorcaro repasses para o filme Dark Horse, no qual o empresário aportou R$ 61 milhões. Todos os envolvidos negam irregularidades.
As divergências aparecem na interpretação. Veículos de direita destacaram a resiliência do candidato da oposição, que teria mantido competitividade apesar do vazamento do áudio, do atrito público com Michelle Bolsonaro e da decisão de partidos do Centrão de permanecer neutros, decisão que essa cobertura atribui a pressão institucional. Nessa leitura, os juros altos, o gasto público e os escândalos que atingem o entorno do presidente sustentam a aproximação nas pesquisas. Veículos de esquerda mantiveram o foco no registro e no desenho dos levantamentos estaduais, sublinhando que a disputa em Minas Gerais e em São Paulo mede também governo estadual e Senado, e evitando projeções sobre resultado. A cobertura de centro relatou que o campo do Datafolha, entre 18 e 19 de agosto, coincidiu com a semana de maior exposição do caso que envolve o filho do presidente, sem afirmar relação de causa.
O que ainda não se sabe é o essencial. Os números da Quaest em São Paulo e em Minas Gerais só existem a partir de 25 de agosto: até lá, há apenas o questionário registrado. Não há indicação de qual será o efeito da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, que começa em 28 de agosto, nem de como o eleitorado reagirá ao julgamento definitivo do registro de Pablo Marçal, previsto para até 14 de setembro. Também não se sabe se a redução de dez para seis pontos é tendência consolidada ou oscilação dentro de margens sucessivas de dois pontos, e nenhum dos levantamentos divulgados até agora respondeu como se comportam os 8% que declaram voto branco ou nulo e os 3% que dizem não saber em quem votar.
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