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Daniella Marques Cosentino, coordenadora do programa econômico da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), integrou o Conselho de Administração do Banco Digimais, controlado por Edir Macedo, entre fevereiro de 2024 e 8 de dezembro de 2025. O banco é alvo da Operação Miragem da Polícia Federal, deflagrada em 23 de junho de 2026, que investiga gestão temerária e captação irregular de recursos. Daniella não foi alvo da operação.
A coordenadora do programa econômico da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a economista Daniella Marques Cosentino, integrou o Conselho de Administração do Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, entre fevereiro de 2024 e 8 de dezembro de 2025. O banco é alvo da Operação Miragem da Polícia Federal, deflagrada em 23 de junho de 2026, que investiga suspeitas de gestão temerária, manipulação de demonstrativos contábeis e captação irregular de recursos. A revelação, ancorada em registros da Junta Comercial de São Paulo, conecta o nome da economista escolhida para comandar a agenda econômica do bolsonarismo a um dos desdobramentos do chamado caso Master.
Segundo a apuração, o Digimais teria investido cerca de R$ 600 milhões em carteiras de crédito vinculadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, preso pela PF. A polícia sustenta que o banco de Edir Macedo mantinha créditos de origem duvidosa e fazia captação de recursos com taxas acima do mercado, o que indicaria gestão temerária ou fraudulenta. O próprio Macedo foi alvo de quebra de sigilo bancário e fiscal e de uma ordem para confisco de R$ 670 milhões dele e de outros investigados. Daniella Marques, contudo, não foi alvo da operação.
Há pontos em que toda a cobertura converge. O mandato de Daniella no conselho terminou antes do prazo originalmente previsto, em junho de 2026, com a extinção do colegiado. Antes de ingressar na pré-campanha, ela presidiu a Caixa Econômica Federal no governo de Jair Bolsonaro e trabalhou na equipe de Paulo Guedes quando ele era ministro da Economia. A cobertura de centro relatou de forma factual esse histórico, registrando que a economista deixou a consultoria Legend Capital para coordenar o programa econômico de Flávio e que afirmou não pretender assumir os ministérios da Fazenda ou da Economia em um eventual governo. Essa cobertura também informou ter procurado Daniella, o senador e o banco para esclarecimentos.
É na interpretação que os lados se distanciam. Veículos de esquerda destacaram que a economista foi escalada para agradar a Faria Lima e atrair o voto feminino, em uma fórmula que repetiria a solução adotada por Bolsonaro em 2018, e enfatizaram a teia que liga a campanha de direita a Edir Macedo e a Daniel Vorcaro como sinal de promiscuidade com o sistema financeiro. Nesse enquadramento, o anúncio da entrada de Daniella, feito em evento da revista Veja em 16 de junho, e a promessa de cortes drásticos de despesas aparecem como ameaça a gastos sociais sob um governo de direita. Uma leitura à direita, por outro lado, enfatizaria que Daniella não é investigada, que seu currículo é técnico e que a investigação anterior da Operação Greenfield, que mirava a conduta de Guedes, foi arquivada pela Justiça — tratando o episódio como associação por contiguidade de uma profissional a um caso do qual ela não é alvo.
O que ainda não se sabe é a natureza exata da participação de Daniella nas decisões do conselho do Digimais durante o período investigado, já que os documentos disponíveis não detalham seu papel. Também permanecem em aberto as respostas da economista, do senador Flávio Bolsonaro e do próprio banco, que foram procurados e cujos esclarecimentos ainda não haviam sido divulgados.
Esquerda e centro concordam nos fatos documentais: Daniella Marques integrou o conselho do Digimais entre fevereiro de 2024 e dezembro de 2025, o banco é alvo da Operação Miragem da PF, e ela não foi alvo da operação.
Como cada lado cobriu
Veículos com viés à esquerda
Enquadramento à esquerda: vocabulário valorativo contra o bolsonarismo e a Faria Lima, associação repetida com Edir Macedo e Vorcaro para sugerir promiscuidade entre campanha de direita e sistema financeiro. Cita a própria antecipação ('como a Fórum antecipou') e edita declaração de Flávio sobre cortes para reforçar crítica ao 'governo de direita'.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Veículos com viés ao centro
Cobertura factual e equilibrada: relata os registros, a operação, o valor investido pelo Digimais no Master, o histórico de Daniella (Caixa, Guedes, Greenfield arquivada) e registra que ela declarou não pretender ser ministra. Informa explicitamente que procurou Daniella, Flávio e o banco para esclarecimentos. Sem vocabulário valorativo.
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

Daniella Marques Cosentino, coordenadora do programa econômico da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), integrou o Conselho de Administração do Banco

Daniella Marques cuidará da economia na campanha do PL; ela esteve no banco de Edir Macedo, alvo da PF, até dezembro de 2025
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