O anúncio da chapa que une Fernando Haddad (PT) e Márcio França (PSB) na disputa pelo governo de São Paulo em 2026 transformou-se, nesta quinta-feira, em um evento de ataques ao principal adversário: o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pré-candidato à reeleição. Após meses de negociação, França foi confirmado como vice na chapa alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e os dois aproveitaram o palco para mirar o atual chefe do Executivo paulista.
O ponto central das declarações foi a tentativa de Haddad de reposicionar uma crítica antiga. O ex-ministro da Fazenda afirmou que nunca criticou Tarcísio por ele ser do Rio de Janeiro, e não de São Paulo. Segundo o petista, sua objeção é outra: o governador teria sido trazido ao estado 'pela mão de uma terceira pessoa', em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, padrinho político de Tarcísio. Para Haddad, o adversário veio de forma 'artificial', sem raízes locais, e chegou a dizer que Tarcísio mantinha 'a cabeça fora de São Paulo' quando era cotado para a Presidência. O petista também citou a origem libanesa do próprio pai para rebater a ideia de que faria preconceito regional, lembrando que pré-candidatas ao Senado de seu campo, como Simone Tebet e Marina Silva, tampouco são paulistas.
Márcio França elevou o tom. Disse que Tarcísio 'é uma pessoa menor do que a cadeira do governo de São Paulo' e o acusou de não ter percorrido o interior, citando que o governador não teria visitado a maioria das cidades em três anos e meio de mandato. França contrastou esse comportamento com o do vice-presidente Geraldo Alckmin, de quem foi vice-governador, apresentado como exemplo de quem visitava todos os municípios. O ex-ministro do Empreendedorismo também avaliou que a eleição pode ser decidida em primeiro turno, já que apenas Tarcísio e Haddad estão postos como pré-candidatos, e advertiu que um turno único costuma ser apertado.
A cobertura de centro, baseada em material de agência, relatou os fatos de forma direta: a definição da vice, as falas de Haddad e França e o registro de que Tarcísio tem vantagem nas pesquisas no interior paulista. Veículos de direita, ao reproduzir as mesmas declarações, enfatizaram que a ofensiva mira justamente o favorito da corrida e reeditam a memória da derrota de Haddad para Tarcísio em 2022, quando o petista já explorava a falta de raízes locais do adversário. Para esse enquadramento, as críticas sobre origem e presença em cidades soam como ataque pessoal que desvia da discussão sobre gestão. Não houve, em nenhuma das reportagens, manifestação de veículos de esquerda com cobertura própria do episódio; o ângulo de defesa da chapa governista aparece nas próprias falas de Haddad e França, que se apresentam como a alternativa enraizada e atenta ao interior.
O que ainda não se sabe é como Tarcísio e sua campanha responderão às provocações, já que o governador não foi ouvido nas reportagens. Também permanece em aberto o desenho final das candidaturas ao Senado, o peso real da articulação de Lula sobre o eleitorado paulista e se a disputa de fato se resolverá em primeiro turno, como prevê França.