O pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, que nunca criticou o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) por ele ser do Rio de Janeiro, e não paulista. A declaração foi dada durante a coletiva em que Haddad anunciou Márcio França (PSB) como seu vice na chapa alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa estadual de 2026.
Segundo Haddad, a sua crítica nunca teve relação com a origem de Tarcísio, mas com a forma como o governador chegou a São Paulo. "Eu não critiquei por ele não ser de São Paulo. O que eu critiquei foi porque ele foi trazido para cá pela mão de uma terceira pessoa", disse o petista, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, padrinho político de Tarcísio. O ex-ministro da Fazenda acrescentou que o governador "queria ser senador por Goiás" e veio a São Paulo "artificialmente", sem raízes no estado.
A cobertura de centro, ancorada em material da agência Estadão Conteúdo, relatou que Tarcísio se tornou o alvo central do evento. Além de Haddad, o futuro vice Márcio França também atacou o governador, afirmando que ele é "uma pessoa menor do que a cadeira do governo de São Paulo". França sustentou que Tarcísio visitou poucas cidades do estado ao longo do mandato e contrastou esse comportamento com o do ex-governador Geraldo Alckmin, hoje vice-presidente, que percorria o interior todos os anos. As mesmas reportagens registraram que Tarcísio tem vantagem nas pesquisas no interior paulista e que a eleição tende a ser decidida em primeiro turno, já que até agora só há dois pré-candidatos.
Haddad também rebateu a acusação de incoerência por apoiar pré-candidatas ao Senado que não nasceram em São Paulo, como Simone Tebet, de Mato Grosso do Sul, e Marina Silva, do Acre. "Meu pai vem do Líbano. Como é que eu vou ter preconceito com quem não é de São Paulo? Toda a minha família é imigrante", afirmou. O petista insistiu que o problema seria a artificialidade da candidatura adversária, e não a procedência geográfica.
Veículos de direita, que publicaram a fala de Haddad de forma factual, destacaram o histórico da campanha de 2022, quando o petista explorou a falta de raízes locais de Tarcísio e chegou a dizer que o adversário "caía de paraquedas" na política paulista e não sabia sequer onde votava. Esse enquadramento ressalta o aparente contraste entre o discurso atual de Haddad e suas declarações passadas, inclusive a de março de 2026, quando classificou Tarcísio como "mais forasteiro" que Simone Tebet. A cobertura de centro relatou os mesmos fatos sem juízo de valor, registrando tanto a reabertura do ataque quanto a tentativa de Haddad de reposicionar suas críticas.
O que ainda não se sabe é como Tarcísio responderá às ofensivas: nas matérias analisadas, o governador não foi ouvido sobre as falas de Haddad e França. Também permanecem em aberto os efeitos da consolidação da chapa Haddad-França sobre a corrida e se a vantagem de Tarcísio no interior se sustentará à medida que a campanha avança.