O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na quinta-feira, 25 de junho de 2026, de uma cerimônia no Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, marcada pela entrega de 1.390 títulos de domínio a famílias assentadas. Na ocasião, o governo anunciou um investimento de R$ 20 milhões para recuperar a infraestrutura produtiva das cooperativas do assentamento, além de novas ações de crédito, habitação, educação no campo e regularização fundiária. "Nunca houve tanta política de inclusão social como está havendo agora", afirmou o presidente, acrescentando que, enquanto estiver no cargo, o povo pobre terá preferência no tratamento das políticas públicas.
A cobertura de centro, baseada nos comunicados oficiais do Palácio do Planalto, relatou os dados concretos da agenda: o Itamarati abrange 50.081 hectares e reúne 2.837 famílias, sendo uma das maiores experiências de reforma agrária do país. A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, informou que 250 mil famílias já foram incluídas no Programa Nacional de Reforma Agrária, com meta de chegar a 300 mil até o fim do ano. Duas cooperativas locais também receberão títulos de domínio, ação descrita pelo governo como inédita. O recurso de R$ 20 milhões sairá de parceria entre o Incra e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Ainda foram anunciados R$ 4 milhões em Crédito Habitação para 42 famílias e a assinatura da escritura da Fazenda Che Cay, em território quilombola de Dourados, beneficiando 147 famílias.
Veículos de esquerda destacaram o caráter de justiça social da medida, enquadrando a titulação como reconhecimento de dignidade e segurança jurídica a quem historicamente viveu na incerteza fundiária. Essa cobertura deu relevo às falas de lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e de representantes quilombolas, que falaram em "comida na mesa" e na construção de um país mais justo. Também noticiou, com ênfase, a transação tributária com o Grupo João Santos, que converte dívidas federais em terras para criar 33 novos assentamentos na Paraíba e no Maranhão, com benefício estimado a quase 6 mil famílias.
Veículos de direita, em geral, enfatizam outro ângulo do mesmo fato. Tendem a ler a cerimônia como evento de forte apelo eleitoral e a questionar o custo fiscal da ampliação dos assentamentos e da meta de 300 mil famílias. Ao mesmo tempo, a titulação definitiva, por transformar a posse em propriedade privada com acesso a crédito, costuma ser vista por esse campo como passo legítimo para a emancipação econômica das famílias. O próprio prefeito de Ponta Porã, presente ao ato, resumiu o título como patrimônio, autonomia e liberdade para investir. As reformas dos aeroportos de Ponta Porã, Corumbá e Campo Grande, entregues na mesma viagem pelo Novo PAC, foram feitas com investimento privado da concessionária Aena, com financiamento parcial do BNDES, modelo de concessão valorizado por quem defende eficiência de mercado.
O que ainda não se sabe é o custo fiscal total das medidas anunciadas e a origem detalhada dos recursos para as novas etapas do programa. Também não há, na cobertura disponível, contraponto técnico independente sobre a sustentabilidade econômica dos assentamentos nem prazos precisos para a execução do projeto de R$ 20 milhões e dos novos assentamentos derivados da transação com o Grupo João Santos.