Operação investiga esquema de lavagem de dinheiro de facções com financiamento da Al-Qaeda
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A Operação Hawala, deflagrada em 15 de julho pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e pelo Ministério Público estadual, investiga suspeita de lavagem de mais de R$ 100 milhões ligada a facções criminosas e uma possível conexão com o financiamento da Al-Qaeda.
Para a leitura de esquerda, a Operação Hawala evidencia como a fragilidade da fiscalização financeira permite que facções lavem fortunas do tráfico por anos a fio, reforçando a necessidade de fortalecer órgãos públicos de controle, como o Coaf, e de investir em segurança que ataque a estrutura econômica do crime organizado.
Para a leitura de direita, a Operação Hawala expõe uma falha grave de segurança nacional: facções brasileiras teriam se conectado a uma rede de financiamento ao terrorismo internacional, o que reforça a cobrança por mais rigor no controle de fronteiras e resposta dura ao crime organizado.
4 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Clickbait nesta matéria: 15/100.
Veículos com viés à direita
As três coberturas concordam que a Operação Hawala, da Polícia Civil e do MPRJ, mirou um esquema de lavagem de mais de R$ 100 milhões ligado a TCP, CV e PCC, com 22 denunciados, mandados de prisão e busca em quatro estados e suspeita de conexão com o financiamento da Al-Qaeda.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado (MPRJ) deflagraram, em 15 de julho, a Operação Hawala, batizada para desarticular um esquema suspeito de lavar mais de R$ 100 milhões provenientes da venda de drogas por facções criminosas. A investigação mira o Terceiro Comando Puro (TCP), o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que teriam usado empresas de fachada, laranjas e depósitos fracionados para dar aparência legal a recursos do tráfico entre 2021 e 2024. Ao todo, 22 pessoas foram denunciadas à Justiça, que expediu dez mandados de prisão e mais de trinta de busca e apreensão; entre oito e dez suspeitos já haviam sido presos até a manhã da operação.
Os fatos centrais são convergentes entre as coberturas: o esquema funcionava como uma espécie de prestadora de serviços financeiros para diferentes facções, cooptando contadores e usando dezenas de empresas recém-criadas em pelo menos quatro estados para movimentar valores incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos. A apuração também identificou uma possível conexão internacional: uma relação comercial entre um dos investigados e um homem sancionado pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Tesouro dos Estados Unidos, por suposta ligação com o financiamento da Al-Qaeda. Autoridades apontam ainda a presença de empresários de origem libanesa e movimentações na Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, região historicamente monitorada como rota de recursos para grupos armados.
A cobertura variou no enquadramento. Veículos de esquerda, caso da Agência Brasil, relataram a operação de forma institucional e factual, ancorada nos números oficiais divulgados pela Polícia Civil e pelo MPRJ, sem acrescentar interpretação adicional. A cobertura de centro, feita pela CNN Brasil, foi a mais detalhada sobre os indivíduos denunciados e buscou ouvir a defesa dos citados, reforçando o contraditório. Já veículos de direita, como a Revista Oeste, destacaram com mais ênfase a dimensão internacional do caso e associaram o tema à cobrança política sobre o governo federal, citando a convocação de um ministro de Lula para depor sobre facções criminosas no Congresso, um vínculo que as demais coberturas não fizeram.
O que ainda não se sabe é o alcance real da conexão com o terrorismo internacional: as próprias autoridades tratam o vínculo com a Al-Qaeda como suspeita em apuração, sem confirmação definitiva, e afirmam que essa linha de investigação deve avançar nas próximas etapas, com análise do material apreendido. Também não há posição pública da defesa dos denunciados nem prazo estimado para a conclusão do inquérito.
Foram nove mandados de busca e apreensão realizados contra pacientes, profissionais de saúde e servidores municipais.

Segundo a Polícia Civil fluminense, o esquema movimentou mais de 100 milhões provenientes da venda de drogas ilícitas pelo Terceiro Comando Puro, Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital, entre 2021 e 2024.
Organização criminosa que funcionava como "prestadora de serviços" do crime teria movimentado mais de R$ 100 milhões com o dinheiro do tráfico de drogas

Polícia Civil e MPRJ miram organização suspeita de lavar mais de R$ 100 milhões para grupos criminosos
