Os Estados Unidos formalizaram a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras. A designação foi anunciada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e passa a valer em 5 de junho. Um dia depois do anúncio, as duas facções brasileiras também entraram no rol oficial de sancionados, medida que bloqueia ativos e restringe transações financeiras ligadas às organizações. A decisão foi tomada à revelia do governo brasileiro e, segundo a cobertura de centro, pegou de surpresa até mesmo diplomatas que acompanhavam o tema dentro da administração Trump.
Há pontos em que todas as vertentes da cobertura convergem. O fato central é o mesmo: o governo dos EUA classificou PCC e CV como terroristas e impôs sanções com efeito sobre ativos e transações. Há consenso também de que a medida abre uma frente de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos e de que pode afetar a cooperação policial entre os dois países. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, alertou que as sanções podem atingir bancos, fintechs e até o sistema de pagamentos Pix, e afirmou que o governo apoiará empresas brasileiras diante de eventuais medidas unilaterais. O Senado, por sua vez, abriu debate sobre os impactos da decisão sobre soberania, economia e relações bilaterais.
É no enquadramento que os lados se separam. Veículos de esquerda destacaram que a medida foi articulada por Flávio Bolsonaro junto ao governo Trump e a leram como ingerência sobre a soberania nacional, imposta sem consulta ao Brasil. Para essa cobertura, especialistas questionam a base no direito internacional de tratar organizações criminosas como grupos terroristas, e o risco central é o de sanções unilaterais que respinguem sobre o sistema financeiro e as empresas do país. A cobertura de centro relatou os bastidores da articulação diplomática e enquadrou o episódio como uma derrota do governo Lula, que não teria conseguido evitar a designação apesar de acompanhar o assunto. Já veículos de direita enfatizaram o lado do combate ao crime organizado: para essa leitura, bloquear ativos e estrangular as finanças das facções é um avanço, e a surpresa do Executivo brasileiro expõe a fragilidade de sua política externa.
Apesar da divergência de ênfase, os fatos centrais se sustentam em toda a cobertura: a designação existe, tem data para entrar em vigor e carrega potencial de impacto financeiro e diplomático. O que ainda não se sabe é o tamanho concreto do efeito sobre bancos, fintechs e o Pix, se haverá de fato sanções unilaterais contra empresas brasileiras, como ficará a cooperação policial entre os dois países a partir da vigência da medida e qual será a resposta formal do governo brasileiro no plano diplomático.