Levantamentos eleitorais divulgados entre 20 e 21 de agosto de 2026 desenharam um quadro ainda aberto na disputa pelas duas vagas de senador em três dos maiores colégios eleitorais do país. Em São Paulo, o instituto Datafolha apontou Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) na ponta, com 12% das intenções de voto cada, seguidas por André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, com 10%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os três aparecem tecnicamente empatados. Logo atrás vêm os deputados federais Guilherme Derrite (PP), com 7%, e Ricardo Salles (Novo), com 6%, também empatados entre si. Votos em branco, nulo ou em nenhum candidato somam 21%, e os indecisos, 14%.
Em Minas Gerais, o mesmo instituto mostrou Marília Campos (PT) na liderança, com 11% no cenário em que o eleitor escolhe dois nomes, contra 8% de Carlos Viana (PSD), 6% de Domingos Sávio (PL) e 5% de Marcelo Aro (PP). O quadro mineiro é o mais indefinido dos três: 24% dos entrevistados se dizem indecisos e outros 21% pretendem votar em branco, nulo ou em nenhum candidato. Quando a pergunta se restringe à primeira vaga, Marília Campos sobe a 17% e Carlos Viana, a 11%. No Ceará, pesquisa do instituto Ipsos-Ipec, feita entre 14 e 17 de agosto com 800 eleitores em 40 municípios, colocou Cid Gomes (PSB) à frente, com 26%, seguido por Capitão Wagner (União), com 19%, e por Luizianne (Rede), com 15%. Cada estado elege dois senadores nesta eleição.
As coberturas convergem no essencial. Todas informam metodologia, período de campo, margem de erro e número de registro na Justiça Eleitoral, e todas descrevem cenários em que a soma de indecisos com brancos e nulos supera a votação de qualquer candidato isolado. Nenhuma delas trata as diferenças de um ou dois pontos entre os primeiros colocados como liderança consolidada.
A divergência está no recorte. Veículos de esquerda deram destaque ao cenário cearense e apresentaram a rejeição como dado central: 29% dos eleitores afirmam que não votariam de jeito nenhum em Capitão Wagner, 20% descartam Luizianne e 15% rejeitam Cid Gomes, o que sustenta a leitura de que o teto eleitoral pesa mais que a posição atual. A cobertura de centro concentrou-se na aritmética do empate técnico em São Paulo, explicando de forma explícita que a margem de erro iguala Marina Silva, Simone Tebet e André do Prado, e evitando eleger vencedor. Veículos de direita ampliaram o escopo para além do Senado e enfatizaram as corridas majoritárias: Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera o governo de Minas com 32%, 20 pontos à frente de Patrus Ananias (PT) e Alexandre Kalil (PDT), empatados com 12% cada, enquanto o governador Mateus Simões (PSD) registra 4%. Em São Paulo, esses veículos destacaram que Tarcísio de Freitas (Republicanos) ampliou a vantagem sobre Fernando Haddad (PT), com 45% contra 27%. Ao noticiar o registro na Justiça Eleitoral do levantamento que mediria o embate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no estado, a cobertura de direita recuperou de pesquisa anterior os indicadores de desgaste do governo federal: 51% de rejeição a Lula, 55% de desaprovação e vantagem numérica de Flávio Bolsonaro em simulação de segundo turno.
O que ainda não se sabe é relevante para ler os números. As coberturas informam períodos de campo diferentes para o mesmo levantamento paulista, entre 18 e 19 de agosto em uma delas e entre 18 e 21 em outra, sem que a divergência seja explicada. Não há dados de rejeição divulgados para os candidatos ao Senado em São Paulo e em Minas Gerais, apenas no Ceará. Também não há comparação com levantamentos anteriores nos mesmos estados que permita medir movimento, e um dos próprios textos menciona que outro instituto apontou empate técnico no Ceará, resultado que não é confrontado com o do Ipsos-Ipec. Nenhuma das matérias traz reação das campanhas aos resultados.