Uma sequência de pesquisas de intenção de voto divulgadas entre 19 e 21 de agosto de 2026 recolocou as disputas estaduais no centro da corrida eleitoral deste ano. No Rio Grande do Sul, o Instituto Paraná Pesquisas mediu um cenário apertado para o governo do estado: o deputado federal Luciano Zucco, do PL, aparece com 34,4% das intenções de voto, e a ex-deputada estadual Juliana Brizola, do PDT, com 31,4%, diferença que o instituto classificou como empate técnico dentro da margem de erro de 2,6 pontos percentuais. Em terceiro vem o vice-governador Gabriel Souza, do MDB, com 11,3%, seguido de Marcelo Maranata, do PSDB, com 4,1%. Brancos e nulos somam 7,7% e os que não souberam ou não quiseram responder, 6,3%. Foram ouvidos 1.504 eleitores em 67 municípios entre 18 e 20 de agosto, com nível de confiança de 95%. O mesmo levantamento mediu a rejeição dos dois primeiros colocados: 28,7% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Juliana Brizola de jeito nenhum, e 24,2% disseram o mesmo sobre Luciano Zucco.
Na disputa gaúcha pelas duas vagas ao Senado, a ex-deputada federal Manuela D'Ávila, do PSOL, lidera com 33,6%, seguida por Marcel van Hattem, do Novo, com 26,9%, Germano Rigotto, do MDB, com 24,3%, Paulo Pimenta, do PT, com 22,5%, e o deputado federal Ubiratan Sanderson, do PL, com 16%. Do segundo ao quinto colocado, todos estão empatados dentro da margem de erro, cenário que se explica pelo fato de cada eleitor poder indicar dois nomes na renovação de dois terços do Senado.
No Pará, a AtlasIntel apontou a governadora Hana Ghassan, do MDB, com 48,6% das intenções de voto, contra 40,5% de Dr. Daniel Santos, do Podemos, ex-prefeito de Ananindeua. No recorte de votos válidos, que exclui indecisos, brancos e nulos, a governadora chega a 53,3% contra 44,4%, patamar que abriria a hipótese de decisão já no primeiro turno. Em simulação de segundo turno, a diferença se mantém em torno de sete pontos. Para o Senado paraense, o ex-governador Helder Barbalho, do MDB, tem 24%, empatado tecnicamente com o deputado federal Éder Mauro, do PL, que tem 18,4%, seguidos por Zequinha Marinho, do Podemos, com 14,6%, e Celso Sabino, do PDT, com 12,4%. Foram 1.200 entrevistas pela internet entre 14 e 19 de agosto, com margem de três pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral.
No Distrito Federal, o Real Time Big Data mediu a governadora Celina Leão, do PP, na liderança de todos os cenários, com 34% no primeiro turno contra 22% do ex-governador José Roberto Arruda, do PSD, e 18% de Leandro Grass, do PT. Nos cenários de segundo turno, ela chega a 51%. Para o Senado, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, do PL, lidera com 25%, com Leila do Vôlei, do PDT, Bia Kicis, do PL, e Erika Kokay, do PT, tecnicamente empatadas pela segunda vaga. A amostra foi de 1,6 mil eleitores ouvidos entre 14 e 18 de agosto.
Há convergência entre todas as coberturas quanto ao essencial: os percentuais, o tamanho das amostras, o período de campo, a margem de erro e o registro dos levantamentos no Tribunal Superior Eleitoral. A cobertura de centro concentrou-se na transparência metodológica, detalhando contratantes, custos e o desenho dos questionários das rodadas que ainda estão em campo, incluindo o valor de 141 mil reais pago pela pesquisa gaúcha e de 158,8 mil reais pela fluminense. Veículos de direita reproduziram os mesmos números e acrescentaram uma camada de ceticismo, lembrando que pesquisas são leitura de momento, que o método da entrevista influencia o resultado e que houve discrepâncias relevantes entre levantamentos e urnas em 2022. Até o fechamento desta reportagem, veículos de esquerda não haviam publicado cobertura própria desta rodada, o que deixa a leitura predominantemente centrada em números e metodologia, sem contraponto sobre quem financia e define o que é medido.
Restam pontos em aberto. Nenhuma das matérias informa quem contratou o levantamento gaúcho do Paraná Pesquisas nem o do Distrito Federal, e a pesquisa paraense foi contratada pelo próprio instituto, sem detalhamento sobre o critério dessa decisão. Também não há reação pública dos pré-candidatos aos números. Os cenários de Pernambuco e do Rio de Janeiro ainda não têm resultado: a Quaest divulga a rodada gaúcha em 24 de agosto e as de Pernambuco e Rio de Janeiro em 25 de agosto, quando será possível comparar institutos diferentes sobre a mesma disputa.