PM envia explicações a Moraes sobre arma de Bolsonaro apreendida em blitz
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A apreensão de uma arma legalizada e registrada em nome de Bolsonaro, transportada por um militar para um reparo técnico, foi transformada em mais um capítulo do cerco judicial ao ex-presidente. O sargento explicou tratar-se de uma pane simples no percussor e a intenção de devolver o armamento no dia seguinte. Ainda assim, Moraes deu apenas 24 horas para a defesa se manifestar, num episódio que críticos veem como rigor desproporcional contra um ex-presidente já em prisão domiciliar por motivo de saúde.
O episódio expõe falhas na fiscalização da prisão domiciliar de Bolsonaro, condenado a 27 anos pela trama golpista. Uma arma de fogo registrada em seu nome circulava fora da residência, sem documentação, justamente no período em que ele deveria estar sob medidas cautelares rígidas.
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Todos os lados confirmam que a arma é uma Glock 9 mm registrada em nome de Bolsonaro, apreendida em blitz da PMDF, e que Moraes deu 24 horas para a defesa explicar o episódio durante a prisão domiciliar humanitária.
Uma pistola Glock calibre 9 milímetros registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro foi apreendida em uma blitz de trânsito da Polícia Militar do Distrito Federal, na segunda-feira (15), em Taguatinga. O caso levou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a dar 24 horas para que a defesa de Bolsonaro explicasse por que a arma estava na residência onde ele cumpre prisão domiciliar humanitária e por que o armamento havia sido retirado do imóvel às vésperas do fim do benefício.
O armamento foi localizado em um veículo conduzido pelo sargento Estácio Leite da Silva Filho, que afirmou aos policiais integrar a equipe de segurança do ex-presidente. Em depoimento, o sargento disse que transportava a pistola para um reparo após identificar uma pane no percussor e que pretendia devolvê-la no dia seguinte. Além da arma, os agentes encontraram um carregador sobressalente. A pistola não estava acompanhada do Certificado de Registro de Arma de Fogo. O militar foi ouvido na 21ª Delegacia de Polícia e liberado em seguida. A propriedade da arma foi confirmada pelo sistema Sigma do Exército.
A cobertura de centro relatou que Moraes ampliou a apuração: além de questionar a defesa, o ministro determinou que o comando da Polícia Militar informe se as revistas obrigatórias nos veículos que entram e saem da residência estão sendo executadas integralmente, com inspeção de habitáculos e porta-malas. A Presidência da República, por sua vez, afirmou em nota que o sargento não integra os quadros do Gabinete de Segurança Institucional e que cabe ao próprio ex-presidente escolher o responsável por sua segurança. A PMDF respondeu ao Supremo que sua atribuição se limita a vistoriar os veículos que entram e saem da casa, e que os carros do GSI permanecem na área externa, sem passar por revista.
Veículos de direita enfatizaram o caráter técnico do episódio: a arma é legal, registrada em nome de Bolsonaro, e estava sendo levada para conserto de uma pane de simples solução, com a intenção de devolução no dia seguinte. Nessa leitura, o prazo curto imposto por Moraes e a abertura de apuração são vistos por aliados como mais um sinal de rigor desproporcional contra um ex-presidente que já cumpre prisão domiciliar por razões de saúde, após um quadro de broncopneumonia.
Veículos de esquerda destacaram o outro ângulo: um condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela trama golpista mantinha uma arma de fogo e um carregador sobressalente em casa durante o cumprimento de medida cautelar, e o armamento conseguiu deixar a residência sem ser detectado pelo sistema de monitoramento. Para essa cobertura, o episódio expõe brechas na fiscalização e reforça a importância do escrutínio judicial sobre o cumprimento da pena, sobretudo às vésperas do fim do benefício de 90 dias.
O que ainda não se sabe é o teor da resposta da defesa de Bolsonaro ao questionamento de Moraes, se o ministro avaliará que houve descumprimento das medidas cautelares e se isso pode resultar na revogação da prisão domiciliar e no retorno ao regime fechado. Também permanece em aberto o resultado da apuração da 21ª Delegacia sobre a regularidade do transporte e da documentação da arma.
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