Flávio Dino manda PF refazer perícias sobre financiamento de Dark Horse
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Resumo da cobertura
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Briefing
O que importa para você
- Todas as perícias feitas pela Polícia Civil de São Paulo serão repetidas por agentes federais, o que reabre a fase técnica do inquérito.
- A Polícia Federal trabalha para concluir as novas análises antes do segundo turno da eleição presidencial, a menos de um mês.
- O inquérito deixou a estrutura policial subordinada ao governo de Tarcísio de Freitas e passou ao comando federal, sob relatoria de Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal.
Onde os lados concordam
Há acordo sobre os fatos básicos: o material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo está em análise na sede da Polícia Federal em Brasília, o ministro Flávio Dino determinou que as perícias estaduais sejam refeitas, a federalização ocorreu há cerca de duas semanas e o financiamento de “Dark Horse” é atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro.
O que ainda está incerto
- Não se conhece o fundamento técnico que motivou a ordem de refazer as perícias.
- Não há informação sobre o valor nem sobre o caminho dos recursos que financiaram o filme.
- Não há prazo formal divulgado para a conclusão das novas análises, nem manifestação da Polícia Civil de São Paulo, do governo estadual ou dos citados no caso.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal refaça todas as perícias produzidas pela Polícia Civil de São Paulo na investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme a respeito de Jair Bolsonaro. O material apreendido no estado já está em análise em Brasília, a menos de um mês do segundo turno da eleição presidencial.
A Polícia Federal recebeu na terça-feira passada, em sua sede em Brasília, o conjunto de documentos, informações e arquivos extraídos de celulares e computadores apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo na investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”, o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Além de analisar esse material, a corporação vai refazer todas as perícias já produzidas pela polícia paulista, por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso.
Dino federalizou a apuração há cerca de duas semanas, decisão que transferiu para a esfera federal o comando da análise do que havia sido recolhido em São Paulo. A investigação procura estabelecer a origem dos recursos usados na produção, cujo financiamento é atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro. A avaliação interna da Polícia Federal, segundo o relato disponível, é de que há tempo hábil para repetir os exames antes do segundo turno da eleição presidencial, que ocorre em menos de um mês.
Os dois pontos em que a cobertura converge são objetivos: o material apreendido está agora sob análise de agentes federais em Brasília, e a ordem de refazer as perícias alcança todo o trabalho técnico produzido até aqui pela polícia estadual. Nenhuma das versões apresenta imputação formal já feita a alguém, e nenhuma detalha qual falha ou lacuna motivou a repetição dos exames.
A cobertura de centro tratou o caso como informação exclusiva de bastidor e sublinhou o encadeamento entre a federalização, a chegada dos arquivos e o calendário eleitoral, com adjetivação irônica sobre o filme e sobre o financiador apontado. Veículos de esquerda destacaram que a federalização retirou a investigação da estrutura policial vinculada ao governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo, enquadrando a decisão como proteção da apuração contra interferência política local e apontando o financiamento por um banqueiro como exemplo de poder econômico convertido em propaganda. Veículos de direita não registraram o episódio no material reunido até agora; o enquadramento previsível desse campo, a partir dos mesmos fatos, seria questionar o momento da decisão, a poucas semanas do segundo turno, e cobrar justificativa técnica pública para desautorizar integralmente as perícias de uma polícia estadual, tratando o financiamento privado como atividade lícita enquanto não houver prova em contrário.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há informação pública sobre o fundamento técnico invocado para refazer os exames, nem sobre o valor ou o caminho dos recursos que bancaram a produção. Também não se conhece o prazo formal fixado para a conclusão das novas perícias, quem são os investigados no inquérito federalizado e se a Polícia Civil de São Paulo, o governo estadual ou os citados no caso vão se manifestar sobre a ordem do Supremo Tribunal Federal. Até que essas análises terminem, o que existe é um inquérito em mudança de mãos, com material apreendido em revisão e sem conclusão divulgada.
Fontes

PF analisa arquivos apreendidos e refaz perícias sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.

PF recebe arquivos e refaz perícias da polícia de Tarcísio de Freitas sobre Dark Horse