O Conselho de Ética Nacional do Republicanos decidiu, por cinco votos a zero, expulsar o prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga, dos quadros do partido, sob a acusação de infidelidade partidária. A votação ocorreu em 6 de agosto de 2026 e o prefeito foi comunicado oficialmente na tarde de 19 de agosto. Manga já estava com a filiação suspensa desde 15 de julho, quando o procedimento disciplinar foi aberto.
O estopim foi um vídeo publicado por Manga nas redes sociais, em que ele aparece na sede do União Brasil em Sorocaba, com o prédio decorado com fotos dele e da esposa, Sirlange Maganhato, para declarar apoio à candidatura dela a deputada federal por aquele partido. O relator do processo, o vereador paulistano André Santos, recomendou a punição máxima depois que o próprio prefeito afirmou, em sua defesa, que reconhecia o direito da legenda de examinar o caso, mas reafirmava o “apoio total e irrestrito” à campanha da mulher. Para o relator, a declaração equivale a uma confissão de descumprimento do estatuto, que prevê advertência, suspensão ou expulsão para filiados com mandato eletivo que manifestem apoio político a candidato contrário aos interesses da sigla. Em nota, a Executiva Estadual do Republicanos em São Paulo afirmou que as condutas analisadas configuraram violação aos deveres de lealdade e fidelidade partidárias.
Toda a cobertura converge nos mesmos dados: a unanimidade do Conselho de Ética, a suspensão prévia, o vídeo como motivação e a reação do prefeito. Por meio da assessoria, Manga confirmou a expulsão, disse receber a decisão com tranquilidade e afirmou que seguirá apoiando a candidatura da esposa, mantendo o respeito por quem participou de sua trajetória política. A assessoria do presidente do partido, Marcos Pereira, classificou a saída como definitiva.
As ênfases mudam conforme o lado. Veículos de direita concentraram o texto no rito disciplinar e na confissão do prefeito, com destaque para o histórico judicial: Manga foi afastado do cargo de forma cautelar em novembro de 2025, sob o argumento de que poderia atrapalhar investigações sobre supostos desvios na área da saúde do município, voltou por liminar do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, em março de 2026, e foi denunciado pela Procuradoria Regional da República por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, peculato, contratação ilegal e fraude em licitações, com base na Operação Copia e Cola, da Polícia Federal. A defesa refuta as acusações. Uma dessas coberturas, porém, ficou restrita ao comunicado do partido e não trouxe versão do prefeito. A cobertura de centro reproduziu a nota oficial na íntegra, recuperou a cronologia do processo e acrescentou o dado político ausente no resto do conjunto: no Instagram, o prefeito reiterou o apoio à esposa e sinalizou que continuará apoiando o governador Tarcísio de Freitas, candidato à reeleição pelo próprio Republicanos, sem dizer nada sobre seu futuro partidário. Veículos de esquerda deram relevo ao alcance digital de Manga, com mais de sete milhões de seguidores somados, e frisaram o ponto que a maioria omitiu: a expulsão não custa o cargo, porque a prefeitura foi conquistada em eleição majoritária e a desfiliação não implica perda automática do mandato.
O que ainda não se sabe é se Manga recorrerá da decisão, a que legenda pretende se filiar e se o Republicanos adotará outras medidas contra ele. Também segue em aberto o desfecho da ação penal aberta a partir da operação da Polícia Federal e o efeito prático da expulsão sobre o palanque paulista, já que o prefeito diz manter o apoio ao governador filiado justamente ao partido que o expulsou.