A eleição suplementar realizada no domingo, 21, em Reginópolis, no interior de São Paulo, terminou com uma das menores margens de vitória do estado neste ano. João Paulo, do PSD, foi eleito prefeito ao superar Marco Antonio Martins Bastos, o Marquinho Bastos, do União Brasil, por apenas 34 votos. Segundo o resultado oficial, João Paulo somou 1.880 votos, equivalentes a 50,46% dos votos válidos, contra 1.846 votos, ou 49,54%, do adversário. O município tem cerca de 4.700 eleitores aptos a votar, o que ajuda a explicar como uma diferença tão pequena foi suficiente para definir o comando da prefeitura.
O pleito deste domingo só ocorreu porque a Justiça Eleitoral anulou o resultado das eleições municipais de 2024. Naquela disputa, Ronaldo Correa, do Podemos, havia sido o candidato mais votado, mas não pôde assumir o cargo: teve o registro de candidatura indeferido em razão de uma condenação ligada à fraude na cota de gênero nas eleições de 2020. A cobertura de centro relatou os números oficiais e a cronologia do caso de forma estritamente factual, destacando que a inelegibilidade levou à convocação de um novo pleito para concluir o mandato iniciado em 2024.
Veículos de direita enfatizaram o detalhe de que a decisão judicial, além da cassação, impôs ao político a perda dos direitos eleitorais por oito anos, inviabilizando sua posse mesmo após a vitória nas urnas. Sob esse prisma, o episódio reacende o debate sobre o peso das decisões da Justiça na definição de quem pode disputar cargos, já que a escolha original dos eleitores foi revertida e o segundo colocado de 2024, João Paulo, acabou chegando ao cargo por via suplementar.
Numa leitura à esquerda, o mesmo conjunto de fatos é interpretado como a Justiça Eleitoral cumprindo seu papel de proteger a integridade do processo democrático. A fraude na cota de gênero, mecanismo criado para ampliar a representação feminina na política, foi punida com rigor, e a realização de um novo pleito teria preservado a vontade popular dentro das regras vigentes. O ponto de convergência entre as coberturas é factual: o resultado apertado, os percentuais oficiais e o histórico que levou à anulação. A divergência está no enquadramento sobre o alcance das decisões judiciais em matéria eleitoral.
O que ainda não se sabe é como ficam os recursos eventualmente cabíveis, qual será a reação das legendas e dos candidatos derrotados e se há contestação prevista ao resultado deste domingo. As reportagens também não trazem manifestações diretas dos protagonistas nem detalham o calendário de posse além da informação de que João Paulo assumirá para concluir o mandato em curso.