O Partido dos Trabalhadores decidiu lançar candidatura própria ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. A definição foi tomada em reunião realizada em 24 de junho, que reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deputados federais mineiros, a executiva nacional e o diretório estadual da sigla. Segundo a presidente do diretório estadual, a deputada Leninha, o entendimento reafirma uma resolução tomada cerca de um mês antes, e o nome do candidato será construído nos próximos dias.
A cobertura de centro relatou que a decisão irritou a pré-candidata ao Senado Marília Campos, ex-prefeita de Contagem e nome até então considerado prioritário do partido para a disputa ao Executivo estadual. Ela não quer concorrer ao governo e vinha trabalhando pelo apoio a um candidato de outra sigla, tendo classificado a estratégia partidária como um equívoco. Em nota, Marília afirmou que a decisão, embora legítima do ponto de vista partidário, pode fragilizar o campo democrático e popular no estado ao reproduzir uma disputa fortemente polarizada.
Veículos de esquerda destacaram a defesa de Marília Campos por uma frente ampla, reunindo PT, PCdoB, PV, PSB, MDB, Rede, PSOL e PDT em torno do projeto liderado por Lula. Para esse enquadramento, o melhor caminho não seria a candidatura isolada, mas a construção de uma aliança ampla e competitiva, lembrando que a vitória de Lula em 2022 teria nascido do diálogo e da convergência. A mesma cobertura valorizou a pré-candidatura ao Senado como demonstração de força política e como avanço da presença feminina em cargos majoritários, num estado que hoje não tem senadores da base do presidente.
Veículos de centro detalharam os bastidores da disputa interna. Observadores enxergam na pressão sobre Marília as digitais de setores do partido que seriam afetados por sua eventual ida ao governo: sem ela na disputa pelo Senado, o deputado Reginaldo Lopes surge como opção natural, o que abriria espaço para outros nomes na Câmara. A articulação envolve ainda acordos com aliados nacionais, como o PDT do ex-prefeito Alexandre Kalil, e composições em outros estados. Antes de fechar pela candidatura própria, o PT ensaiou nomes como o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, que desistiu, e negociou com o ex-vereador Gabriel Azevedo, do MDB.
Da leitura crítica que se pode extrair da cobertura, veículos de direita encontrariam no episódio sinais de divisão interna e de enquadramento dos diretórios locais pela cúpula nacional e por Lula. A memória do impopular governo de Fernando Pimentel, entre 2015 e 2018, segue como munição do antipetismo no estado, num cenário em que adversários como Cleitinho Azevedo lideram as pesquisas e o governador Mateus Simões, ex-vice de Romeu Zema, tenta a reeleição.
O que ainda não se sabe é o nome que o PT escolherá para encabeçar a chapa ao governo, se haverá acordo com o PDT para que Kalil não dispute, e como ficará o palanque de Lula diante das divergências entre os partidos aliados em Minas. Também permanece em aberto se Marília Campos manterá firme a pré-candidatura ao Senado ou cederá à pressão da direção nacional.