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O PT decidiu, após reunião de Lula com lideranças mineiras e a executiva nacional, lançar candidatura própria ao governo de Minas Gerais em 2026. A decisão irritou a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, principal nome cotado, que prefere disputar o Senado e defende uma frente ampla. O nome do candidato ao governo ainda não foi definido.
O Partido dos Trabalhadores enfrenta uma divisão pública em Minas Gerais após decidir lançar candidatura própria ao governo do estado nas eleições de 2026. A definição foi tomada em uma reunião na manhã da quarta-feira, dia 24 de junho, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com lideranças do PT mineiro e com representantes da executiva nacional. Segundo a presidente do diretório estadual, a deputada Leninha, o partido vai apresentar um nome próprio para a disputa pelo Palácio Tiradentes, ainda a ser construído nos próximos dias.
A cobertura de centro relatou a decisão de forma factual, registrando que o encontro reuniu deputados federais de Minas, a executiva nacional e o diretório estadual, e que o entendimento reafirma uma resolução tomada havia cerca de um mês. A mesma cobertura detalhou os bastidores: a candidatura própria contraria a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, nome mais viável do partido para a disputa estadual, que prefere concorrer ao Senado e vinha trabalhando pelo apoio a um candidato de outra sigla, o emedebista Gabriel Azevedo.
Veículos de esquerda destacaram o ponto de vista de Marília Campos e a defesa de uma frente ampla. Para a ex-prefeita, a estratégia adotada pelo PT pode fragilizar o campo democrático e popular no estado. Em nota, ela classificou a decisão como um equívoco estratégico, ainda que legítima do ponto de vista partidário, e afirmou que reproduzir uma disputa fortemente polarizada tende a recolocar no centro do debate conflitos que pouco contribuem para enfrentar os problemas concretos dos mineiros. Marília defende que o partido lidere uma articulação envolvendo siglas como PCdoB, PV, PSB, MDB, Rede, PSOL e PDT, em vez de seguir isolado com candidatura própria. A cobertura à esquerda também reforçou que sua pré-candidatura ao Senado já foi aprovada pelas instâncias partidárias e tem respaldo da direção nacional.
De outro ângulo, veículos de direita enfatizaram o racha interno e o peso do antipetismo no estado. A ex-prefeita teme que a iniciativa entregue aos adversários a munição do antipetismo, já que o impopular governo de Fernando Pimentel, entre 2015 e 2018, segue sendo tema relevante na política local e não é defendido nem mesmo pelos quadros do PT. Observadores citados veem na pressão sobre Marília as digitais de setores do partido diretamente afetados por uma eventual ida dela à disputa estadual: o deputado Reginaldo Lopes seria a opção natural para a vaga ao Senado, o que abriria espaço para outros nomes na Câmara.
O movimento envolve ainda um acordo mais amplo com os partidos da aliança de Lula, que em Minas estão divididos. O PDT tem o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil como pré-candidato, o PSB alimenta possibilidades e o PSOL reforça candidatura própria em meio a divergências internas. Antes de decidir pela candidatura própria, o PT ensaiou várias possibilidades, incluindo o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, que desistiu, e tentativas de reaproximação com Kalil. Marília vai se reunir com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, nos próximos dias.
O que ainda não se sabe é quem será o candidato do PT ao governo de Minas, se haverá acordo com o PDT para que Kalil não dispute, e como a ex-prefeita reagirá após a conversa com a direção nacional. Também permanece em aberto se o partido conseguirá compor a frente ampla defendida por Marília ou se a disputa interna se aprofundará às vésperas do pleito.
Todos os lados confirmam que o PT, com aval de Lula, decidiu lançar candidatura própria ao governo de Minas em 2026 e que Marília Campos, principal nome cotado, resiste à ideia e prioriza o Senado.
Como cada lado cobriu
Veículos com viés à esquerda
Veículo de esquerda (Brasil247) com enquadramento favorável ao campo progressista: ênfase na 'frente ampla', na 'unidade do campo democrático' e no 'projeto democrático liderado por Lula'. Reproduz amplamente a nota de Marília e o vocabulário de articulação progressista, dando menos espaço à ala que defende candidatura própria.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Cobertura factual do Metrópoles: relata o anúncio da decisão, a reunião com Lula e a executiva, e cita nota da presidente do diretório estadual. Linguagem neutra, sem enquadramento ideológico, embora breve.
Perspectivas omitidas
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

Direção nacional tentará convencer Marília Campos, hoje pré-candidata a senadora, a encarar disputa pelo governo, o que ela refuta; ex-prefeita vem defendendo apoio a Gabriel Azevedo (MDB)

Ex-prefeita critica decisão do PT de lançar candidatura própria em Minas Gerais: “equívoco estratégico”

Encontro realizado nesta quarta-feira (24) contou com a presença de deputados federais de Minas, a executiva nacional e o PT mineiro
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