Um levantamento do Todos Pela Educação divulgado em 20 de agosto de 2026 mostra que a maior parte dos estudantes da rede pública brasileira conclui o ensino médio sem o nível de aprendizagem considerado adequado. Com base nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica, o Saeb, o estudo aponta que 64,8% dos alunos do 3º ano do ensino médio não alcançam o patamar adequado em língua portuguesa e que 91,5% ficam abaixo do adequado em matemática. A análise cobre o período de 2005 a 2025 e considera apenas alunos matriculados na rede pública, do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio.
O retrato de duas décadas é desigual ao longo da trajetória escolar. Entre 2005 e 2025, a proporção de alunos do 5º ano com aprendizagem adequada subiu de 22,4% para 60,7% em língua portuguesa e de 14,8% para 50,6% em matemática. No 9º ano, o avanço foi menor, chegando a 38,3% em português e a 18,8% em matemática. No fim do ensino médio, o desempenho em português mais que dobrou, de 15,7% para 35,2%, enquanto o de matemática passou de 5,2% para 8,5%, um avanço de apenas 3,3 pontos percentuais em vinte anos.
Toda a cobertura converge em dois pontos. O primeiro é a ressalva metodológica: em 2005, cerca de quatro em cada dez jovens concluíam o ensino médio até os 19 anos, e em 2025 esse número chegou a cerca de sete em cada dez, o que significa que os indicadores médios passaram a descrever um público muito maior e mais diverso. O segundo é a disparidade entre redes estaduais. Piauí, Rio Grande do Sul e Paraná lideraram os avanços em língua portuguesa entre 2023 e 2025, e Paraná, Ceará, Goiás e Espírito Santo aparecem com indicadores acima da média nacional, enquanto Maranhão, Bahia e Roraima registram os piores resultados no 9º ano.
A cobertura de centro relatou o estudo em detalhe e deu peso à matemática como o ponto mais crítico, reproduzindo a avaliação de dirigentes da organização de que os níveis atuais são inadmissíveis e de que a recomposição da aprendizagem perdida na pandemia não foi concluída. No ensino médio, a fatia de alunos abaixo do básico em matemática é de 58,6%, pior que os 51,7% registrados antes da pandemia. Veículos de direita ficaram com o recorte de língua portuguesa, destacando que o percentual de alunos com aprendizado adequado mais que dobrou e que 22 estados avançaram entre 2023 e 2025, sem apresentar os números de matemática nem a cobrança de política pública feita pela organização. Veículos de esquerda não publicaram matéria sobre o levantamento até o momento, e o ângulo que costuma organizar essa leitura, o do financiamento e da desigualdade entre redes ricas e pobres, não apareceu no noticiário do dia.
O que ainda não se sabe é como o poder público pretende reagir. Nenhuma das reportagens traz resposta do Ministério da Educação ou das secretarias estaduais, não há detalhamento das políticas que explicam o salto do Piauí e do Paraná, e o estudo não mede a rede privada, o que impede comparar o sistema inteiro. Também não há indicação de prazo ou de recurso associado à meta do Plano Nacional de Educação, que prevê ao menos 80% dos concluintes do ensino médio em nível adequado de aprendizagem até 2036.