Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, e a análise a seguir se limita ao que ele relatou. Augusto Cury, escritor e candidato do Avante à Presidência, anunciou na quinta-feira, 8 de outubro, apoio a Flávio Bolsonaro, do PL, no segundo turno da eleição presidencial contra o presidente Lula. O anúncio veio depois de uma conversa por vídeo entre os dois e quatro dias após o primeiro turno, no qual Cury se apresentou como alternativa à polarização.
O apoio chamou atenção porque, durante a campanha, Cury criticou duramente o senador. Questionou o fato de Flávio ocupar cargos eletivos desde os 21 anos e a falta de experiência profissional fora da política. Também levantou suspeitas sobre as relações de Flávio com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O próprio texto ressalva que essas falas são acusações e questionamentos políticos, não comprovação de irregularidades, e que eventuais suspeitas dependem das investigações e do respeito à presunção de inocência.
Renan Santos, ex-candidato à Presidência pelo partido Missão, reagiu ironizando o escritor. Chamou Cury de 'comédia', em referência à distância entre as críticas anteriores e o apoio anunciado. Segundo o relato, Renan já vinha criticando a candidatura de Cury desde agosto e mantém críticas tanto a Flávio quanto a Lula, buscando preservar o Missão como alternativa aos dois campos.
Sobre os termos do apoio, o relato diz que Cury apresentou uma carta com propostas que gostaria de ver no programa presidencial: valorização dos professores, ampliação da telemedicina, proteção às mulheres, incentivo ao empreendedorismo e medidas de sustentabilidade. Flávio aceitou os compromissos e agradeceu. Cury afirmou que não negociou cargos ou benefícios pessoais e que seguirá livre para discordar do candidato em temas específicos. O texto registra que não há comprovação de vantagens ou contrapartidas irregulares.
Na leitura do veículo que cobriu o caso, o episódio mostra uma direita dividida entre quem se alia a Flávio e quem mantém distância. O texto afirma que mudar de lado não é irregularidade em si, pois apoios entre adversários fazem parte da eleição, mas que a virada provoca questionamentos políticos naturais. Como se trata de cobertura de fonte única, não há ainda contraponto de outros campos, e nenhum veículo de centro ou de direita relatou o episódio.
O relato também dimensiona o peso do apoio. Cury terminou o primeiro turno com cerca de 3,45 milhões de votos, uma das maiores votações entre os derrotados. Ainda assim, o voto é individual e secreto, e os eleitores não são obrigados a seguir a orientação de quem escolheram antes. Para Flávio, o anúncio amplia as alianças depois do primeiro turno.
O que ainda não se sabe é quantos eleitores de Cury devem migrar para Flávio, se a campanha do senador responderá às críticas anteriores do escritor e qual será o detalhamento dos compromissos programáticos assumidos. A fala completa de Renan Santos também não foi divulgada no relato.